PAP0240 - As migrações entre o campo e a cidade: quem migra e porque se migra?
O despovoamento do território, associado aos desequilíbrios do desenvolvimento regional, persiste como uma questão central em Portugal, não obstante as transformações que têm marcado a sociedade portuguesa nas últimas décadas e as medidas de política pública que têm procurado lidar com o problema. Acarreta múltiplas problemáticas, às quais tanto o Estado como a sociedade civil não podem ficar indiferentes: limita o desenvolvimento de regiões e o acesso das respectivas populações a recursos e condições de vida essenciais para assegurar a sua cidadania plena.
Os estudos sobre o despovoamento do território em Portugal, têm sido sobretudo analisados de forma estatística e quantitativa, escapando-nos do controlo da nossa análise aspectos micro sociológicos, como sejam as expectativas, os projectos, as razões, os perfis e os percursos migratórios de quem migra.
Esta comunicação resulta de dois estudos de caso, aplicados no concelho de Castro Daire, onde se procurou explorar, pelo recurso a métodos qualitativos, o modo como se constroem socialmente as trajectórias de saída entre o campo e a cidade. Procuramos assim, centrar-nos na análise dos perfis de saída que resultam das diversas lógicas sociais, inerentes a essa construção, procurando discutir como essas lógicas são importantes na definição dos perfis de saída e na elaboração dos percursos migratórios.
Os estudos revelaram que os perfis de saída, apesar de distintos, possuem diversos aspectos em comum. A comunicação terá como linhas de orientação, a descrição e enunciação das similitudes e diferenças entre os diversos perfis de saída, a compreensão do modo como esses perfis constroem percursos migratórios distintos e a tentativa de perceber como se constroem esses perfis.
As propostas desta comunicação servirão essencialmente para complementar e explorar os estudos já realizados, abrindo novas pistas para futuras investigações.
- BARONET, Paulo R.

Paulo R. Baronet
Nascido a 11 de Janeiro de 1982 em Viseu é licenciado e mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Nos últimos 5 anos tem dado ênfase ao estudo do despovoamento das regiões do interior, onde tem procurado compreender como se constroem socialmente as trajetórias e os perfis de saída; as múltiplas relações entre o campo e a cidade e o modo como os jovens interpretem, valorizam e vivenciam diferentemente os tempos sociais urbanos e rurais.
Atualmente é sociólogo na Santa Casa da Misericórdia de Castro Daire onde coordena um estudo sociológico sobre os cuidados informais a pessoas portadoras de doença de Alzheimer.
As áreas de interesse são: Migrações, Despovoamento, Cuidados Informais e Alzheimer.
PAP0084 - Consumo de drogas, tratamento e reinserção
Os consumos e
dependências de
drogas são um
fenómeno transversal
a qualquer
sociedade, tanto no
tempo como no espaço
(Escohotado, 2004).
Uma das
singularidades deste
fenómeno nas
sociedades
ocidentais
contemporâneas
consiste na
possibilidade de
abandonar estes
consumos e
dependências com
recurso a ajudas
formais, de entre
uma pluralidade
delas, as
comunidades
terapêuticas.
As comunidades
terapêuticas têm
origem no Reino
Unido, datam da
década de 40 do
século passado,
tendo-se tornado
populares nos EUA a
partir de meados dos
anos 50. As actuais
comunidades
terapêuticas
resultam de um
desenvolvimento dos
grupos informais de
auto-ajuda criados
por
ex-toxicodependentes
que foram
incorporando no seu
staff especialistas
– médicos,
psicólogos,
psiquiatras, etc.
(Leon, 2000).
A presente
comunicação
apresenta dados de
um projeto de
investigação mais
abrangente que tem
como objetivo
estudar as
trajectórias sociais
de
ex-toxicodependentes
após alta clínica
numa comunidade
terapêutica.
A nível metodológico
a comunicação
congrega dados
provenientes de duas
fontes de
informação: em
primeiro lugar, os
processos clínicos
dos utentes que
completaram o
processo terapêutico
entre os anos de
1999 e 2009 na
Comunidade
Terapêutica Quinta
das Lapas da
Associação Dianova;
em segundo lugar, um
inquérito por
questionário
aplicado
telefonicamente a
ex-utentes desta
comunidade
terapêutica entre
Setembro e Dezembro
de 2010.
A comunicação que se
apresenta tem como
objectivos:
1) Efectuar uma
comparação da
situação social
destes ex-utentes,
em dois momentos no
tempo – à entrada do
tratamento e na
atualidade – tendo
por base os
indicadores de
caracterização
social, bem como a
sua situação perante
os consumos;
2) Identificar
estratégias e
agentes chave no
processo de
reintegração
vivenciado pelos
sujeitos.
- HENRIQUES, Susana

- CANDEIAS, Pedro

Nome:
Susana Henriques
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Sociologia, especialidade me Sociologia da Educação, da Comunicação e da Cultura. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta, responsável por UCs de 1º, 2º e 3º ciclos. Investigadora no CIES-IUL e no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças, literacias e das competências pessoais e sociais, bem como na área da comunicação.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
susanah@uab.pt; susana_alexandra_henriques@iscte.pt
Tel.:
213916300
Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.
PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação e contributos do instrumento na investigação qualitativa
Esta proposta de comunicação pretende descrever um instrumento qualitativo de apoio à recolha de dados – o bio-gráfico. Desenvolvido a partir da necessidade de dar suporte à realização de entrevistas focadas na reconstituição de informação passada, o bio-gráfico consiste numa representação gráfica de informação histórica de um indivíduo, sendo composto por várias dimensões organizadas sobre uma linha cronológica central, permitindo estruturar os discursos de cada entrevistado e constituindo-se uma base privilegiada para o desenvolvimento da narrativa.
A construção do instrumento teve origem em pressupostos da Psicologia e da Sociologia, em particular nas metodologias usadas no domínio do comportamento desviante (Agra e Matos, 1997) e no modelo da interdependência dos sistemas de vida (Curie, 2000), o que explica a importância atribuída à experiência individual, à dimensão processual dos acontecimentos e ao significado construído pelos indivíduos.
O bio-gráfico foi concebido no âmbito de um estudo sobre envelhecimento e trabalho (Ramos, 2010), incluindo cinco dimensões de análise: percurso profissional; história de saúde; percurso escolar; história familiar; meio social e geográfico. O instrumento foi usado em outros contextos de investigação, como por exemplo na reconstituição de trajectórias de desempregados de longa duração e de trabalhadores temporários,com vista à identificação de perfis. Houve ainda lugar à sua adaptação para contextos específicos de investigação, como é o caso de um estudo sobre análise de projectos de concepção de postos de trabalho (Gil-Mata, Lacomblez & Bellies, 2011). Aqui, o instrumento é centrado sobre um projecto e não sobre um indivíduo, sendo apelidado de projectográfico (Gil-Mata & Lacomblez, 2010), assumindo-se como representação partilhada da evolução do projecto e incluindo também cinco dimensões: espaço de trabalho; meios de trabalho; organização do trabalho; reflexão e elaboração.
A utilização do instrumento tem mostrado vantagens a diferentes níveis: i) na condução de entrevistas, já que este serve de orientação à narrativa dos sujeitos; ii) na validação e restituição dos dados, contribuindo para a validade dos estudos; iii) no cruzamento de dados hetero e autobiográficos, possibilitando a triangulação de fontes de informação; iv) na visualização dos dados, permitindo uma ilustração da trajectória pessoal ou projecto em estudo, permitindo a análise temporal ou histórica dos mesmos; v) no interface entre o sujeito e os dados, ao possibilitar, ao próprio indivíduo, através do confronto com o registo gráfico, repensar a sua trajectória, atribuir novos significados e construir novas relações entre acontecimentos.
Este instrumento constitui não só um suporte para a recolha de dados mas também um elemento de intervenção em si, dada a importância deste exercício de atribuição de significados e sentido às vivências dos indivíduos.
- RAMOS, Sara

- MATA, Rita Gil
Sara Ramos doutorou-se em Psicologia, na especialidade de Psicologia do Trabalho pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação,da Universidade do Porto, em 2006. É Professora Auxiliar no Departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, desde 2007. As suas áreas de ensino incluem métodos de investigação, métodos qualitativos, psicologia do trabalho e recursos humanos. Os trabalhos de investigação mais recentes têm-se centrado na relação entre saúde, idade e trabalho mais especificamente na temática do envelhecimento e trabalho.
PAP0281 - Perspectivas de famílias de comerciantes Hindus em tempo de crise
A investigação sobre populações imigrantes,
sobretudo as pesquisas dedicadas aos processos
de integração dos imigrantes provindos dos
países não ocidentais, vinha sendo, em parte,
estabelecida sob o paradigma de uma sociedade
ocidental em permanente desenvolvimento
económico. As actuais transformações profundas
no sistema económico que afectam sobretudo a
Europa implicam mudanças nas concepções sobre o
país de residência de muitas famílias
imigrantes, perturbando as suas perspectivas de
curto, médio e longo prazo relativamente não só
aos estilos de vida como a opções fundamentais
no âmbito das mobilidades transnacionais.
As trajectórias profissionais dos imigrantes de
origem indiana em Portugal implicavam na
maioria dos casos até muito recentemente uma
mobilidade social ascendente. Os Hindus
residentes na Área Metropolitana de Lisboa são
globalmente perspectivados como comerciantes
frutuosos e não escaparam a esta asserção.
Imigradas duas e três vezes ao longo da vida,
com perspectivas de melhorar economicamente as
suas situações nos países de destino, estas
famílias vêem-se actualmente na situação de
olhar o seu país de origem não apenas com o
carácter sagrado com que sempre olharam, mas
também de destino potencial.
A Índia, enquanto país em franco
desenvolvimento económico, vem provocando
reflexos profundos nas comunidades em diáspora.
Sinais empíricos apontam para que estas, sob a
pressão de uma economia em recessão,
reconfigurem a sua transnacionalidade,
colocando mais peso no país de origem do que no
país de destino. Além da Índia, no caso
concreto dos Hindus em Lisboa, também o país
donde emigraram imediatamente antes de vir para
Portugal, Moçambique, é agora olhado como
potencial destino, depois de décadas em que
este país não tinha peso simbólico no conjunto
dos pólos da diáspora hindu-portuguesa.
Além de debater estas questões, nesta
comunicação procurarei apresentar, através de
relatos de comerciantes, actuais visões desta
população sobre o futuro profissional e
pessoal, nomeadamente, expondo perspectivas
profissionais que equacionam o desejo de voltar
a emigrar e, por outro lado, numa óptica de
actualização de dados sócio-culturais, dar
conta da variabilidade de percursos
profissionais dos Hindus em Lisboa.
- CACHADO, Rita

Rita Ávila Cachado
Nota biográfica
Doutorada em Antropologia, com especialidade em Antropologia Urbana pelo ISCTE-IUL (2008). Realizou uma etnografia prolongada entre os hindus do bairro Quinta da Vitória (Concelho de Loures, AML), onde analisou o processo de realojamento no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER) que ali teve lugar, e as influências do passado colonial na actualidade da vida das famílias hindus. É investigadora do CIES-IUL e tem bolsa de pós-doutoramento FCT. Entre os interesses actuais de investigação destaca-se, do lado das metodologias, o método biográfico e o diário de campo; nas temáticas, os percursos sócio-profissionais e as políticas sociais e, do lado das abordagens teóricas, as economias formal e informal entre os hindus da AML.