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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1188 - Do Popular ao Lúdico: Lugares Urbanos em transformação.
A partir de uma investigação de doutoramento em desenvolvimento, o objectivo deste artigo é, a partir e uma etnografia da rua, lugar onde se revela o sentido que a interacção urbana quotidiana tem para cada citadino, discutir as transformações que incluem o espaço urbano, mas que vão muito além dele. A rua é o recorte empírico que permite a análise destas dinâmicas citadinas. A partir da rua, é possível compreender o modo como se reestruturaram os sentimentos de pertença e como se reorganizam as redes de sociabilidade, as vivências quotidianas, as solidariedades e conflitos vicinais, mas também o(s) modo(s) como estas transformações afectam a cidade.
Num tempo marcado pela ideia de globalização, a centralidade do bairro, não só não desapareceu como se viu reforçada. Assiste-se mesmo a um regresso ao bairro. No entanto, as políticas públicas, que parecem promover as vivências de rua tão características dos bairros de Lisboa, acabam por promover uma convivência marcada pela desigualdade.
Assistimos hoje nas nossas cidades à reabilitação e revitalização dos centros históricos urbanos. Em muitos casos, esses processos de revitalização têm como objectivo claro o desenvolvimento da indústria turística nesses locais que passa pela ludificação do espaço. Conscientes da importância do turismo para o desenvolvimento das cidades, e numa lógica de competição global, os municípios apostam na reabilitação e requalificação dos centros urbanos, áreas que têm maiores potencialidades turísticas. Pela regulamentação procuram promover uma espécie de pastoral urbana, uma imagem harmoniosa onde nada destoa, onde nada está fora do seu lugar.
O caso empírico é a Rua da Bica Duarte Belo, situada no bairro da Bica. A partir do final da década de 1990 este lugar sofreu uma profunda transformação. A juntar aos processos de reabilitação urbana surgem inúmeros bares e restaurantes que a transformaram num lugar privilegiado de diversão nocturna. Estas transformações tiveram impactos na vida local e parecem ter criado mundos distintos e separados: um, dos moradores mais antigos, das colectividades e das tascas; o outro, dos novos restaurantes, dos bares e daqueles que os frequentam. Esta coabitação implica necessariamente usos do espaço público que podem ser contrastantes e, por vezes até conflituosos. Esta, entre outras coisas, serão os aspectos analisados.
- GOMES, Bruno

Bruno Gomes é licenciado e Mestre em Antropologia pelo ISCTE-IUL. Frequenta no mesmo instituto o programa de Doutoramento em Antropologia, onde se especializa em Antropologia Urbana. É investigador colaborador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e as suas principais áreas e interesses de investigação são a transformação urbana, as identidades e imaginários urbanos, os bairros, ruas.
PAP0330 - Transformações recentes nos territórios do eixo Guarda – Castelo Branco
Há uma componente do desenvolvimento que passa pelas dinâmicas territoriais, assumindo as cidades um papel de destaque nas mudanças da economia e da sociedade contemporâneas. A diversidade de situações e de configurações que lhe estão associadas aludem a fenómenos que ocorrem em pontos específicos do espaço e do tempo, cujo âmbito está em contínua transformação. Não podemos ignorar que as transformações estruturais afectam de forma desigual os diferentes territórios e grupos sociais.
No território de baixa densidade do interior do País, particularizado pelo despovoamento rural e pela melhoria das acessibilidades regionais e nacionais, uma nova geografia de fluxos parece abrir perspectivas inovadoras na dinamização de centros urbanos relativamente importantes à escala regional (Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco), configurando uma rede urbana multipolar com potencial para sustentar o desenvolvimento regional policêntrico.
A comunicação tem por principal objectivo dar conta da análise das transformações urbano-territoriais da área de influência do eixo Guarda – Covilhã – Castelo Branco. Designadamente interrogar e conhecer: Como evoluíram estes territórios em termos de dinâmica populacional e de ocupação urbana? Como evoluíram as relações de interdependência nestes territórios? Quais as consequências desta evolução? Estarão os fluxos rurais-urbanos a perder parte significativa da sua relevância para movimentos mais urbanizados essencialmente entre as áreas urbanas? Será possível estabelecer possíveis correlações entre movimentos migratórios ou pendulares e transformações espaciais e funcionais da região? Quais os desafios para o futuro?
Palavras-chave: Desenvolvimento regional, fluxos regionais, território, transformação urbana
- VAZ, Domingos

- ALVES, Rui Amaro
Domingos Martins Vaz, professor no Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior e investigador do CesNova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa). A sua principal área de estudo é a sociologia urbana e do território, sendo autor do livro Cidades Médias e Desenvolvimento: o caso da cidade da Covilhã [UBI, Covilhã, 2004], organizador do livro Cidade e Território: Identidades, Urbanismos e Dinâmicas Transfronteiriças [Celta, Lisboa, 2008] e autor de diversos textos nos domínios das cidades, do ordenamento do território e do desenvolvimento regional.