PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica?
A doutrina da Igreja estabelece, em vários documentos, o que deve ser uma universidade católica. A Constituição Apostólica Ex corde ecclesiae é, talvez, o mais importante desses documentos actualmente, mas existem outros. E as próprias universidades católicas têm Estatutos, aprovados superiormente, que definem a sua identidade.
Da documentação vaticana resultam obrigações genéricas mas claras. Exemplos: tanto na formação como na investigação deve existir interdisciplinaridade, a qual conterá uma perspectiva teológica e filosófica; os alunos deverão, tanto quanto possível, tornar-se “homens verdadeiramente eminentes pela doutrina” e pelo testemunho da fé; promover a justiça social e a Doutrina Social da Igreja; integrar razão e fé.
Os Estatutos da Universidade Católica Portuguesa (U.C.P.) reafirmam a submissão às orientações da Santa Sé e especificam vários objectivos de que destaco dois: empreender os diálogos fé/razão e ciências/teologia, com presença de disciplinas de teologia nos planos de estudos; formar quadros inspirados na Doutrina Social da Igreja.
Numa Faculdade de Teologia ou de Filosofia, estas orientações não deverão ser de aplicação muito difícil. Já nos cursos de ciências e tecnologias, sujeitos a intensa concorrência no mercado de ensino, a questão assume outros contornos, dado o peso esmagador que a qualidade técnica profana da formação alcança na procura.
No âmbito das ciências (sociais), as Faculdades de Economia e Gestão são um caso muito sensível: os seus cursos, tendo uma forte componente técnica, abrangem temática tratada na Doutrina Social da Igreja. É precisamente sobre estas Faculdades da U.C.P. que se debruça o presente estudo. Divididas por três centros, apresentam consideráveis diferenças entre si e também em relação a congéneres estrangeiras. As diferenças dizem respeito ao ensino, à investigação e à extensão universitária. Os dados ainda são preliminares mas permitem algumas conclusões: uma Faculdade (ou um Departamento, se se tratar do Centro das Beiras) pode apoiar dezenas de projectos de economia social por todo o país e outra não; os percursos de formação também são variados e, em certos casos, é possível ter todo um trajecto académico da licenciatura ao doutoramento sem cursar uma única disciplina de teologia nem de Doutrina Social da Igreja.
Pode-se, nalgumas circunstâncias, falar de um ensino secularizado na U.C.P.?
- COSTA, Joaquim

Joaquim Costa (Funchal, 1960), licenciado em Sociologia pela U. Évora (1989), doutorado em Sociologia pela U. Minho (2005), professor auxiliar do Deptº Sociologia do ICS/U. Minho, investigador do CICS (U. Minho). Tem publicados trabalhos sobretudo na área da Sociologia da Religião, de que se destacam:
Sociologia dos Novos Movimentos Eclesiais - focolares, carismáticos e neocatecumenais em Braga (Porto, Afrontamento, 2006); Sociologia da Religião - uma breve introdução (Aparecida - São Paulo, Editora Santuário, 2009); "Sentido da Vida, Desespero e Transcendência" (Revista Lusófona de Ciências da Religião, 2009, nº 12);
"O Zapping do Cristão" (in A. M. Brandão e E. R. Araújo (org.), Intersecções Identitárias, Famalicão, Húmus, 2011).
Grato pela atenção,
Joaquim Costa.
PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal
As universidades
portuguesas estão a
atravessar um
período de
transformação e de
redefinição do modo
como se relacionam
com a sociedade.
Inseridas num
contexto global, às
universidades é
exigido um papel
activo na promoção
do desenvolvimento
económico, uma nova
missão a acrescentar
ao ensino e à
investigação.
Perante este
desafio, em 2006 foi
lançado o Programa
MIT-Portugal, uma
parceria de 5 anos
que pretendia tornar
as universidades
portuguesas mais
dinâmicas e
empreendedoras. O
Programa propôs-se a
aproveitar a
experiência do
Massachussets
Institute of
Technology (MIT)
para promover
mudanças nas áreas
da investigação, da
formação e do
empreendedorismo e
inovação – esta
última sobretudo
através da promoção
das relações
governo-universidade-empresa,
tendo em conta o
modelo teórico da
“tripla hélice”.
Perante este
enquadramento, serão
apresentadas as
conclusões de um
estudo de caso sobre
o “Green Island
Project” (GIP),
realizado no âmbito
do projecto - “As
Parcerias
Internacionais em
Portugal: uma
análise do impacto
das redes
científicas na
sociedade do
conhecimento”.
O GIP foi um
projecto inserido no
Programa
MIT-Portugal, que
teve como objectivo
o desenvolvimento de
uma estratégia
energética
sustentável para os
Açores. Incluiu um
consórcio
multidisciplinar com
universidades,
empresas e
estruturas
governamentais. As
conclusões a
apresentar serão
baseadas em cerca de
20 entrevistas aos
principais actores
deste projecto,
incluindo
investigadores,
empresários e
decisores políticos,
procurando
caracterizar as
relações
estabelecidas entre
eles, os métodos de
trabalho e
colaboração ao longo
da implementação do
GIP,, quer do ponto
de vista do projecto
em si, quer do ponto
de vista da
sustentabilidade das
relações
governo-universidade-empresa
entretanto
estabelecidas.
- DURÃO, Rui

- PATRÍCIO, Teresa

Rui Durão, originalmente professor de ciências naturais formado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é actualmente doutorando em Sociologia no CIES/ISCTE-IUL. Trabalhou vários anos como gestor de projectos na Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, onde desenvolveu um particular interesse sobre os modelos de organização dos sistemas científicos, sobre a sua relação com a sociedade, e sobre o papel das políticas públicas no desenvolvimento científico, social e económico.
Maria Teresa Patrício, é Professora Associada na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e é Investigadora no CIES-IUL. Obteve o seu doutoramento na Rutgers University como "Fulbright scholar". Foi Presidente do CIES entre 1992 e 1993, e esteve na criação do Observatório da Ciência e da Tecnologia. Entre 1997 e 2002 foi vice-presidente do Instituto de Cooperação Cientifica e Tecnológica Internacional. Está neste momento a desenvolver um projecto de investigação sobre "As Parcerias Internacionais em Portugal: uma análise do impacto das redes científicas na sociedade do conhecimento".
PAP1260 - Institucionalização da Transferência de Conhecimento: Politicas Públicas e Formação de Actores-Rede na Universidade Portuguesa
A universidade em Portugal foi sujeita, em anos recentes, a um conjunto alargado de mudanças com reconfigurações na sua arquitectura e relação com a sociedade, nomeadamente com o mundo empresarial. Neste contexto a universidade consolidou rapidamente o estatuto de principal actor na produção de conhecimento científico no panorama nacional. Este papel fulcral, que se aliava à missão central no âmbito do ensino superior, foi alargado ao que tem vindo a ser denominado de terceira missão da universidade. Esta terceira missão designa um conjunto de actividades focadas na transferência de conhecimento entre a universidade e actores externos. Neste contexto, as políticas públicas têm enfatizado as relações da universidade com as empresas, através de um conjunto de mecanismos. Entre estes incluem-se iniciativas no âmbito da propriedade industrial, da criação de empresas spin-off ou da promoção da contratação de I&D, fortemente apoiadas em Portugal por programas como os GAPI, OTIC, NEOTEC e UTEN, estimulando o surgimento de novos actores de interface académico. A presente comunicação recorre à abordagem da Teoria do Actor-Rede para compreender a emergência destas dinâmicas de intermediação no contexto académico português. Ilustrando o processo de tradução procura-se analisar de que modo um gabinete de transferência de conhecimento se torna, ou não, como ponto passagem obrigatória na relação universidade-empresa, contribuindo assim para a institucionalização destes processos, numa perspectiva da endogeneização da mudança. A análise de redes do gabinete de transferência permite ainda identificar objectos de fronteira e o enfoque central em actividades de apoio à criação de spin-offs e patenteamento. Os resultados sublinham a evolução recente no contexto português, através de tentativas de estandardização de processos de transferência de conhecimento e formalização de actores de fronteira, mas revela também tensões emergentes na academia com a mudança institucional verificada.
- PINTO, Hugo

- PEREIRA, Tiago Santos
Hugo Pinto
hpinto@ualg.pt
Hugo Pinto é Mestre em Economia Regional e Desenvolvimento Local e Licenciado em Economia pela Universidade do Algarve, tendo preparado tese de Doutoramento no CES - Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, apoiado por uma bolsa individual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus temas de investigação são os sistemas de inovação, a transferência de conhecimento e o papel das universidades. Também interessado no debate da Economia enquanto ciência e na turbulência económica. Foi em 2008 finalista do Academic Tech Transfer and Commercialization Graduate Student Literature Review Prize da Association of University Technology Managers e vencedor do Prémio Bartolomeu 2012 (melhor comunicação de investigador jovem) da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional. Desde 2003 foi gestor de projectos em várias entidades de I&D em Portugal. Em 2010, Hugo Pinto foi investigador visitante no Instituto de Estudos Sociais Avançados do CSIC em Córdoba, Espanha. É assistente convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve (desde 2006/07) e actualmente membro associado do Centro de Investigação sobre Espaço e Organizações.
PAP0203 - Religiosidades e juventude universitária: algumas reflexões
Este trabalho pretende discutir as recentes alterações no âmbito religiosos entre a juventude universitária brasileira. Torna-se necessário estudar o papel que as múltiplas religiosidades, manifestadas dentro das universidades, desempenha na vida acadêmica de estudantes e as influências na sociedade. Do desencantamento do mundo proposto por Weber, e de previsões agonizantes das religiões, tem-se na sociedade, hodiernamente, um reencantamento do mundo, inclusive pela juventude, para espanto de muitos. Em períodos de pós-modernidade, um novo e revigorante fôlego vem sendo dado às diferentes maneiras de se relacionar com o religioso. O que outrora deixou de ser atribuído ao divino devido a processos de racionalização do pensamento e do conhecimento passa, novamente, a ter sua importância transcendente. Com isso, é possível constatar uma proliferação de um grande número de modalidades religiosas no Brasil, e como já relatado, no meio universitário. De caráter mediúnico como o espiritismo, as religiões afro-brasileiras, as pentecostais e católicas carismáticas, ou mesmo outras cristãs mais tradicionais (protestantes históricos), orientais, esotéricas, dentre outras, cada uma oferece diferentes alternativas sacras. Há uma gama variada de crenças e ritos relacionados às forças sobrenaturais (podendo haver a manipulação destas) e às intervenções dessas divindades no almejado bem-estar. Mesmo entre jovens, em décadas passadas tidos como militantes políticos, desinteressados pela religião, ela está bem viva e atuante, tanto na esfera privada quanto na pública, revigorada em suas diversas e múltiplas epifanizações. Até mesmo, e cada vez mais, no ambiente que se cobrava cético, racional e científico: as universidades. Essa “cientificidade” presente nas universidades, extremamente valorizada, requerida e cobrada atualmente, pode ser considerada reflexo de objetivos apresentados no último século, época tida como a da razão. Período que buscava e anunciava uma hegemonia da ciência e maneiras de explicar o mundo inteiramente desencantadas, já desprovidas da necessidade de apelo à magia, ao sobrenatural, às explicações que escapam do controle racional. Entretanto, as universidades brasileiras estão repletas de grupos religiosos que se reúnem para orar, cantar, missionar, entre outros, ocupando diversos espaços. Estes grupos trazem consigo, além de suas crenças, valores e culturas, inquietações. A universidade, enquanto espaço de desdobramentos de processos de escolarização e de formação profissional, sofre interferências inúmeras, de diversas ordens sociais, culturais e políticas. E dentre essas, são afetados também pela religião, pelas crenças do indivíduo, uma vez que, como visto, a religiosidade pode estabelecer poderosas, penetrantes e duradouras disposições e motivações no ser humano; ajustar as ações, os comportamentos e conduzir condutas.
- PINHEIRO, Marcos Filipe Guimarães

Marcos Filipe Guimarães Pinheiro é licenciado em Educação Física e Mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente é professor nos cursos de Pedagogia, Música e Educação Física do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix e professor substituto nos cursos de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ambos na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Suas principais áreas de interesse são o Lazer, Religiosidades e Velhice.
PAP0593 - “Os meus, os outros ou os nossos”: A integração dos alunos migrantes na Universidade de Aveiro.
Com esta comunicação pretende-se apresentar e assim debater um trabalho de mestrado em desenvolvimento na Universidade de Aveiro sobre a Integração dos Alunos Migrantes, nomeadamente, os alunos oriundos dos PALOP e Timor Leste. Este trabalho surge como forma de combater uma preocupação levantada pela própria instituição relativamente ao insucesso escolar e de enquadramento por parte destes mesmos alunos.
As migrações são uma realidade constante em Portugal e a imigração tem sido desde meados dos anos setenta um facto incontornável, com impacto necessariamente no ensino superior. Facto que merece especial atenção pelo significativo acréscimo do número de estrangeiros a residir em Portugal e pela sua forte heterogeneidade no que à nacionalidade da sua população concerne (Norte et al, 2004:7).
Além disso, com a crescente globalização do mercado de trabalho, com o desenvolvimento das redes transnacionais de apoio à imigração e com a livre circulação de bens, pessoas e capitais no seio da União Europeia, esta tendência imigratória foi-se alargando a outros países e continentes (Abreu & Peixoto, 2009:738).
Este projecto, se por um lado, pretende responder às necessidades dos alunos migrantes considerando as infra-estruturas políticas e sociais da instituição. Por outro, tenta perceber o que pode ser mudado ou criado para promover uma melhor vida académica e social (acolhimento, orientação e integração) aos mesmos durante o período de tempo que aí estudam.
Assim, procura-se delinear mecanismos que respondam à questão da integração dos alunos e sua orientação na universidade de Aveiro, isto é, com as infra-estruturas, medidas e apoios de que a universidade deve possuir de modo a permitir um bom desempenho por parte deste grupo de alunos.
Assiste-se, neste sentido, a um contraste entre os alunos dos programas de mobilidade e os outros, isto é, dois cenários semelhantes, mas simultaneamente muito diferentes. Os alunos europeus dos programas de mobilidade cujo processo de chegada e enquadramento na universidade de destino é previamente preparado contrariamente ao que acontece com os alunos migrantes. Alunos igualmente oriundos de países estrangeiros, imigrantes em Portugal ou detentores de background migrante, mas que não se encontram ao abrigo de um programa de cooperação interuniversitária nem lhes são, muitas vezes, facultados apoios de forma a facilitar a sua integração na universidade de destino.
- ALVES, Stephanie Silva

- GOMES, Maria Cristina Sousa
Stephanie Silva Alves
Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro
Licenciatura em Línguas e Relações Internacionais
Interesses de investigação: Alunos estrangeiros, integração, políticas de acção social