PAP0595 - O Sistema Prisional do Rio de Janeiro, punitivo e controlador.
O objetivo geral do trabalho é abordar a forma como o Estado do Rio de Janeiro/Brasil, dentro do segmento do sistema prisional, tem enfrentado a criminalidade particularmente via seu aparato punitivo e penal.
Importante ressaltar a importância dos direitos humanos, pois comportam pressupostos necessários para que todos possam ter uma vida digna. (SANTOS, 2008) dentro desse contexto punitivo. As violações dos direitos humanos dos presos que se encontram no sistema prisional do Rio de Janeiro/Brasil é significantemente maior, pois estas instituições não se prestam para cumprimento de pena. Os presos ficam desassistidos em suas necessidades básicas, material, saúde, condições de higiene, educação, trabalho, assistência judiciária, banhos de sol e alimentação adequada.
Para Almeida (2004), quanto maior a violência produzida pela criminalidade, maior a legitimidade dada ao Estado pela sociedade para produzir uma violência ainda maior, estabelecendo um ciclo de horror e desumanidade que é potencializado a cada dia, mais rigor, menos impunidade; penas mais severas; pena de morte. Este é o permanente clamor da sociedade, esta sentencia a exclusão, o banimento, o holocausto – e o Estado executa.
Mingandi apud Feffermann, afirma que o “crime organizado” não prospera sem a cooperação ou conivência promiscua de representantes do Estado oficial. Segundo Torres, a questão carcerária brasileira e os inúmeros problemas que temos no sistema prisional vêm sendo discutidos por meio da comunicação, de autoridade e de organizações da sociedade civil. A população em geral questiona um sistema que se mantém em constantes conflitos sob o julgo das violações dos direitos humanos dos presos.
Tem-se, portanto, um sistema penitenciário centrado na pena de privação de liberdade, uma das mais cruéis vitimizações praticadas com aval institucional, porém, voltado, quase que exclusivamente, para os sujeitos que praticam delitos e que tem uma inserção de classe pobre.
Diante do caos que o sistema prisional brasileiro vive, a reincidência tem marcado a sociedade nos últimos tempos, decorrente de uma Política Neoliberal, da falta de recursos financeiros, materiais e humanos e de interesse por parte dos Estados em proporcionar e desenvolver uma política voltada para a efetivação dos direitos humanos nos espaços prisionais.
Segundo Torres (2001), “a realidade carcerária brasileira é retrato fiel da questão social numa sociedade desigual e de excluídos sociais”. Pois, a exclusão econômica
- COSTA, Newvone Ferreira

Possui graduação em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro (1983), graduação em Estudos Sociais pela Faculdade Regina Coeli (1981).Especialização em Supervisão em Serviço Social pela Univesidade Veiga de Almeida (1987).Especialização em Direitos Humanos, Mestrado em Psicopedagogia pela Universidade La Habana- Cuba (1999). Ex- Coordenadora Adjunta do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta . Professora Adjunta do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta .Criou a disciplina Violência e Criminalização com carater interdisciplinar que faz parte da grade curricular do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta.Coordenadora do curso de Pós Graduação Justiça e Direitos Humanos no Centro Univerisitário Augusto Motta . Tem experiência na área de pesquisa em criminologia, violência e sistema prisional .Membro titular do Conselho da Comunidade do município do Rio de Janeiro. Foi Conselheira nas gestões de 2005 -2008 e 2008 -2011 no Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro.Atualmente é Assistente Social do presidio Ary Franco no Rio de Janeiro.Membro titular do Cômite de combate a tortura da ALERJ .Coordenadora da linha de pesquisa violência e sistema penitenciário do Centro Universitário Augusto Motta. Tem experiência na área de Serviço Social, com ênfase no campo sóciojurídico, atuando principalmente nos seguintes temas: supervisão em serviço social, prisão, adolescente com medidas sócioeducativas, familia , ato infracional , execução penal , violência e criminologia
PAP0485 - A comunicação e a reconfiguração do mundo
Mais de trinta anos após a divulgação das recomendações de que a comunicação fosse um instrumento para a instauração da paz, da democracia e do desenvolvimento para todos os povos, não devendo ser utilizada de forma vertical, a comunidade internacional ainda mantém esse debate em aberto. O intuito de ampliar de forma irrestrita e imediata a concepção do direito à informação para direito à comunicação - ambos integrantes dos direitos humanos - e assim dar voz às pessoas em todo o mundo por meio da Comunicação, ainda está por se fazer.
A busca do acesso às tecnologias da informação e do acesso à comunicação irrestrita para alavancar o desenvolvimento humano e a construção permanente de cidadania, traz em si a complexidade do inacabado. Por isso é sempre é necessária a afirmação e a reafirmação e o apoio internacional a esse direito frente às sociedades autoritárias. As rebeliões no mundo iniciadas no norte da África, nessa segunda década do século XXI, desnudaram aos olhos do mundo, em tempo real, o conflito latente por anos de subjugo, pela falta de liberdade, pelo desrespeito aos direitos humanos, pela inexistência de garantias individuais e sociais, pelo cerceamento do direito à informação, à comunicação e à liberdade de imprensa. Tais como se apresentam nas sociedades pós-conflito. E contra o que se pronunciou o lendário Relatório MacBride.
Mas, apesar de tudo, como um rastilho de pólvora o levante se espalhou pela região, levando o povo às ruas em diversos países, sucessivamente, mostrando imagens que valeram mais do que mil palavras. O mundo viu representantes ditatoriais, há décadas no poder, ruírem um a um em efeito dominó ameaçados e vencidos pelo povo, pela Comunicação e pelas Mídias Sociais. Apesar do cerceamento do trabalho da imprensa internacional, ditadores quase vitalícios despencaram sob a ameaça da comunicação. Mostrando que, talvez, a preconizada Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação tenha se instalado naquela parte do mundo. E iniciado um processo para que, finalmente, a Comunicação assuma a complexidade e o poder de iniciar mudanças sócio-políticas e de vencer conflitos. Ou assuma o significado descrito por MacBride de que o princípio da liberdade de expressão, aplicável a todos os povos do mundo, não admite exceção por ser inerente a dignidade humana . Por ser um direito humano fundamental.
Texto relacionado:
Art II da Declaração sobre os princípios fundamentais em relação à contribuição dos meios de comunicação de massas para o fortalecimento da paz e da compreensão internacional, para a promoção dos direitos humanos e para a luta contra o racismo e o apartheid e a incitação à guerra. Unesco (1978) declara: “ o exercício da liberdade de opinião, da liberdade de expressão e da liberdade de informação, reconhecido como parte integrante dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, constitui um fator essencial do fortalecimento da paz e da compreensão internacional”
- PUGNALONI, Clara Maria

Clara Maria Pugnaloni
Universidade de Sao Paulo, investigadora de pos-doutorado
Jornalista,Doutora em Ciencias Sociais
Areas de interesse: Comunicacao para o Desenvolvimento, Ajuda humanitaria, Midias Sociais.
PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas
GT Comunicação Social
Esta comunicação identifica a oferta científica
especializada na Economia Política da
Comunicação, nomeadamente sobre a propriedade e
as estratégias de gestão das empresas
jornalísticas portuguesas. Ter-se-á como
objecto de estudo a estrutura curricular dos
cursos de licenciatura do ensino superior
português, mas também os de formação
profissional e a produção científica publicada
em publicações de Universidades e organizações
profissionais ligadas ao jornalismo. Dar-se-á
destaque aos conteúdos dirigidos à formação de
futuros ou actuais jovens jornalistas.
Num contexto de crise e reconfiguração das
estratégias dos media, parte-se da definição da
Economia Política da Comunicação feita por
Nicholas Garnham como o âmbito de estudo das
formas institucionais e do poder social das
empresas capitalistas, entre elas as
jornalísticas, a comunicação procura analisar
as condições de formação dos jovens jornalistas
na área.
De seguida, procurar-se-á interpretar o
potencial de mobilização de competências dos
jovens jornalistas sobre a gestão da produção e
da distribuição do jornalismo nas actuais
condições de mercado. O objectivo é concluir
acerca do possível horizonte de representação
do seu lugar enquanto jovens jornalistas e das
suas carreiras neste campo profissional e
empresarial.
- FERREIRA, Vanda

FERREIRA, Vanda
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, pós-graduada em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e em Análise de Dados em Ciências Sociais
ISCTE/CIES – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
ferrvanda@gmail.com
PAP1377 - Blogs e direitos humanos à comunicação para comunidades de contexto popular: um estudo de caso sobre a comunicação comunitária através da web 2.0
O artigo analisa a participação de duas
comunidades de contextos populares em blogs
hospedados na web 2.0, para saber se esses
novos meios possuem potencial de influenciar o
desenvolvimento local e de promover direitos
humanos à comunicação. Entende-se, nessa
pesquisa, as comunidades de contextos
populares como agrupamentos de habitantes em
uma área comum, que compartilham uma situação
de vulnerabilidade econômica e social e,
nesses ambientes, a comunicação comunitária se
torna um bem de grande valor para a melhoria
da situação dessa população. Acredita-se que
quando pessoas desfavorecidas socialmente
acessam um novo direito humano elas se
desenvolvem e, a cada novo direito
conquistado, as diferenças sociais são
reduzidas também. Observa-se, no contexto da
cibercultura, uma crescente produtividade e
consumo simbólico de conteúdos digitais
distribuídos e consumidos, principalmente, a
partir de sites com formato de blog, que
possibilitam a postagem de comentários dos
leitores. O que caracteriza a web 2.0,
basicamente, são as possibilidades
interativas, por isso os blogs se tornam
componentes fundamentais desse ambiente de
redes digitais. O grande volume de conteúdos
disponíveis na internet vem possibilitando aos
indivíduos um maior desenvolvimento
intelectual, questão abordada também por
Pierre Levy (2004). Além disso indivíduos, que
antes da web apenas conheciam a comunicação de
fluxo unidirecional, estão obtendo através
dela, espaço para promoção de suas ideias e,
para os mais empreendedores, a possibilidade
de ganhos financeiros, questões que podem
influenciar processos de desenvolvimento local
sustentável. Assim, para realizar essa análise
foram selecionados, como amostra, os conteúdos
dos blogs de representantes das comunidades,
localizadas na Região Nordeste do Brasil: Ilha
de Deus e Caranguejo Tabaiares. O artigo busca
embasamento teórico para entender os sentidos
de comunidade local e consumo simbólico, em
Zygmunt Bauman (2008, 1999); para debater a
novas mídias digitais, observa os textos de
Carlos A. Scolari (2008) e Charo Lacalle
(2010); para falar de desenvolvimento local
sustentável, estuda Sérgio C. Buarque (2008) e
José Eli da Veiga (2005); e sobre direitos
humanos à comunicação, Mione Sales e Jefferson
Ruiz (2009) e Fábio Konder Comparato (1997).
Dois questionamentos emergem em uma avaliação
preliminar: um relacionado ao compromisso dos
administradores do blog com a regularidade do
conteúdo e outro ligado ao engajamento da
população do loca
- FREIRE, Adriana do Amaral

Adriana do Amaral Freire é Comunicadora Social com Habilitação em Relações Públicas pela Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, especialista em Administração com Ênfase em Marketing e Mestra em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Brasil. Professora universitária do Instituto Superior de Economia e Administração, onde ministra disciplinas de Introdução a Tecnologia da Informação, Comércio Eletrônico, Tecnologias da Informação para Educação, Ética e Cidadania, Metodologia da Pesquisa, dentre outras; Professora da Faculdade Joaquim Nabuco, responsável pela disciplina de Radiojornalismo. Participou dos Projetos de Pesquisa: Pescando Pescadores - UFRPE; e Rádio Comunitária, Gênero e Desenvolvimento Local, a recepção do Programa Rádio Mulher pelas mulheres da Comunidade do Pirapama - PE, também pela UFRPE. Possui trabalhos publicados na Revista Comunicação e Sociedade, Revista Polêm!ca e Biblioteca Online de Ciências da Comunicação - BOCC, nas áreas de comunicação comunitária, rádio, estudos de gênero, desenvolvimento local e sustentável e novas mídias sociais.
PAP1485 - Cenários de participação política de crianças e jovens em contextos local: análise de uma experiência
As discussões atuais
no âmbito da
cidadania, apelam a
novos modos de a
analisar, propondo
um afastamento de
visões formalistas e
restritas
direitos/deveres,
para uma visão que
permita a inclusão
de grupos sociais e
etários dela
afastados. Nestas, a
ideia de inclusão e
exclusão, de esferas
públicas e privadas,
e de exercícios
diversos e distintos
de cidadania, são
centrais para a
compreensão das
cidadanias
complexas. Nestes
contextos, as
crianças e jovens
como grupos
especialmente
votados a exclusões
sistemáticas de
exercícios de
cidadania -
particularmente
visíveis em esferas
públicas da vida
social - suscitam
interesses
investigativos
particulares,
enquanto ausentes de
um estatuto pleno. É
ainda nesta medida,
que a sociologia da
infância em
particular, tem
vindo a discutir as
suas possibilidades,
tensões e
fragilidades.
Regulada por modos
de controle
fortemente distantes
dos seus contextos
diários, as crianças
dificilmente acedem
a oportunidades
concretas de
participação
política, de
auscultação sobre
assuntos da sua
importância, de
criarem influência e
de participarem em
tomadas de decisão,
sejam de ordem
individual ou
coletiva. Nessa
medida, a ideia de
cidadania enquanto
pressuposto de fazer
parte de, de
influenciar decisoes
e por ela ser
influenciado, é
distante da idiea de
Infância. As
relações de poder
entre adultos e
crianças, as
assunções acerca das
suas incompetências
para o fazerem
parecem justificar
esse afastamento.
Nesse sentido, a
investigação
conduzida pretendeu
analisar as
perspetivas de
crianças e de
adultos, acerca das
suas competências de
participação em
processos de co
decisão política, a
partir da análise de
instrumentos de
participação a eles
destinados,
desenhados em
contexto de poder
local. A discussão
dos resultados,
assumirá a ideia de
reconhecimento
enquanto coletivo e
em esfera pública
como crucial para a
ideia da criança
cidadã. A partir de
metodologias de
caráter qualitativo,
da observação de
Assembleias
Municipais Jovens,
da realização de
entrevistas com
crianças e jovens, e
adultos responsáveis
por estes
mecanismos,
apontar-se-ão ideias
centrais, como a de
competências de
decisão,
priorização,
influência, de
crianças e jovens,
movendo-se em
cenários que ao
contrário do
advogado por alguns
autores, apontam uma
lógica de
reciprocidade e
interdependência
entre crianças e
jovens que vale a
pena explorar.
- TREVISAN, Gabriela de Pina

Gabriela de Pina trevisan. nascida a 13 de outubro de 1975. Mestre em Sociolgia da Infância pela Univ. do Minho, doutoranda em Estudos da Crianças, UM/IE. Tem como interesses fundamentais de investigação a area da Infãnica, em particular a constituição da Infância e a cidadania infantil, tema que trabalha na tese.
Professora adjunta na Escola Superior de Educação de Paula Frassninetti e coordenadora adjunta do Departamento de Educação Social, onde leciona diferentes unidades curriculares e participa em projetos de investigação e intervenção comunitária.
PAP0292 - Comunicação organizacional e identidade coletiva – a comunicação como uma meta-ideia
O artigo que nos propomos apresentar pretende dar conta das principais conclusões da investigação que produzimos no âmbito de um Doutoramento em ciências sociais que teve como objeto de estudo os processos de comunicação e a sua influência na redefinição da identidade de um agrupamento de escolas em contexto de mudança.
Nele pretendemos discutir o reforço e a diversificação do investimento na comunicação por parte das instituições educativas como uma das consequências da nova gestão pública (Santiago, Carvalho e Magalhães, 2005). O nosso argumento é o de que prosseguindo os ideais de ‘qualidade’ e ‘eficácia’, as escolas têm procurado reforçar o diálogo com os seus diferentes ‘públicos’, apostando na comunicação organizacional como parte integrante de uma estratégia empreendedora, que lhes tem vindo a conferir uma nova identidade colectiva, unificada em torno de valores neo-liberais.
Revelando a influência de pressões híbridas, os complexos sistemas de comunicação então criados, transformaram-se num contexto mediador da mudança que decorre das novas concepções de escola e dos novos mandatos para a educação, assumindo-se como o locus de produção de novas identidades. O que sustentamos é que tal acontece porque a comunicação constitui o ponto de convergência entre as diferentes políticas educativas e as práticas localmente adoptadas na sequência de um processo de interpretação criativa das diferentes pressões. É este o sentido com que afirmamos que a comunicação se constitui numa meta-ideia ao serviço da ‘qualidade’, ainda que, como argumenta Stensaker (2004) esta possa ser perspectivada a partir do ideal burocrático da organização (como sinónimo de eficiência administrativa), do ideal profissional (centrada no processo de ensino-aprendizagem) ou do ideal empreendedor (valorizando a capacidade de resposta às solicitações do mercado).
Os dados empíricos que sustentaram este estudo resultam da observação do quotidiano de um agrupamento de escolas do ensino básico e dos testemunhos recolhidos, ao longo de três anos, nesta comunidade educativa.
Quanto aos resultados, apontam para a centralidade dos processos de comunicação na transformação induzida pela nova gestão pública e para o desenvolvimento de uma matriz discursiva bilinguista (Clarke e Newman, 1997), que procura harmonizar os imperativos de ‘mercado’ com o discurso pedagógico e com modelos burocrático-profissionais de organização.
Clarke, J. and Newman J. (1997). The Managerial State. London: Sage Publications.
Santiago, R. A.; Magalhães. A. e Carvalho. T. (2005). O surgimento do managerialismo no sistema de ensino superior português. Coimbra: CIPES.
Stensaker. B. (2004). The transformation of organizational identities: Interpretations of policies concerning the quality of teaching and learning in Norwegian higher education. Twente: CHEPS/UT.
- FARIA, Susana

Susana Faria, Professora Adjunta na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, integra o Centro de Investigação Identidades e Diversidades (CIID) do Instituto Politécnico de Leiria.
Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro, atua na área de Sociologia, em que é licenciada, e das Ciências da Educação, onde obteve o grau de Mestre. Nos últimos anos, tem vindo a privilegiar como áreas de investigação: a comunicação organizacional, a cultura e identidade(s) coletiva(s) e os processos de transformação identitária.
PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
Propomo-nos apresentar resultados provenientes de uma pesquisa sociológica sobre os usos e efeitos, escolares e sociais, do computador Magalhães num agrupamento de escolas de Leiria. Centrar-nos-emos aqui nos seus usos por parte das crianças, em diversos contextos (casa, escola e outros espaços de sociabilidade), a partir do cruzamento do olhar de distintos atores sociais: as próprias crianças, pais e professores.
Um dos desafios que se coloca na sociedade da informação refere-se às desigualdades e relações de poder que lhe estão subjacentes, fenómeno que tem assumido designações diferentes, como infoexclusão, divisão digital ou fosso digital. Genericamente, o que parece estar em causa é a clivagem entre dois grupos opostos: os que têm e os que não têm acesso às tecnologias de informação. Múltiplas investigações realizadas nos últimos anos têm vindo a mostrar os contornos destas clivagens noutros países (Cruz, 2008) e em Portugal (Cardoso et al., 2005), apontando estudos relativamente recentes para uma realidade crescentemente complexa e multifacetada. Assim, por um lado, Almeida et al. (2008) sugerem uma rápida disseminação no uso de computadores e da internet, com algum esbatimento das desigualdades sociais entre as crianças e jovens em idade escolar; por outro, Rodrigues e Mata (2003) notam que a utilização das TIC apresenta uma correlação mais forte com o nível de escolaridade do que com a idade, parecendo esbater, pois, o efeito geracional; paralelamente, dados recentes mostram que em Portugal o número de crianças que usa computadores tende a aumentar, mas diminui a vantagem que este grupo tinha sobre os adultos quanto ao uso da internet, estando, agora, quase a par (EU Kids on-line, 2011).
A presente pesquisa visa encontrar respostas para um variado leque de questões, nomeadamente: quem usa o computador Magalhães? Quais os seus usos? Em que contextos? Quais os modos de regulação sobre os usos? Por parte de quem? Que efeitos, escolares e sociais, dos seus usos nos vários atores sociais e nas suas interações? Em particular, na sala de aula e na relação escola-família?
Perante o problema e este conjunto de questões, a pesquisa assumiu uma natureza longitudinal (2009-2011), pelo que se optou por um design metodológico misto, com uma natureza extensiva (questionários a crianças, professores e famílias) e intensiva (etnografia de uma turma). O tratamento da informação incluiu procedimentos estatísticos com recurso ao SPSS e análise de conteúdo.
Os dados apontam para a) uma adesão maciça ao computador Magalhães, mais notória nas famílias de meios desfavorecidos; e b) um uso regular deste portátil pelas crianças, em particular no espaço doméstico. Ele sobressai ainda como c) um computador pessoal para a criança; d) parcialmente, um computador familiar; e, e) um instrumento que permite respeitar os ritmos de aprendizagem, o que se revela particularmente significativo no contexto de sala de aula.
- SILVA, Pedro
- COELHO, Conceição
- FERNANDES, Conceição
- VIANA, Joana
PAP0228 - Cultura e comunicação na contemporaneidade
Nesta comunicação pretende-se apresentar algumas ideias e sugestões sobre diversas modalidades de relações que empreendem e envolvem todos os elementos necessários para uma clara abordagem sobre a noção de cultura e de comunicação na sociedade contemporânea. Pode dizer-se que a cultura é uma modalidade totalizante da experiência humana e caracteriza-se-á, antes de mais, pela assimilação das diferentes dimensões ontológicas da realidade. No entanto, para as modalidades tradicionais da experiência humana, aquilo que é verdadeiro é simultaneamente belo e bom. Pode dizer-se também que a comunicação, não exclui a cultura, mas produz o contexto específico da cultura. Portanto, o que significa a cultura e a comunicação para nós? Segundo Tony Schirato & Susan Yell: ―Communication can be understood as the practice of producing meanings and the ways in which system of meaning are negotiated by participants in a culture. Culture can be understood as the totality of communication practices and system of meaning” (Schirato & Yell 2000). No entanto, a cultura e a comunicação são, sem dúvida, um instrumento ou uma condição humana que engloba o labor, a diversão e todos os demais aspectos da vida, pois o homem na sua plenitude serve-se dela para enfrentar o universo e exprimir as suas competências dentro dos grupos sociais a que pertence. Mas, será possíveis os dois conceitos – cultura e comunicação – podem ajudar-nos afastar o conflito que se encontra todos os dias? será a violência humana e guerra é também uma prática cultural? Será o conflito como a guerra é também influenciada pelo poder da comunicação e influenciada pela cultura do outro? Qual é o papel do Estado para preservar a identidade cultural de seu povo - no caso concreto do povo timorense - no mundo de tecnologia de informação e de comunicação? Estas questões vão ser abordadas também neste trabalho.
- PAULINO, Vicente

Pequena bio-nota
Vicente Paulino é licenciado e mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É doutorando em Comunicação e Cultura no Departamento Anglístico – FLUL. Foi fundador e redactor do Bulletin kuda Ulun Lian, em Maliana – Timor-Leste e Vogal do Conselho Fiscal da APARATI em Lisboa. Actualmente é investigador do Projecto: As ciências da classificação antropológica em “Timor Português” – Projecto HC/0089/2009, financiado pela FCT (2010-2014) e membro do Conselho de Política Científica da AICSHLP e Sócio da SOPCOM. Tem publicado artigos em capítulos de livros e actas, como “A imprensa católica Seara e a tradição timorense: 1949-1973”, in: Silva, Kelly & Sousa, Lúcio (org), Ita Maun Alin - o livro do irmão mais novo, 2011, Lisboa: Edições Colibri; “Crónica literária e relato jornalístico no jornal Seara, 1950-1970”, in Actas do Colóquio Timor: Missões Científicas e Antropologia Colonial, 2001, Lisboa: IICT; “Cultura e Múltiplas identidades linguísticas em Timor-Leste”, in Sousa, Ivo Carneiro de & Correia, Ana Maria (org), Lusofonia encruzilhadas culturais, Macau: Saint Joseph Academic Press; “Remembering the Portuguese Presence in Timor and Its Contribution to the Making of Timor’s National and Cultural Identity”. In Laura Pang (ed.), Portuguese and Luso-Asian Legacies, 1511-2011: Complexities of Engagement, Culture, and Identity in Southeast Asia. Vol. 2: The Tenacities and Plasticities of Culture and Identity, 2011, Singapura: Institute of Southeast Asian Studies. Tem apresentado as comunicações em colóquios, congressos e conferências nacionais e internacionais.
PAP0394 - Educational Mobility in Intercultural Perspective. The Polish-Portuguese Case
The opening of state borders and job markets encourages mobility processes and intensifies intercultural contacts. These interactions are especially visible in the case of international programs, such as the Erasmus scholarship. The special value of these exchanges lies in the opportunity given to the attendants in their adolescence period: to associate with a different culture and society in a longer perspective, to get to know “the difference” and to develop their own cultural potential. The student exchange creates better educational conditions, gives the opportunity to raise the social status of scholarship holders and makes them gain new competences in a multicultural environment (e.g. language, education). To put it in Bourdieuan terms, they obtain a new habitus. Moreover, most of them become part of an international network of contacts and accumulate social capital – this fact influences later on their life attitudes and choices. The life learning process in an international environment is regarded nowadays as highly valuable. The competences acquired during this process smooth the path to the understanding of “the others”, and enable the work in the framework of different organizational cultures (G. Hofstede). However, the advantages of scholarship programs are not exploited enough in Polish-Portuguese relations. This causes losses both in the economical and socio-cultural dimensions, as mutual opportunities remain neglected. The aim of the paper will be to present the results of a research conducted among Polish youth of former holders of Erasmus scholarship in Portugal. The results will provide a sketch of the framing of Portuguese culture by Polish students, and also information about the influence of the Erasmus experience on their attitude life choices. We will try to answer the question whether these “Portuguese elements” are present in the career and private life of Polish students. It is a vital issue if experiences gained during external scholarships help to improve the competences to work in an international environment and facilitate intercultural contacts.
- BUKALSKA, Izabela

Izabela Bukalska is a PhD candidate in The Institute of Philosophy and Sociology of Polish Academy of Science and member of Sociology of Culture Department in Institute of Sociology in Cardinal Stefan Wyszyński University in Warsaw. She held scholarships in University in Porto and Eotvos Lorand University in Budapest. Research interests: intercultural communication, national minorities, changes in national identity as an effect of intercultural contacts, etc
PAP0488 - Em busca do anel de grau: universitários de direito bolsistas do PROUNI (BRASIL)
De 2000 a 2010 conquistaram o diploma de
Bacharel em Direito 776.995 estudantes no país
e 14.020 em Mato Grosso (Amazônia Legal
Brasileira), caracterizando-se como o terceiro
curso de graduação mais procurado pelos
estudantes brasileiros. Nesse universo
encontra-se uma enorme diversidade cultural
presente na expansão desse nível de ensino. O
objetivo foi analisar os habitus herdados e
adquiridos a partir das trajetórias de
universitários e suas motivações para escolher
uma profissão jurídica sob a luz da teoria
bourdieusiana. Focou-se nos universitários do
curso de direito matriculados na Universidade
de Cuiabá (UNIC) por dois motivos: o primeiro
por serem desprovidos de recursos financeiros
e o segundo por terem sido contemplados com
bolsas do Programa Universidade para Todos
(PROUNI). O estudo teve como ponto de partida
as seguintes indagações: quais são os habitus
herdados da família e os novos habitus
solicitados e adquiridos silenciosamente no
campo universitário jurídico? Novos capitais
são agregados? ou Há subtração dos antigos
capitais? Se sim, em que medida ocorrem? A
pesquisa empírica foi desenvolvida mediante a
realização de entrevistas semiestruturadas e
faz parte de uma pesquisa maior (tese de
doutorado) denominada o processo de expansão
do ensino jurídico. Como resultado preliminar
constatou-se que as relações que os iniciados
(universitários de direito) passaram a ter no
campo oculto (ensino jurídico), através das
práticas jurídicas voluntárias, contribui no
aumento do capital social e cultural tendo
como efeito secundário o estabelecimento de
uma melhor relação com a sua família e com a
sua própria comunidade.
- GIANEZINI, Quelen
PAP1077 - Entre o “défice” e o “diálogo”: uma proposta de análise para diversas modalidades de promoção de cultura científica
Fruto dos processos de mudança em curso no domínio das ciências e da sua relação com outras esferas sociais, nos últimos anos tem vindo a registar-se uma crescente atenção à questão da promoção da cultura científica das populações. Tal é patente tanto no plano da reflexão teórico-analítica sobre os processos de educação científica e de comunicação pública da ciência, como no que toca ao desenvolvimento de acções específicas neste domínio (de que são exemplo múltiplos projectos de ensino experimental das ciências, exposições científicas, dias de “portas abertas” em laboratórios, colóquios dirigidos a audiências alargadas, cafés de ciência, entre outros).
Qualquer que seja o plano considerado, a noção de cultura científica tende a ser alvo de entendimentos bastante diversificados, como diversas são também as modalidades adoptadas no que respeita à sua promoção junto de públicos não especializados. Na bibliografia de referência é frequente encontrar-se alusão à oposição entre duas abordagens fundamentais: por um lado, o chamado “modelo do défice”, que grosso modo pressupõe a transmissão didáctica e discursiva de conhecimentos científicos, numa perspectiva internalista das ciências, em actividades dirigidas a públicos considerados como homogéneos e despojados de saberes relevantes; e, por outro, o que se pode designar como o “modelo do diálogo”, que apela a uma transformação de tais actividades (e da própria forma de entender a relação dos cidadãos com a ciência).
Tendo por base uma análise teórica aprofundada destes modelos e dos debates em torno de noções como literacia científica, compreensão pública da ciência ou diálogo entre ciência e sociedade, bem como a observação de várias acções concretas neste domínio, o que agora se apresenta é uma tipologia para análise deste tipo de actividades, particularmente atenta à diversidade dos seus enquadramentos e modos de concretização. Considera-se que esta pode constituir não só um instrumento relevante para a análise de intervenções públicas nesta área, como também suscitar o debate em torno da multiplicidade e eventual complementaridade das opções que podem estar aqui em causa (e que tendem a ficar algo obscurecidas quando se enuncia cada um daqueles dois modelos de forma agregada). De modo a ilustrar a operacionalização daquela tipologia são tomadas em consideração algumas das actividades desenvolvidas em Portugal no âmbito do programa Ciência Viva, nas suas várias vertentes.
- CONCEIÇÃO, Cristina Palma

Cristina Palma Conceição, investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, onde também leciona. É doutorada em Sociologia, interessando-se em particular por questões no domínio da sociologia da ciência e comunicação pública da ciência.
PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism
Advertising has long been taboo in public education, but budget reductions and shortfalls have annulated schools as “commercial free zones” (Molnar, 2007:7). This study was built on an analysis about the state, market and society working together and demarcates one another to enhance a win-win relationship, a legitimacy/visibility one.
One strand of my research uses the school as the unit of analysis (Feuerstein, 2001), trying to understand how in-school marketing activities are taking place according to the headteachers perceptions in the last 5 years in Portuguese public schools (10-15 year olds). The majority of studies have focused more on a passive type of marketing, that which children see, hear and read (Alves, 2002), rather than forms of interactive marketing (Moran, 2006). Therefore, this study developed a national survey to show that interactive in-school marketing includes activities to be carried out revolving a given company.
Other strand looks deep in the position of directly or indirectly involved state, market and civil society players (26 semi-structured interviews were made to WFA's National Advertiser Association Member, Ministry of Education, teachers, parent/guardian representative, marketers and advertising agencies, consumer rights-related institutions, town councils, Federations) to illustrate the inherent paradoxes: How can a profit orientated commercial activity be distinguished by a social responsibility one? What are the general views of in-school marketing? Is it morally controversial? Which ethical and law safeguards are needed in a world of brands and globalised products? In fact, the verbal analysis shows different ideological viewpoints about the win-win effect of socially responsible in-school marketing vs commercialism itself.
Another purpose was also testing a “Working with Schools-Best Practice Principles Checklists" as a business decision-making tool for schools and partners to ensure that both schools and their commercial and non-commercial partners can build an ethical and responsible relationship.
We are able to say that headteachers have autonomy, although some in-school marketing activities remain an ideological or controversial issue. Also, the inclusion of any advertising messages necessarily implies the acquisition of consumer competencies by children and teachers, a way to decode commercial messages in today’s consumer society, and that acquisition of media literacy competencies can prevent the ‘manipulated child’. Finally, there were several messages from schools headteachers indicating that they wouldn´t participate in the survey because they are deontological and morally against it.
Key Words: in-school marketing, school commercialism, child consumer, captive audience.
- FARINHA, Isabel

Nome: Isabel Farinha
Afiliação Institucional: Professora Assistente IADE;Investigadora
IDIMCOM/UNIDCOM
Área de Formação: Licenciada em Sociologia, e mestre em Comunicação,
Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE-IUL, onde se encontra
também a concluir o doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura
e Educação.
Interesses de Investigação: Marketing e Comunicação Escolar
PAP0539 - Jornalistas e Consultores de Comunicação Estratégica - Reconfiguração, precisa-se
GT Comunicação Social
A democraticidade do ato de comunicar/informar, através de um progressivo número de suportes, redes e plataformas, para públicos cada vez mais diversificados e em contextos de grande transformação social, exige o surgimento do Novo Comunicador/Jornalista.
Enquadre-se este na atividade jornalística formal, ou na consultoria de comunicação estratégica, junto das fontes.
As novas tecnologias de informação, as redes sociais, os novos canais posicionaram o jornalista-cidadão lado a lado com o cidadão-jornalista.
A visão utópica da isenção jornalística recolocou a autocensura no seio dos profissionais, enquanto a opinião pública ignora a existência condicionante do gatekeeping, nas plataformas mais modernas, “em favor dos mais fortes”.
A profunda alteração necessária ao exercício dos novos comunicadores passa também pela Escola, sob pena de os jovens profissionais, recém-formados, qualquer que seja a dimensão em que se situem, não percecionarem, em tempo útil, que os mercados mudaram.
Os meios de comunicação social tradicionais estão em plano descendente e existe uma nova realidade a que têm de se adaptar.
Na reorganização da atividade comunicacional, dos novos meios e dos seus agentes/atores, há um novo papel para o Gestor/Consultor de Comunicação Estratégica e para o Jornalista, ainda não interiorizado.
Em tempo de mudança, reconfiguração, precisa-se.
- ESTEVES, Álvaro

Álvaro Batista Esteves
Doutorando/Ciências da Comunicação/ISCTE-IUL.
Antigo jornalista profissional (1974-88); chefe dos Serviços de Comunicação Social (1988-89); sócio e director geral da agência Média Alta - Comunicação (1989-2012).
Antigo vogal do Conselho Fiscalização da EPNC-Emp. Pública Jornais Notícias e Capital (1979-88); antigo membro da Direção do Sindicato dos Jornalistas; ex-membro e presidente da APECOM-Assoc. Port. Empresas Conselho em Comunicação e Relações Públicas (1996-2002); ex-presidente do Conselho Consultivo e coordenador Comissão do Código de Conduta da APCE-Assoc. Port. Comunicação de Empresa. Membro da Comissão Organizadora do Congresso Port. Relações Públicas (out.2012).
PAP0914 - O futebol como produto de consumo na mídia pós-moderna brasileira: o caso Mess- PlayStation
No dia 6 de abril de 2010, em entrevista coletiva concedida à imprensa, após partida em que sua equipe, o Arsenal, da Inglaterra, fora derrotada pelo Barcelona, da Espanha, por 4 a 1 , com quatro gols do jogador argentino Lionel Messi; o técnico francês da agremiação inglesa, Arsene Wenger, não se conteve e disse a seguinte frase aos jornalistas presentes à entrevista: “(Messi) é um jogador de PlayStation ”. Wenger, ao analisar o atleta argentino, o equipara ao videogame da Sony. Para o treinador francês, a precisão do jogador do Barcelona, sua habilidade no manejo da bola, só é possível no universo simulado do jogo eletrônico da multinacional japonesa. Os grandes jogadores de futebol do passado, como Pelé e Maradona, por exemplo, tinham suas façanhas futebolísticas associadas a fatores não humanos. Pelé é o Rei do futebol para os brasileiros. Maradona é simplesmente Deus para os argentinos. A comparação com a realeza, ou com a divindade, típica da modernidade; deu lugar à associação típica da pós-modernidade, onde o consumo norteia a relação estabelecida por Arsene Wenger. A cultura do esporte mundial tem experimentado, nas três últimas décadas, um crescimento financeiro vertiginoso. Desde os Jogos Olímpicos de 1960, quando a competição foi exibida pela primeira vez ao vivo pela TV, até hoje, as transmissões esportivas têm avançado de forma vertiginosa; inclusive, e principalmente, pelo seu crescente apelo financeiro. Os esportes, de uma forma geral, e a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, de maneira especifica, são os principais elementos para a experimentação de novidades tecnológicas e de transmissão. Hoje, as grandes marcas de artigos esportivos, que vestem as principais seleções e clubes do futebol mundial, em especial os europeus, concentram suas estratégias mercadológicas na “busca do torcedor internacional e na promoção de suas marcas”. Dentro deste contexto, merece destaque a crescente participação de empresas de comunicação e mídia no universo cultural do futebol, como elemento de consumo do esporte enquanto entretenimento e cultura. A proposta deste trabalho é mostrar o quanto o futebol, enquanto fenômeno cultural, está inserido na chamada cultura pop ou cultura popular. É nossa intenção demonstrar que a inserção do esporte mais popular do planeta nesse universo pop, com o apoio dos meios de comunicação de massa, tem como objetivo principal o consumo, estimulando e fortalecendo a crescente indústria do entretenimento esportivo.
- JUNIOR, Ary José Rocco
PAP0232 - O “public engagement” nos actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade da União Europeia
O objectivo deste trabalho é apresentar os resultados de um primeiro estudo acerca do modo como o "engagement" é abordado nos projectos actualmente em curso financiados pelo 7º Programa-Quadro (FP7) da Comissão Europeia, na área Ciência na Sociedade (SIS). Em 2010, foram identificados dezasseis projectos voltados para a comunicação científica, em especial a participação pública na ciência, a partir da perspectiva do “engagement”. Após a selecção dos projectos em curso, os líderes dos projectos foram entrevistados por e-mail acerca dos seguintes temas: 1) o público a que se destinavam; 2) o significado de “engagement” na ciência; 3) por que o público deve envolver-se na ciência; 4) as técnicas utilizadas e que visam promover o “engagement” e 5) as expectativas em relação ao público. Os entrevistados tiveram que responder as questões a partir do projecto que coordenavam. Dos dezasseis líderes de projecto, nove responderam às perguntas. A partir das respostas, observou-se que, embora o modelo do “engagement” pareça estar disseminado entre os actuais projectos desenvolvidos na área Ciência na Sociedade, consoante o projecto, o “engagement” não tem o mesmo sentido e nem é necessariamente visto enquanto modelo de comunicação pública da ciência. De facto, o uso corrente do termo “engagement”, às vezes parece servir muito mais como recurso retórico do que propriamente referir-se a iniciativas comprometidas com um certo modelo de participação pública, visto como alternativo ao antigo modelo do défice. Num certo sentido, isto ratifica algumas afirmações de alguns autores sobre a maioria das iniciativas estabelecidas em torno da noção de engagement serem meras recriações da perspectiva do défice. A análise das respostas também considerou o modo como a ciência e o público são abordados, especialmente os valores e o que se espera da relação entre a ciência e o público. Para isso, utilizou-se como referência o Quadro Analítico dos Modelos de Comunicação Científica, de Brian Trench (2008).
- CARVALHO, Monica

Investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto)
Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade federal do Rio de Janeiro
Interesses de investigação: Comunicação da ciência; comunicação da saúde; risco; ciência e público
PAP0457 - Os piratas no poder: Algumas considerações sobre a proposta política do Partido Pirata.
O crescimento visível das práticas de partilha “não-capitalizada” de conteúdos comerciais através das redes virtuais da Internet, comumente associadas à ideia de pirataria, incita a criação de mecanismos legislativos para defender e manter protegido o processo de apropriação privada da informação e do conhecimento por indústrias criativas e farmacêuticas, por exemplo, através das leis de “copyright” e das patentes.
Contraditoriamente, a privatização da informação e sua consequente comercialização colocam em colapso o projeto tecnofílico defendido por alguns autores que acreditam na transformação e redefinição democrática através da ideologia da Internet devido à capacidade que possui de descentralizar a informação e tornar real o comunismo do conhecimento. Apesar deste pensamento, insistentemente, vigorar na literatura contemporânea, autores menos otimistas e menos tecnofóbicos, consideram que as Novas Tecnologias da Comunicação e Informação surgem num contexto mediado por interesses que mantêm o processo capitalista e a ideologia do consumo initerruptos.
Dito isto, esta comunicação reitera o debate sobre os desconexos e idiossincrasias produzidas pela abertura excessiva dos fluxos globais de comunicação e informação tendo como ponto de partida a experiência sueca que deu origem ao movimento internacional denominado “Partido Pirata”.
A relevância do surgimento deste movimento político justifica-se, não apenas a partir da sua repercussão global, como também pelo debate político promovido em defesa da completa liberalização da partilha dos chamados “bens informacionais”, do direito à privacidade e anonimato, de uma profunda mudança nos atuais dispositivos legais de direitos autorais e da abolição total das patentes, como forma alternativa capaz de promover uma transformação democrática a nível mundial.
Nesta comunicação, pretendo refletir, a partir de uma análise conceitual, acerca dos principais elementos constituintes da proposta de governo deste movimento em alternativa ao sistema legislativo global vigente e as respectivas interferências políticas de regulação, restrição e vigilância. O objetivo é perceber se a proposta delimita uma linha de separação entre a prática alternativa das práticas sociais vigentes a ponto de ser diferenciável destas.
PALAVRAS-CHAVE: Economia Política da Comunicação; Internet; Capitalismo; Pirataria.
- SATURNINO, Rodrigo

Rodrigo Saturnino
Doutorando em Sociologia, Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa
Editor da revista (in)visível, www.revistainvisivel.com
Bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT/ Portugal)
Investigador do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI) – Universidade Aberta.
PAP0667 - Ro-Hallyu: The influence of Korean wave in Romania
The “Koreean wave” is a cultural phenomenon specific to Asia and it refers to the impact of cultural products from Korea (music, movies, TV series) on that part of the world (Dator and Seo, 2004; Endo and Matsumoto, 2004; Seo, 2005). For the Romanian society the exposure at the K-drama and Koreean popular culture’s type of products is a very recent phenomenon that started in the summer of 2009 when the national television service broadcasted the first K-drama: “Jewelry of the Palace”. The “experiment” was a successful one, other twenty Korean “dramas” being broadcasted until present. The main reason for this editorial decision of the national television was the dramatic increase of this TV channel’s audience during the broadcasting of this type of cultural. At the same time, one of the Romanian TV musical channel (U-TV) started to weekly broadcast one hour of K-Pop music at the national level and the number of Romanian active K-Pop fan groups increased on the internet (there are around forty-five K-Pop fan-groups on-line active at present in Romania).
The present study analyses the reception of the Korean cultural products in Romania. We were interested on one hand to identify the underlying reasons that lead a part of the Romanian public to view this type of cultural products, and, on the other, to offer some tentative answers at the research questions.
The research questions of the study were:
1. What is the influence of the Korean popular culture products on the Romanians’ perceptions and representations about Asia culture and society?
2. What are the factors that explain the increasing popularity of this type of cultural products among Romanian audience?
In order to answer at the above-mentioned questions we used a set of twenty interviews with Romanian viewers of Korean TV series and a survey made on 250 K-Pop Romanian fans.
The results proved Liebes and Katz’s thesis about the cultural reasons underlying the media consumption in the case of Romanian audience (Katz, Liebes 1985: 188; Katz, Liebes 1986; Katz, Liebes 1988. Furthermore, the same set of data aimed at the “glocal” character of Korean cultural products
- MARINESCU, Valentina

Valentina Marinescu, PhD in Sociology, (Structural-functional transformation of the relation between media and society in Romania after 1990, University of Bucharest) is Associate professor at the University of Bucharest – Faculty of Sociology and Social Work. She teaches undergraduate and graduate courses in media and society, and methods of researching mass communication. Her interests lie in media and gender studies in Eastern Europe, particularly in Romania. She was a fellow of Universite de Montreal (Canada), University of British Columbia (Canada) and Academy of Korean Studies (South Korea). She has also published articles and book chapters on mass media, communication, gender and popular culture (Shade of Violence: The Media Role, Women’s Studies, International Forum, Elsevier; Challenges of the european information market and Romanian investigative journalism, in Alec Charles (ed.) “Media in the Enlarged Europe”, Intellect Publishers Inc. 2009; Communication and Women in Eastern Europe: Challenges in Reshaping the Democratic Sphere. in Leslie Regan Shade, Katharine Sarikakis (eds.), “Feminist International Communication Studies”, Rowman and Littlefield Publisers Inc. 2007)..
PAP1136 - Sindicatos portugueses, utilização da internet e culturas digitais
A grande maioria dos movimentos sindicais dos países mais desenvolvidos passou a enfrentar uma crise a partir dos anos 70. Com vista a superar esses tempos difíceis (Chaison, 1996) desenvolveram um conjunto de estratégias
diversificadas, entre as quais se conta a adoção das TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação e, em particular, a utilização da internet.
Os sindicatos adotaram estas tecnologias mais tardiamente do que as empresas ou outro tipo de organizações (Ad-Hoc Committee on Labor and the Web, 1999; Fiorito et al., 2000; Pinnock, 2005), mas as vantagens competitivas que elas
oferecem e a sua flexibilidade encorajou-os a utilizarem-nas de uma forma crescente.
Um pouco por todo o mundo, os sindicatos estão a fazer um investimento significativo no campo das TIC, utilizando-as em diversas áreas com
determinados objetivos. Alguns estudos revelam que esse investimento tem tido um impacto relevante na organização mas um efeito mais mitigado na eficiência geral dos sindicatos (Fiorito et al, 2002). Contudo há autores
que vão mais longe enfatizando que as TIC têm não apenas um grande impacto nos resultados da atividade sindical mas contribuem também para uma transformação qualitativa levando à emergência de novas formas de organização sindical. Os conceitos de e-union (Darlington, 2000) e cyberunion (Shostak, 1999, 2002) são disso exemplos.
No entanto, o insuficiente ou baixo grau de literacia informática suscita a questão da mudança cultural na transição do uso de dispositivos e práticas analógicas para novos sistemas e práticas digitais. Esta transição
problemática poderá explicar, pelo menos parcialmente, a lentidão na adoção das TIC por parte de sindicatos cujas lideranças tiveram determinadas trajetórias específicas (Castells, 1999; Dantas, 1999; Kroker e Weinstein, 1994; Santos, 2002; Mattelart, 2000).
Com esta comunicação visa-se compreender as razões que levaram os sindicatos portugueses a adotar as TIC, a relativa lentidão com que tal foi feito sobretudo em alguns deles, e os fatores que condicionam essa adoção. Pretende-se também analisar as atitudes dos líderes sindicais para com as TIC. Metodologicamente, aliou-se a análise extensiva (inquérito realizado junto dos sindicatos portugueses ativos em 2011 e análise da presença sindical na internet), à análise intensiva (estudo de caso incidindo sobre a CGTP-IN).
- CORREIA, Manuel

- ALVES, Paulo Marques

- GARRIDO, Ulisses

- GONÇALVES, Luís

- FIDALGO, Fernando

Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
PAP0432 - Towards African Communication for Development. An African experience: the Guinea-Bissau & Mozambique cases
GT Comunicação Social
This article focuses on a comparative analysis of community radio realities in two Lusophone African countries: Guinea-Bissau and Mozambique, whose local field research refers to 2003, 2004, 2007 and 2009, respectively. It focuses on the tense relationship between political power and community radios through theoretical reviewing of two emerging concepts: “Communication for Development” and “Glocalization”. A comprehensive ground-breaking study, it aims at determining what role these media can play so as to build challenging and participative citizenship. It exposes the dangers threatening the sustainability of these tools of empowerment, on being deprived of viable institutional frameworks. The main objective is to identify similarities and differences, to discuss resulting issues and to investigate the feasibility of unifying criteria, formats and definitions. Against expectations, the Globalization phenomenon has not eliminated social and economic obstacles in the contemporary world. On the contrary, it has greatly contributed to a growing gap between developed and developing countries, with poverty and social exclusion emerging as immediate consequences of this process. On the other hand, in Africa, in particular, globalization is responsible for the emergence of local development initiatives that require new perspectives for the adjustment of national policies to local singularities of urban and rural areas. Community radios are essential tools for structuring these new physical, economic, social and cultural dimensions. Local development comprises a vast range of practices and perspectives, a reality deriving from the multiplicity of actors involved in the management of territories. Democratic engagement and endogenous entrepreneurship stand out as primary aspects of human and social development which requires the participation of civil society and local socio-economic fabric as a precondition for the sustainability of development. Redesigning sustainable strategies for social inclusion based on the paradigm "Think globally, act locally" is a pre-requisite for Africa to board the train of modernization.
- PAULA, Patrícia Filipa da Mota

Nome: Patrícia Mota Paula
Afiliação Institucional: CIES ISCTE-IUL
Licenciatura: Ciências da Comunicação
Pós-Graduação: Jornalismo Internacional
Mestrado: Estudos Africanos
Doutoramento: Ciências da Comunicação (términos: Dez. 2012) - Bolseira da FCT
Tema da Tese de Doutoramento: Rádios Comunitárias: em prol da Comunicação para o Desenvolvimento. Os casos da Guiné-Bissau e de Moçambique.
Interesses de Investigação (projecto pós-doc): Género nas estruturas e na acção da Comunicação em países periféricos. (De como a um aumento do número de mulheres jornalistas não tem correspondido um aumento de influência das considerações de género).