PAP0113 - Análisis sociológico de riesgos e impactos de la burbuja inmobiliara en el turismo rural.
La burbuja inmobiliara en el turismo rural: análisis socioambiental de riesgos e impactos.
La estructura económica de España se ha demostrado especialmente desequilibrada con la irrupción en el escenario de la crisis financiera de finales de los 2000; un desequilibrio enraizado, fundamentalmente, en la importancia socioeconómica del sector de la construcción. Una parte importante de las promociones inmobiliarias se han construido en áreas litorales, bajo la demanda (parcialmente ficticia) de segunda residencia, generando una serie de riesgos socioambientales determinantes para las dinámicas locales. Este fenómeno turístico-residencial amenaza con extenderse a áreas de interior, donde el turismo rural se ha establecido (o comienza a establecerse) como nuevo sector de desarrollo. Un nuevo sector con una fuerte carga de valores ambientales y culturales en su base y que, por su definición, ofrece fundadas esperanzas para convertirse en motor de desarrollo sostenible en estas áreas de interior, secularmente subdesarrolladas. Este desarrollo sostenible puede ser amenazado por los principales (y conocidos) impactos del fenómeno turístico, y en particular del turismo-inmobiliario, que parece extenderse en estas áreas, enlazado a los nuevos valores propios de una sociedad en continuo cambio. En este paper presentamos el caso de la Sierra de Huelva, en el suroeste español, limítrofe con Portugal, donde el turismo rural está comenzando a desarrollarse como sector de interés para la población local. El objetivo principal de esta presentación es mostrar el citado caso ante el auditorio sociológico portugués, así como recoger referencias sobre procesos similares en suelo vecino.
- DOMINGUEZ, A.
- BURGOS, E.

- RELINQUE, F.
- RODRIGUEZ, I.
Emilio Burgos Serrano. Diplomado en Trabajo Social y Máestrado en
Estudios Migratorios, Desarrollo e Intervención Social por la
Universidad de Huelva, Doctorando en ciencias sociales aplicadas en
la universidad de Huelva. Análisis del turismo rural en la sierra de
Huelva y evaluación de los impactos sobre la población.
PAP1264 - Atracção da Classe Criativa e Recursos Primários no Turismo do Algarve
As ideias celebrizadas por Richard Florida mostram como o mundo contemporâneo é marcado pela ascensão da classe criativa. Esta classe apresenta-se como um elemento central na capacidade competitiva regional ao ser a fonte de novas ideias e inovações. São estes recursos humanos, com um nível elevado de competências criativas, que escolhem o lugar onde querem viver. Esta escolha depende de um conjunto de amenidades que os lugares oferecem ligados às oportunidades laborais, dinâmica social e interacção cultural.
A presente comunicação discute possibilidades da região do Algarve atrair e reter a classe criativa. Sabendo-se da importância do turismo nesta região e a necessidade de diversificação face ao produto “sol e praia” explora-se a interligação entre recursos turísticos primários, turismo criativo e classe criativa. Uma primeira componente empírica analisa a capacidade criativa do Algarve por comparação com as outras regiões portuguesas no seu comportamento nos três Ts: talento, tecnologia e tolerância. Este último T é o aspecto distintivo para o Algarve se afirmar em termos de criatividade no contexto português. Seguidamente, é efectuada uma identificação dos recursos turísticos primários por freguesia na região permitindo mapear, com recurso a técnicas estatísticas, áreas de potencial diversificação do produto. Os resultados da análise possibilitam identificar um conjunto relevante de indicações estratégicas sobre que produtos complementares estimular em cada freguesia e concelho e ainda um leque de reflexões para promover o desenvolvimento do Algarve com base em políticas de criatividade.
Palavras-Chave: Criatividade, Classe Criativa, Turismo Criativo, Recursos Turísticos.
- CRUZ, Ana Rita

Socióloga e PhDc na Universidade do Algarve (UAlg) e no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), DINÂMIA’CET-IUL, Ana Rita Cruz tem um mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Destinos Turísticos da UAlg e é actualmente docente convidada da Faculdade de Economia da UAlg. Como investigadora colaborou em diversos estudos e projectos na área da sociologia, em várias entidades: “A Intervenção do FSE na Promoção da Inclusão Social de Grupos Desfavorecidos” do IESE e Quaternaire, “Avaliação de Impactos da Estratégia Regional para as Áreas de Baixa Densidade do Algarve” CET-ICSTE, “Social Quality and Changing Relationships Between Work, Care and Welfare in Europe” (WORKCARE), CIES-ISCTE, entre outros. Como gestora de projectos no CRIA, Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg, a Ana Rita esteve envolvida em vários projectos de cooperação europeia no Programa Transnacional Espaço Atlântico, Programa MED, ENPI CBCMED, INTERREG IVC, INTERREG IVB SUDOE e 7º Programa Quadro.
Interesses de investigação:
Criatividade, Classe Criativa, Desenvolvimento Territorial, Redes.
Publicações Recentes:
Cruz, A. R. (2012) Tourism as a Magnet for Creativity: Insights for Creative Class Atraction in a Tourism-based Region, in Actas do 18º Congresso da ADPR, Faro, Junho de 2012, pp. 60-72.
Cruz, A. R. (2011) Políticas de Criatividade para o Desenvolvimento Regional: A Importância do Setor Cultural e Criativo em Portugal, in Chão Urbano Revista do Laboratório Redes Urbanas e Laboratório das Regiões Metropolitanas do IPPUR - Universidade Federal do Rio de Janeiro, N.º2, pp. 55-83.
Cooke, Phil; Ana Rita Cruz; Hugo Pinto; Julie Porter e Fangzhu Zhang (2011) Notes from the Iberian Algae Belt, Research Briefing, in European Planning Studies, Vol. 19, N.1, pp. 159-173.
Cruz, A. R. (2010) Turismo e Criatividade no Algarve: Uma Análise da Oferta Turística Regional como Elemento de Atracção da Classe Criativa, Dissertação de Mestrado em Gestão e desenvolvimento de Destinos Turísticos, Faro: Universidade do Algarve.
PAP1398 - FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PROMOÇÃO DO ECOTURISMO NO GEOPARQUE ARARIPE, CEARÁ, NORDESTE DO BRASIL
O principal objetivo desse artigo é analisar as formulações de políticas públicas para o ecoturismo no Geoparque Araripe, situado na região do Cariri, sul do estado do Ceará, Nordeste do Brasil. É enfatizada aqui a importância dessas políticas públicas como uma forma de conservar esse Território e proporcionar um turismo voltado para a sustentabilidade. A metodologia utilizada é baseada principalmente em estudos bibliográficos e análise de dados secundários. O estado do Ceará vem apresentando um crescimento considerável na área turística, e isso ocorre principalmente por as belezas naturais e culturais que o estado possui. Não é diferente no interior desse estado, principalmente pela existência do Geoparque Araripe, único geoparque das Américas, instituído em 2006 pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e integrando a Rede Global de Geoparks (Global Geoparks Network – GGN). As práticas do turismo ecológico são constantes nessa localidade. O Geoparque Araripe localiza-se na bacia sedimentar do Araripe, tendo seus geossítios abrangendo seis cidades do interior do Ceará, e fazendo limites com os estados de Pernambuco, Piauí e Paraíba. Devido ao aumento de turistas nessa região, surge a necessidade de se estabelecerem políticas públicas que proporcionem a prática de um ecoturismo que leve em consideração as dimensões da sustentabilidade (ambiental, social, econômica e institucional), a fim de conservar as áreas que sofrem influência da ação humana, e valorizando as populações locais. É possível praticar atividades turísticas sem prejudicar a natureza, principalmente quando tratamos de um Geoparque, que é um território reconhecido por sua grandiosidade natural e histórica. As principais conclusões revelam a necessidade de existirem políticas públicas menos generalizadas e que analisem as particularidades do ecoturismo no Geoparque Araripe, já que foram encontradas políticas públicas de âmbito nacional para Unidades de Conservação, como a Lei Federal 9.985 e recentemente houve a criação de uma comissão para aprovar a política nacional de desenvolvimento do ecoturismo.
- LOPES, Eva Regina do Nascimento
- CHACON, Suely Salgueiro

Suely Salgueiro Chacon
Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1990), Mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (1994) e Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2005). Atualmente é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC)/Campus do Cariri, onde atua como Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável (PRODER) e Vice-Diretora do Campus. É também Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, Avaliadora Institucional do MEC/INEP, Líder do Grupo de Pesquisas Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido - LEADERS, Bolsista de Produtividade do CNPq e Pesquisadora da Rede Clima (MCT-INPE-UnB-UFC).Tem experiência nas áreas de Economia, Socioeconomia, Meio Ambiente e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiárido, desenvolvimento regional, desenvolvimento sustentável, políticas públicas, organização social de pequenas comunidades, recursos hídricos, energia alternativa, gestão ambiental e economia.
PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil
O Brasil tornou-se um destino turístico
competitivo e consolidado. Isso se deve aos
segmentos turísticos ofertados, entre eles, o
rural. A partir do inventário das propriedades
rurais do município de São José dos Ausentes
(região dos “Campos de Cima da Serra”, Rio
Grande do Sul, Brasil), as quais desenvolvem
atividades turísticas no espaço rural, a
pesquisa analisou de que maneira os
proprietários rurais e a comunidade local
usufruem do ambiente para desenvolver as
atividades não agrícolas. A pesquisa foi
dividida em duas etapas: a primeira, de
caráter exploratório, constituiu-se no
levantamento do número das propriedades rurais
ali existentes; a segunda, na aplicação de
questionário (perguntas fechadas). A
investigação, de caráter censitário, foi
realizada entre os meses de outubro de 2010 e
janeiro de 2011. Os dados foram coletados
junto a nove propriedades rurais, que
vislumbram, na atividade turística, a
oportunidade de desenvolver atividades não
agrícolas como forma de ampliar as respectivas
receitas. A extensão territorial de São José
dos Ausentes é de 1.176,7 km², e a população
total é de 3.290 habitantes, sendo 1.228 na
zona rural. Seu bioma é caracterizado pela
Mata Atlântica e seu clima é subtropical. A
paisagem da região é marcada por coxilhas e
araucárias. No que se refere às
características dos proprietários dos
empreendimentos que praticam turismo no espaço
rural, 55,6% são homens, 33,3% possuem o
ensino médio completo, 88,9% são casados ou
estão em uma união estável, 88,9% possuem
filhos, e 77,7% residem na própria
propriedade. Atualmente, 33,3% das
propriedades encontram-se na terceira geração,
sendo que uma delas está há sete gerações na
mesma família. As propriedades possuem
extensões territoriais bastante variadas:
66,7% possuem menos de 101 hectares. Em 44,4%
há cachoeiras ou cascatas, como é o caso da
cachoeira formada pelo desnível dos rios
Divisa e Silveira, um atrativo natural que se
constitui que correm paralelamente e em
determinado ponto dos seus cursos, com uma
queda d’agua. Há também oito propriedades
(88,9%) que autorizam a pesca, diferentemente
da caça, que é proibida em todas elas. A
propriedade que mais tempo se dedica ao
turismo está há 15 anos no setor. Entendemos
que existe uma consciência ambiental por parte
dos proprietários rurais dessa região,
contribuindo para a preservação do bioma Mata
Atlântica, e, ao mesmo tempo, assegurando a
continuidade da atividade turística nesse
espaço rural.
- SPINDLER, Magda Micheline
- VALENTINI, Andiara de Souza
- SANTOS, Eurico de Oliveira
PAP0096 - O Perfil dos Visitantes e a Preservação Ambiental no Parque Estadual do Caracol no Município de Canela - Brasil
O Brasil tornou-se ao longo dos anos, um
destino turístico competitivo e consolidado
tanto no âmbito nacional quanto internacional.
Isso se deve aos segmentos turísticos
ofertados no país, entre eles, os segmentos
que exploram atividades com a natureza, onde
encontramos algumas áreas de preservação
ambiental, que visam resguardar as
características naturais de uma determinada
região ou município. O Estado do Rio Grande do
Sul tem algumas das principais áreas de
prioridade para a conservação da
biodiversidade do país. Entre elas, temos o
Parque Estadual do Caracol, local de estudo da
presente pesquisa que integra o turismo
natural do município de Canela sendo o
principal parque de visitação. Apresentando
como objetivo geral, descrever o perfil dos
visitantes que estiveram no Parque Estadual do
Caracol. Os objetivos específicos foram,
mencionar as ações relativas ao meio ambiente
que estão sendo aplicadas no parque; apontar
os pontos relevantes que dizem respeito à
infraestrutura do parque e indicar possíveis
melhorias a se realizar no parque.Para essa
pesquisa foi empregado o método descritivo
estatístico, sendo utilizado para a coleta de
dados, o questionário, de caráter
quantitativo, contendo perguntas abertas e
fechadas. Realizada no mês de abril de 2011, a
amostragem contemplou duzentos (200)
visitantes. O Parque Estadual do Caracol se
situa a 7 km do centro do município de Canela
no Estado do Rio Grade do Sul, Brasil,
inicialmente, suas terras eram uma fazenda
produtiva, porém, um lugar que já chamava a
atenção pelas belas paisagens naturais. Em
1954, o poder público e o governo do Rio
Grande do Sul decretaram a área, como de
utilidade pública. No ano de 1968 ocorreu sua
desapropriação legal, e foi transferida para a
Secretária de Turismo do Estado do Rio Grande
do Sul - SETUR e para a Prefeitura Municipal
de Canela. O processo culminou com a criação
do complexo turístico do Parque Estadual do
Caracol em 1973, contando com uma área total
de 100 hectares, apresentando como principal
atrativo a Cascata do Caracol, além de
trilhas, passeio de trem, observatório
ecológico e lojas de artesanato.A pesquisa
revelou que a grande maioria dos entrevistados
são brasileiros provenientes da região sul
totalizando 50,50%, apresentando como
influência para a visita indicação de alguém,
com o percentual de 34,77%, assim como,
estavam visitando o parque pela primeira vez,
um total de 57,50% dos entrevistados,
permanecendo nele de 1 a 3 horas, o percentual
de 77,50%, o turismo e a paisagem receberam
destaque enquanto motivos principais para a
visita, apresentando os resultados de 55,05%
e 18,91% respectivamente e por fim, 95,50% dos
entrevistados disseram que recomendariam e
92,50% disseram que voltariam ao parque.Os
resultados evidenciam que uma revitalização no
parque, visando melhorar aspectos como
infraestrutura e atrativos, faz-se necessária,
buscando atrair cada vez mais visitantes e a
própria comunidade local.
- SILVA, Paula Carina Mayer da
- SANTOS, Eurico de Oliveira
- BONATTO, Gilberto
PAP0309 - O duplo consumo do deus: a inserção da festa da Semana Santa no contexto do mercado turístico na cidade de São João del Rei, Minas Gerais
A Semana Santa se inscreve no ano litúrgico do catolicismo romano, que tem como marcadores os eventos da vida de Jesus Cristo, do seu nascimento à sua morte, culminando em sua ressurreição. Contudo, dizer que essa festa se institui a partir do mito cristão da morte e da ressurreição de Jesus, guarda uma questão seminal que funda a sua prática, ou seja, o próprio sacrifício do deus que padece para salvar a humanidade. O sacrifício de Cristo é, então, a base do culto e dos festejos da Semana Santa.
A abnegação de Cristo pela humanidade [diga-se cristã] faz com que esta se reúna periodicamente, em um tempo distinto daquele imposto pelo mundo do trabalho, para dissipar sua própria força em um gesto de penitência pelo dom do deus [através do jejum, das orações, das vigílias e das procissões].
Por se introduzir no princípio que Georges Bataille (1975) denomina de “economia geral” - porque consagrada ao gasto inútil - a festividade da Semana Santa, acaba por se defrontar com estruturas sociais que “orientam-se no sentido inverso ao da valorização do instante, da imersão do presente absolutizado, da destruição sistemática e do consumo de signos que se recusa a acumular” (Sanchis: 1992, p.30). Tais estruturas levam a cabo as concepções do pensamento econômico utilitário que se baseiam nas necessidades de produção, conservação e consumo racional, que visa o lucro e exclui a despesa improdutiva
A Semana Santa da cidade histórica de São João del Rei, em Minas Gerais, se introduz no interior dessa natureza festiva; porém, a iniciativa da cidade em integrar o chamado “mercado mundial de cidades”, faz com que essa festa religiosa seja exaltada como um traço autêntico dessa sociedade e, consequentemente, utilizada como moeda de troca para o consumo turístico. Nessa conjuntura, a festa da Semana Santa [vivenciada como dádiva entre a divindade e os fiéis] se defronta com estruturas de uma outra qualidade de economia inversa àquela da festa, posto que é pautada pela produção para o lucro e o consumo. É, então, na mútua incidência de ambas as lógicas avessas que surgem os paradoxos dessa ação de mercadorização da festa da Semana Santa como parte do contexto brevemente descrito.
Entretanto, o conflito engendrado não declara a morte da festa. Ao contrário, a festa religiosa sobrevive e não o faz de forma estática, mas transformando-se e reinventando-se porque se encontra em permanente conflito com as leis do mercado.
Essa comunicação pretende, então, pensar sobre os paradoxos existentes quando da convergência entre duas lógicas distintas [a do consumo pelo turismo e a da despesa improdutiva pela festa], quando a festa da Semana Santa é empregada como uma moeda para o consumo turístico na cidade de São João del Rei.
- BELONE, Ana Paula Lessa

Afiliação institucional: Universidade Federal de Minas Gerais
área de formação: Mestrado em Sociologia (ainda não concluído)
Interesses de investigação: Religião, Festa, Cidade e Cultura de Consumo.
PAP0191 - O turismo como via de engrandecimento para as cidades: Dilemas e estratégias de desenvolvimento de quatro cidades médias da Península Ibérica
Os discursos que vêm
sendo produzidos
sobre as cidades no
mundo ocidental
tenderam a perpetuar
a ideia de que as
cidades deveriam ser
coisas grandes,
independentemente de
serem
extraordinárias ou
terríveis na sua
grandeza. A
literatura produzida
pela sociologia
urbana concedeu
desde cedo primazia
a determinadas
geografias centrais
e privilegiadas do
ponto de vista
socioeconómico – a
grandes cidades
encaradas pelos
teóricos como os
casos mais
tipicamente urbanos
e, por isso, mais
representativos das
cidades de todo o
mundo. A assunção
desta possibilidade
de generalização a
outros contextos
implicou, por seu
turno, um
esquecimento
razoável das cidades
de pequena e média
dimensão. Nesta
comunicação
pretende-se,
justamente, discutir
um conjunto de
interrogações
teóricas sobre as
cidades que não são
grandes e as várias
formas como tais
conceptualizações
são diversamente
percetíveis nas
realidades físicas e
simbólicas destas
cidades.
Partindo de
investigação em
curso acerca do
papel do turismo na
(re)construção das
paisagens, das
imagens e da
identidade cultural
das cidades,
equaciono a pequenez
de tamanho por
comparação ao
engrandecimento que
algumas cidades
perseguem. Faço-o
por referência a uma
atividade específica
– o turismo – nas
suas componentes
económica, cultural
e simbólica, e com
recurso a situações
exemplares dos
contextos urbanos
português e espanhol
– onde, a uma escala
comparativa global,
existem sobretudo
pequenos aglomerados
urbanos.
Centrando a atenção
em cidades que estão
geralmente ausentes
da literatura
globalizada dos
estudos urbanos, e
considerando a
componente turística
de cada uma, discuto
os modos como
(re)inventam,
justificam ou
perseguem formas de
grandeza ou
pequenez. Defendendo
a hipótese de que o
turismo permite às
cidades alcançar uma
influência que
supera o seu tamanho
geográfico,
considero alguns
materiais de
promoção turística
que, descrevendo
cidades idealizadas
e apresentando-as de
forma atrativa, as
inscrevem em espaços
mais vastos,
enunciando formas de
engrandecimento e
valorização que as
colocam para além da
sua dimensão física
e material mais
imediata.
Procura-se assim
problematizar o
estatuto, as funções
e as possibilidades
que o fenómeno
turístico encerra em
cidades pequenas –
cidades que entre a
grandeza cosmopolita
das metrópoles e a
proximidade ao rural
mais localista,
enfrentam
constantemente
desafios e dilemas
entre a
possibilidade de
crescimento e a
conservação da sua
pequenez.
- GOMES, Carina Sousa

Carina Sousa Gomes
Investigadora do Centro de Estudos Sociais, integra o Núcleo de Estudos sobre Cidades, Culturas e Arquitetura. É licenciada em Sociologia, pela Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É doutoranda em Sociologia, no programa "Cidades e Culturas Urbanas", da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Os seus interesses atuais de investigação centram-se nas questões das cidades e seus centros históricos, turismo, imaginários turísticos urbanos, património e culturas urbanas.