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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1551 - Comportamentos dos jovens universitários europeus na transição para a vida adulta
Nas últimas décadas a sociedade assistiu a processos de mudança profunda, que conduziram a novos comportamentos e a novas formas de ser e estar. Estas mudanças verificaram-se nos mais diversos campos sociais, entre eles a educação, o trabalho, a família e, no fundo, todos os percursos individuais ou colectivos Ao contrário do que se verificava em gerações passadas, a idade cronológica é cada vez menos uma referência e importa então questionar como é hoje feita pelos jovens a transição para a vida adulta. Nas gerações passadas, à infância seguia-se uma rápida transição para a vida adulta, em que a maioria dos indivíduos, quase sempre sequencialmente, entravam no mercado de trabalho, saiam de casa dos pais, casavam e tinham filhos. Actualmente, o espaçamento entre o momento de terminar a frequência do sistema de ensino (nomeadamente, o superior), arranjar um primeiro emprego e todos os restantes acontecimentos que tradicionalmente se seguiam, torna-se maior. Há também hoje uma maior variabilidade no modo como cada acontecimento vai surgindo na vida de cada indivíduo. A passagem para a vida adulta é hoje um período de vida mais longo e menos previsível, em que cada indivíduo toma as suas decisões e opções. Assistimos ainda ao maior investimento na formação e à tendência de continuidade dos estudos ao nível do ensino superior, que se tem revelado uma resposta às novas exigências do mercado de trabalho mas, também, uma possível forma de fuga à realidade do desemprego. Ao mesmo tempo, esta situação resulta no adiamento da entrada na vida adulta dos jovens de hoje. No presente estudo, procuramos compreender como é que o contexto social, económico e demográfico dos países europeus, e a frequência do ensino superior, contribuem para ‘novos’ comportamentos dos jovens na transição para a vida adulta, nomeadamente, no que diz respeito ao impacto da questão da empregabilidade. Para isso, numa análise multidisciplinar, que envolve a Sociologia e a Demografia, e através de uma metodologia essencialmente quantitativa, procuraremos identificar indicadores que poderão explicar a relação entre contexto social e económico, frequência do ensino superior e transição para a vida adulta na Europa.
- CACHAPA, Filipa C.

- MENDES, Maria Filomena

- REGO, Maria Conceição

Filipa Cachapa licenciou-se em Sociologia na Universidade de Évora e está a frequentar aí o último ano do mestrado em Sociologia. É também bolseira em projectode investigação (CEFAGE/UÉ), financiado pela FCT. As suas áreas de interesse relacionam-se com a demografia e ciclos de vida, sociologia da educação, sociologia da cultura e metodologias de investigação.
Maria Filomena Mendes, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia na especialidade de Demografia pela Universidade de Évora é Professora Associada no Departamento de Sociologia desta Universidade.
Publicou recentemente, entre outras, as seguintes publicações:
2010, “A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007” (com I. T. de Oliveira) in Análise Social, Vol. XLV (1.º), 2010 (n.º 194), 115-138.
2010, “Perfil dos imigrantes em Portugal: dos países de origem às regiões de destino” (com C. Rego, J. R. dos Santos e M. G. Magalhães), in Revista Portuguesa de Estudos Regionais, RPER, nº 24-2º Quadrimestre, artigo 7, APDR, Coimbra, pp. 17-39.
Maria da Conceição P. Rego é professora auxiliar com nomeação definitiva no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1991, concluiu o curso de Mestrado em Economia Aplicada na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa em 1996 e em 2003 obteve o grau de Doutor em Economia pela Universidade de Évora. Os seus interesses incidem sobre as temáticas da economia e desenvolvimento regional e urbano, população e economia da educação, com destaque para a análise dos efeitos regionais das instituições de ensino superior.
PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.
As diferenças de género no timing da saída de casa dos pais ao longo do tempo e do espaço europeu são consistentes. As mulheres
saem mais cedo de casa dos pais do que os homens, padrão em muito justificado (como, aliás, as diferenças entre os países e as
gerações) pela predominância destas na co-ocorrência da saída de casa com a entrada em papéis conjugais. Mas este padrão está a
alterar-se, sobretudo em países onde estas diferenças de género (quantitativas e qualitativas) na saída de casa dos pais são mais
evidentes. Com base em dados com representatividade europeia, pode afirmar-se que é precisamente essa uma das maiores
alterações nas sequências das transições para a vida adulta: a co-ocorrência feminina da saída de casa dos pais com a conjugalidade
tende a diminuir, aproximando-se das trajectórias masculinas (Nico, 2011).
A democratização e a feminização do ensino superior não explicam na totalidade esta recente tendência. Há, para além deste
fenómeno, aspectos relacionados com a “emergência de uma especificidade da individualização feminina” (Thomson, 2009) e com o
facto do período da transição para a vida adulta “ser o mais genderizado de todo o desenvolvimento humano” (Kimmel, 2008) que
simplesmente não são apreendidos através de uma análises ziguezagueantes entre países e gerações, mas sim necessariamente
através de uma metodologia centrada no indivíduo. Com base em 52 entrevistas de carácter biográfico alicerçadas em calendários de
vida, foram analisados os “turning points”, “inerentemente narrativos” (Abbott, 2001), associados a trajectórias e rupturas amorosas
durante o período de transição para a vida adulta, e o seu impacto nos processos de saída de casa dos pais e de redireccionamento do
curso de vida. Foram encontrados efeitos de género vários no impacto que o processo e rupturas amorosas têm na emancipação
residencial dos jovens adultos. Algumas evidências apontam, portanto, para uma dicotomização da ”especificidade da individualização
feminina” dos processos de transição para a vida adulta em Portugal.
- NICO, Magda

Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.