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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Urbano»

PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social
Resumo de PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social
PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social

No âmbito da investigação de doutoramento em curso, em sociologia com o título: “O Crime e o Contexto” pelo ISCTE, pretende-se apresentar resultados relativos à “criminalidade de rua” desde 1993 até 2010 agregadas à freguesia, e contextualizados com os dados provisórios dos sensos de 2011, particularmente em duas áreas da cidade de Lisboa: Benfica e Alta de Lisboa. Desde os anos 60 se tem tentado alertar para a existente relação do binómio: crime e meio, com a tradicional perspectiva com base na psicologia que procurava concentrar-se apenas nas motivações do delinquente. Desde Jane Jacobs e Elizabeth Wood, nos anos 60, a Ray Jeffery nos anos 70 com a denominação, pela primeira vez de crime prevention through environmental design desenvolvida mais tarde nos anos 90 por Tim Crowe, contando também com os contributos de Oscar Newman com o conceito de defensible space dos anos 70, se admite que o espaço induz efectivamente comportamentos. Existe um conjunto de orientações que conferem aos espaços maior segurança com menos oportunidades para a prática de comportamentos ilícitos ou indesejados que constituem o conceito de crime prevention through environmental design (CPTED) que devem ser divulgadas e implementadasem Portugal. Os projectos urbanísticos nacionais carecem dessas orientações e muitas vezes verifica-se que os profissionais enfrentam acrescidas dificuldades pela ausência destes conhecimentos, verificando-se que não integram nenhum módulo dos cursos universitários em Portugal. É sabido também que as características do meio não se esgotam nos aspectos físicos, essencialmente quando em Portugal estas orientações nunca foram implementadas de forma sistemática e com alguma estratégia. O “controlo social” assume particular importância pelas relações que se estabelecem no espaço. Neste sentido o contexto engloba: CPTED e “controlo social”. Importa perceber como o espaço tem sido ocupado e identificar as relações que nele se estabelecem, essencialmente nos locais a “criminalidade de rua” assume valores significativos. Os estudos que associam este tipo de criminalidade ao espaço e contexto social são omissos em Portugal. A análise deste fenómeno requer uma abordagem multidisciplinar, com particular ênfase na área da sociologia tentando analisar a relação dos comportamentos no espaço que podem dar origem as “crimes de rua”, como por exemplo: furtos ou roubo por esticão; furto de ou em veículo motorizado; furto por carteirista; furto em supermercado; roubo na via pública; entre outros. São crimes que ocorrem na via pública ou em espaço público, dos quais todos os indivíduos podem ser vítimas. São crimes que resultam em grande maioria, das oportunidades relativas às características físicas do local em que ocorrem que servem como facilitadores, que resultam da vulnerabilidade das vítimas e da necessidade do delinquente e geram um sentimento de insegurança generalizado.
  • NEVES, Ana Verónica CV de NEVES, Ana Verónica
"Ana Verónica Neves, licenciada em Sociologia e Planeamento, com mestrado em Estudos de Justiça Criminal pela Universidade de Portsmouth, RU, com tese sobre o medo e o sentimento de insegurança na cidade de Lisboa. Doutoranda em sociologia no ISCTE com investigação sobre a relação entre a "criminalidade de rua" e o contexto, orientada pelo professor Paulo Machado e com co-orientação da professora Helena Carreiras. Foi bolseira do CIES/FCT no projeto: "As Forças Armados Portuguesas após a Guerra Fria", da professora Helena Carreiras. Integra a coordenação da secção temática "Seguranç e Forças Armadas" da APS. Pertence ao MAI.
Principais publicações:
"Prevenção Criminal através do Espaço Construído - Guia de Boa Práticas", DGAI, no prelo
"Segurança Pública e Desenvolvimento Urbano: a preveção do crime através do espaço construído", na série Políticas de Cidades - 7, DGOTDU
100 Conselhos de Segurança”, Maio, 2010, Ministério da Administração Interna, Lisboa
DGAI. (2009), Manual de Diagnósticos Locais de Segurança: uma compilação de normas e práticas internacionais, Lisboa, Ministério da Administração Interna (Revisão técnica e adaptação para a versão portuguesa)
Neves, A. (2005), “Medo do Crime e Insegurança Urbana”, Polícia e Justiça, III Série, n.º5, Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais, p.243
Cumprimentos, obrig

PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil
Resumo de PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil
PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil

No Brasil, a partir dos anos 1980 um conjunto de agentes sociais se articulou no Movimento Nacional pela Reforma Urbana – MNRU, gerando formas inovadoras e democráticas de planejamento urbano e de enfrentamento da questão urbana. Esse movimento desenvolveu uma luta por direitos urbanos, pela gestão democrática e pela função social da cidade e da propriedade. Essa agenda da reforma urbana impactou a sociedade e o Estado brasileiros, em diferentes escalas territoriais e federativas, fazendo-se presente, por exemplo, na Constituição de 1988, no Estatuto da Cidade, na criação do Ministério das Cidades e do Conselho Nacional das Cidades, nas políticas públicas nacionais de habitação, saneamento e mobilidade urbana e nos planos diretores. As reflexões aqui desenvolvidas têm origem em entrevistas, análise de documentos e observação direta. O texto analisa o campo do planejamento urbano durante a revisão do Plano Diretor de Fortaleza, entre 2002 e 2009. A experiência do Plano Diretor de Fortaleza adquiriu visibilidade nacional no campo do planejamento urbano, desvelando inovações democráticas de caráter representativo, participativo e deliberativo, com a participação popular tornando-se questão essencial a polarizar debates e disputas políticas e técnicas. No Brasil, o Plano Diretor é constitucionalmente o principal instrumento de planejamento do desenvolvimento e da expansão urbana. Nesse contexto, a partir do referencial teórico de Pierre Bourdieu efetua-se uma caracterização do campo do planejamento urbano em Fortaleza, articulando elementos estruturais, disposicionais e intersubjetivos. Para tanto, após contextualizar a revisão, discute-se a estruturação do campo, caracterizando as redes e os pólos, definindo seus papéis e indicando espaços e mecanismos de convivência e interação dos diferentes segmentos e grupos sociais. Em seguida, é feita uma caracterização dos agentes empresariais, populares e governamentais atuantes no campo, evidenciando hierarquias e distinções relevantes. Além disso, são indicadas lutas, episódios e momentos significativos da revisão e seus impactos na formação das decisões e nas correlações de força do campo. Para finalizar, e a partir das análises e dados anteriores, evidenciam-se tensões, contradições e dilemas significativos que dificultam a plena efetivação e o desenvolvimento das conquistas e inovações democráticas e populares do Plano Diretor no campo do planejamento urbano em Fortaleza.
  •  MACHADO, Eduardo Gomes CV - Não disponível 

PAP0064 - Construção de um Painel de indicadores para a monitorização social da cidade do Porto
Resumo de PAP0064 - Construção de um Painel de indicadores  para a monitorização social da cidade do Porto PAP0064 - Construção de um Painel de indicadores  para a monitorização social da cidade do Porto
PAP0064 - Construção de um Painel de indicadores para a monitorização social da cidade do Porto

A monitorização da realidade social constitui um importante contributo para a caracterização e acompanhamento das dinâmicas urbanas, permitindo aferir situações de maior fragilidade, potencialidades e recursos e apoiar o estabelecimento de objectivos estratégicos relacionados com o desenvolvimento social do território. O trabalho de monitorização em curso no Gabinete de Estudos e Planeamento do município do Porto – decorrente da elaboração do Pré- Diagnóstico da Rede Social da cidade –, constituindo um input para a definição de um quadro de referência capaz de informar as políticas e agentes intervenientes na acção social local, afigurou-se uma oportunidade para a construção de um Sistema de Indicadores Sociais, através de uma metodologia de trabalho alicerçada numa sequência de etapas que se pretende apresentar. Definiu-se, à partida, como objectivo principal a necessidade de obter um quadro de análise tão completo quanto possível sobre a realidade social do Porto, cuja actualização da informação permitisse dispor, a todo o tempo, de conhecimento actualizado sobre a situação social da cidade. A proposta de base contendo a estrutura lógica de domínios e temas de análise, a identificação de critérios que sustentam a escolha dos indicadores e a sua posterior discussão e validação interna tornaram possível a constituição de um Painel de Indicadores Sociais, traduzindo um exercício que é sempre de selecção no conjunto imenso dos indicadores passíveis de monitorização social. No processo alargado de construção de um Sistema de Indicadores Sociais emergem vicissitudes/desafios de natureza diversa - desde os que se relacionam com procedimentos técnicos de trabalho propriamente ditos a cond
  • FERREIRA, Célia CV de FERREIRA, Célia
  • ROCHA, Eugénia CV de ROCHA, Eugénia
Célia Ferreira nasceu em 1983 em Valongo. É Licenciada em Geografia, ramo de Ordenamento do Território, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde frequenta atualmente o Mestrado em Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território. Faz parte, desde 2006, da equipa técnica do Gabinete de Estudos e Planeamento da Câmara Municipal do Porto, onde tem realizado trabalhos no âmbito da análise das dinâmicas demográficas e sociais da cidade e integrado projetos relacionados com a manutenção de sistemas de indicadores sobre a Qualidade de Vida Urbana e a Monitorização social.
Eugénia Rocha, nasceu no Porto, em 1968. Licenciada em Sociologia pelo ISCTE (atual IUL), onde obteve uma pós-graduação em Sociologia do Território. Trabalhou em projetos de investigação sobre o tema da pobreza e exclusão social. Foi responsável pela Avaliação dos Impactos Sociais da Reabilitação Urbana no centro histórico do Porto. Desde 2000 integra a Câmara Municipal do Porto onde começou, no Pelouro da Qualidade de Vida Urbana, por coordenar e assegurar iniciativas e eventos centrados no tema da Qualidade de Vida. A partir de 2002, integra a equipa técnica do Gabinete de Estudos e Planeamento, participando em estudos diversos centrados no diagnóstico, na monitorização e análise das dinâmicas sociais e urbanas como instrumentos de apoio ao planeamento e à decisão. Integra a equipa de projeto do Sistema de Monitorização da Qualidade de Vida Urbana do município. Os resultados dos projetos em que participa estão publicados e /ou divulgados no site institucional.

PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
Resumo de PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias

Tendo como referência a noção sociológica de espaço, cotejada das pesquisas de Jean Remy na Universidade de Lovaina (Bélgica), este trabalho discute estilo de vida, modos de apropriação e formas de espacializações em “cidades intermediárias”. Procura estabelecer uma comparação da noção que se tem do conceito intermédiarie, tanto em Portugal como no Brasil, considerando seu aspecto primordialmente interpretativo (Gault, 1989). No entanto, ao estudar espacializações do social, tendo como referência a noção de “cidade intermediária”, nossa análise assimila uma situação concreta, como propõe Jean Remy (1992) – juntamente com Liliane Voyé –, quando desenvolve sua interpretação de espaço e de transacção social. A cidade é, por excelência, o lugar onde indivíduos vários, embora permanecendo distintos uns dos outros, encontram entre si possibilidades múltiplas de coexistência e de trocas mediante a partilha legítima de uma “unidade social”. O espaço surge como lugar de convergência onde se detecta facilmente a presença de atores diferentes, que participam na vida cotidiana da transacção social. Na cidade, as configurações dos espaços sociais são ambíguas, onde a construção de um estilo de vida moderno, no contexto binário rural/urbano, caracteriza-se pelo hibridismo cultural – refratário e acessível, concomitante, ao que ainda é considerado “local” e “estrangeiro”, “tradicional” e “moderno”, paradoxalmente. Em meio a contrastes e similaridades, no dia a dia a estética da cidade suscita formas “tradicionais” e “modernas” de vida social, cuja visibilidade pública se reproduz nos estilos de habitação e ocupação dos espaços urbanos. Como “situação concreta”, a referência empírica é uma cidade brasileira que consideramos “intermediária”, Montes Claros, a maior aglomeração urbana de Minas Gerais localizada na interseção Sudeste/Nordeste do país, onde se verifica intensa mobilidade espacial, difusa e generalizada. Concomitante, identificamos alguns estudos realizados em Portugal que aplicam o conceito de “cidade intermediária”, formulado por Michel Gault. O nosso interesse é discutir a pertinência prática do conceito – apesar de contextos diferenciados de cada cidade – por considerar que a expansão urbana atinge proporções históricas e universais. Entende-se que o estudo do fenômeno urbano, suas dinâmicas sócio-culturais e mobilidades passam pela construção de um paradigma sociológico que extrapole a visão funcionalista do “urbanismo”, cuja interpretação de urbanização e posições intermédias das cidades é definido como processo que integra a mobilidade/fluxo regional, não apenas de pessoas e de bens, mas também de mensagens e de idéias na vida cotidiana.
  • CARDOSO, Antonio Dimas CV de CARDOSO, Antonio Dimas
CARDOSO, Antônio Dimas

É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.

PAP0625 - GT: estudos ciganos em Portugal- Os ciganos transmontanos: contributo para o conhecimento dos ciganos em Portugal
Resumo de PAP0625 - GT: estudos ciganos em Portugal- Os ciganos transmontanos: contributo para o conhecimento dos ciganos em Portugal PAP0625 - GT: estudos ciganos em Portugal- Os ciganos transmontanos: contributo para o conhecimento dos ciganos em Portugal
PAP0625 - GT: estudos ciganos em Portugal- Os ciganos transmontanos: contributo para o conhecimento dos ciganos em Portugal

A investigação efetuada para a tese de doutoramento, apresentada na universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em junho de 2011, acerca da população cigana do concelho de Bragança, veio contribuir para a desomogeneização dos ciganos de Portugal. O trabalho empírico decorreu em meio urbano, em três bairros da cidade, de outubro de 2005 a outubro de 2006 e em seis localidades do meio rural, onde se considerou que o número de famílias residentes era significativo, de outubro de 2006 a meados de 2007. Para a pesquisa efetuada, optou-se por uma metodologia de caráter qualitativo, com uma permanência prolongada no terreno tentando compreender os significados que os sujeitos atribuiam às suas ações, complementando-se com entrevistas à população cigana e não cigana das localidades estudadas e com um intenso trabalho de pesquisa nos arquivos locais. Em Trás-os-Montes, tanto no meio rural como urbano, podemos encontrar dois grupos de ciganos: os Gitanos ou Quitanos e os Chabotos ou Recos. Estas são as denominações que cada um dos grupos atribui ao outro, sendo que ambos se auto-denominam Ciganos. Segundo os mesmos as diferenciações entre si são evidentes, em vários aspetos, como o sócio-cultural, económico, linguístico, moral e também físico e o afastamento entre eles é uma realidade, pois não se verifica qualquer tipo de interação entre ambos. O trabalho de investigação incidiu sobre o grupo de ciganos que maioritariamente habita na região (Chabotos), tanto no meio rural como urbano. Estes, apesar de um percurso vivencial idêntico até época recente, na atualidade diferenciam-se relativamente ao seu modo de vida e às relações que estabeleceram com a população não cigana, dependendo da localidade onde habitam. Na cidade, para onde se deslocaram há cerca de vinte anos, residem em barracas localizadas na periferia de bairros periféricos, em condições de pobreza extrema e discriminados socialmente. Vivem essencialmente de ajudas sociais, das quais dependem há vários anos, tendo-se criado um círculo de pobreza difícil de romper. No meio rural a realidade é diversificada, aglomerando-se as suas habitações em espaços contíguos ou dispersando-se pela aldeia. Na maioria das localidades os indivíduos ciganos trabalham como jornaleiros para os agricultores locais, sendo que nalgumas povoações são considerados mão-de-obra essencial, uma vez que a população não cigana está muito envelhecida e perde capacidade para realizar trabalhos agrícolas. Algumas famílias ciganas cultivam terrenos (principalmente produtos hortícolas), adquiridos pelos próprios ou cedidos pelos não ciganos e criam animais para auto consumo. .
  • NICOLAU, Lurdes CV de NICOLAU, Lurdes
Lurdes Fernandes Nicolau

Desde 2002 desenvolve trabalho com a população cigana do nordeste transmontano. Frequentou o mestrado em Cultura Portuguesa na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e em 2003 apresentou a dissertação acerca dos ciganos portugueses a residir em Pamplona, Espanha. O trabalho de investigação para a tese de doutoramento,em Ciências Sociais e Humanas (UTAD, 2010),centrou-se nos ciganos transmontanos, aprofundando os conhecimentos acerca dos mesmos e tratando, também, as relações interétnicas, abrangendo a população que reside no meio urbano e no meio rural.
Investigadora do Centro em Rede de Antropologia- CRIA (polo FCSH-UNL) e do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD/UTAD) tem como principais interesses de pesquisa as áreas da identidade, etnicidade e culturas.

PAP0922 - Integrando Cultura em Comunidades Sustentáveis: Uma análise comparativa entre Canadá e Europa
Resumo de PAP0922 - Integrando Cultura em Comunidades Sustentáveis: Uma análise comparativa entre Canadá e Europa PAP0922 - Integrando Cultura em Comunidades Sustentáveis: Uma análise comparativa entre Canadá e Europa
PAP0922 - Integrando Cultura em Comunidades Sustentáveis: Uma análise comparativa entre Canadá e Europa

A comunicação pretende apresentar alguns dos primeiros resultados de um projecto dedicado à análise comparativa entre o Canadá e a Europa, denominado 'Culture in Sustainable Communities: Improving the Integration of Culture in Community Sustainability Policy and Planning in Canada and Europe' (financiado pelo Governo do Canadá, 2001-2012). Este projecto de investigação multidisciplinar integra as perspectivas das ciências políticas (governança e administração pública), política cultural e planeamento, património e sociologia. O projecto analisa as estratégias, as inovações e os desafios colocados na integração da cultura em iniciativas de planeamento local com especial atenção a iniciativas de desenvovimento sustentável de comunidades. Busca igualmente a identificação de conceitos-chave, linhas de gestão e abordagens estratégicas que implementem sensibilidades e consciências culturais, enquadramentos holísticos de planeamento para comunidades sustentáveis, gestão territorial e desenvolvimento. A investigação envolve análise documental, entrevistas e inquéritos destinados a investigadores e profissionais no Canadá e na Europa. A apresentação apresenta os resultados globais deste estudo, tendo em consideração e reflectindo a situação portuguesa em comparação com esforços realizados neste âmbito no Canadá e noutros países europeus. O projecto conta com a coaboração de outros investigadores do CES de forma a obter um quadro comparativo nacional durante o período 2012-2013. Apresentação em Inglês e em Português. Investigadores do Projecto: Dra. Nancy Duxbury, Investigadora PhD, CES Dr. João Mascarenhas Mateus, Investigador PhD, CES Ms. M. Sharon Jeannotte, Research Fellow, Centre on Governance, University of Ottawa Dr. Caroline Andrew, Director, Centre on Governance, University of Ottawa Apresentadores: Dra. Duxbury e Dr. Mascarenhas Mateus
  • DUXBURY,Nancy CV de DUXBURY,Nancy
  • MATEUS, João Mascarenhas CV de MATEUS, João Mascarenhas
  • JEANNOTTE, M. Sharon CV de JEANNOTTE, M. Sharon
  • ANDREW, Caroline CV de ANDREW, Caroline
nome: Dr. Nancy Duxbury
afiliação institucional: Centro de Estudos Sociais (CES), Universidade de Coimbra
área de formação: comunicação (em política cultural) [Simon Fraser University, Canadá)
interesses de investigação: cultura e sustentabilidade, centrando-se nas práticas de planeamento cultural das cidades Europeias e de integração cultural no âmbito de iniciativas de sustentabilidade urbanas
Dr. João Mascarenhas Mateus is a Senior Researcher at the Centre for Social Studies and a member of the Cities, Cultures and Architecture research group. He holds a MSc in Architecture from the Katholieke Universiteit Leuven, Belgium, and a PhD in Civil Engineering issued by the Technical University of Lisbon (2001) and prepared at the University ‘La Sapienza’ of Rome, Italy. He has worked as an expert for the General Directorate X – Culture from the European Commission on the evaluation of projects of Preservation of Cultural Heritage. In Rome, he designed and directed several restoration projects for the Portuguese Institute and for the Portuguese Pontifical College. He was technical coordinator of the Candidature of Baixa Pombalina of Lisbon to the World Heritage List and senior advisor to the Lisbon City Council Councillor and to the Lisbon Mayor for historical neighbourhoods policies (2003-2006). One of his current fields of research is the relation between urban history and image.
M. Sharon Jeannotte is Senior Fellow at the Centre on Governance of the University of Ottawa. From 2005 to 2007, she was Senior Advisor to the Canadian Cultural Observatory in the Department of Canadian Heritage. From 1999 to 2005, she was the Manager of International Comparative Research in the Department’s Strategic Research and Analysis Directorate. She has published research on a variety of subjects, including the impact of value change on Canadian society, international definitions of social cohesion, the points of intersection between cultural policy and social cohesion, the role of culture in building sustainable communities, culture and volunteering, and immigration and cultural citizenship. In 2005, she co-edited with Caroline Andrew, Monica Gattinger, and Will Straw a volume entitled Accounting for Culture: Thinking through Cultural Citizenship, published by the University of Ottawa Press. In 2011, she co-edited with Nancy Duxbury a special issue of the journal Culture and Local Governance on the subject of culture and sustainable communities.
Dr. Caroline Andrew is the Director of the Centre on Governance at the University of Ottawa. Her research areas centre on local government social and cultural policies, and particularly on the relations between local equity seeking groups and their impact on social and cultural policy at the local level. Among recent research projects, she is part of a research team looking at the use and production of non-English, non-French media in the Ottawa region. In 2005 she co-edited with Monica Gattinger, Sharon Jeannotte, and Will Straw a volume entitled Accounting for Culture: Thinking through Cultural Citizenship, published by the University of Ottawa Press. Caroline Andrew is on the steering committee of the City for All Women Initiative and chair of the Board of Women in Cities International.

PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS
Resumo de PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS  PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS  PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS
PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS

A coabitação conjugal, quer como opção transitória, quer como alternativa ao casamento, faz parte de um movimento modernista de formação progressiva do casal e da família (Aboim, 2005; Bozon, 1991; Kaufmann, 1993) em que, por um lado, o início do relacionamento sexual quase sempre coincidente com o começo do namoro e, por outro, a transição para uma vivência a dois sob o mesmo tecto deixam de representar fronteiras perfeitamente definidas. As linhas divisórias entre o «antes» e o «depois» surgem, do ponto de vista sujectivo, cada vez mais diluídas. A coabitação, de acordo com uma interpretação modernista do fenómeno, estaria assim profundamente implicada no processo de individualização da vida familiar (Beck e Beck-Gernsheim, 1995), tornando-a cada vez mais privada e flexível de acordo com a diversidade de escolhas, trajectórias e biografias individuais. Num contexto de crescente desconexão entre sexualidade e casamento, sexualidade e procriação, conjugalidade e casamento, parentalidade e casamento (Giddens, 1992), alguns autores interrogam-se sobre a própria noção de conjugalidade e as suas fronteiras (Kaufmann, 1993; Singly, 1996). Quando começa um casal? O início do relacionamento sexual como acontecimento marcante na formação dos casais substitui, hoje, o papel outrora desempenhado pelo casamento? Quando é que os homens e as mulheres sentem que fazem parte de um casal? Antes ou depois de irem viver juntos? É necessário viver junto para se ter uma relação conjugal? Neste debate, a própria definição de «coabitação» e de «casal» é problemática. Os casais pesquisados, residentes, na sua maioria, na região da Grande Lisboa, com diferentes percursos conjugais, com filhos e sem filhos, de diferentes idades e contextos sociais de classe, têm em comum o facto de terem iniciado uma primeira ou segunda conjugalidade de modo informal. Para os coabitantes, apesar da diversidade de trajectórias individuais, situações conjugais, contextos e significados associados à coabitação, o casamento deixou de ser o acto fundador do casal, ritual de passagem para a vida sexual, conjugal e familiar. Esta comunicação explora alguns dos resultados obtidos através de 48 entrevistas em profundidade que fazem parte de uma investigação mais ampla concluída em 2007 no âmbito de uma dissertação de doutoramento sobre a coabitação conjugal na sociedade portuguesa. Mais especificamente, foca o papel das primeiras vivências e modos de encarar a sexualidade nos percursos de formação dos casais coabitantes, procurando reflectir acerca da importância de algumas variáveis como a classe social, o género, os percursos biográficos mas também a religião, a componente de ruralidade presente em algumas famílias a residir em meio urbano e a pressão social exercida pelas gerações mais velhas sobre os jovens casais, de modo a compreender, em particular, as mudanças e continuidades face à sexualidade e às relações de género.
  • SANTOS, Filomena Matias dos CV de SANTOS, Filomena Matias dos
Filomena Santos, 49 anos, dois filhos, actualmente a viver na Covilhã onde trabalha como docente na Universidade da Beira Interior. Licenciada e Mestre em Sociologia pelo ISCTE, concluiu o doutoramento na UBI em 2008. Os seus principais interesses de investigação incidem na área da Família, Sexualidade e Género. O trabalho que conduziu à dissertação de doutoramento, e que teve como principal objectivo mostrar a diversidade dos significados e contextos das experiências de coabitação na sociedade portuguesa, chegou a uma tipologia de oito perfis: a coabitação moderna, de transgressão, de experimentação, de noivado, circunstancial, masculina, de tradição e instável (Cf. Santos, Filomena (2008), Sem Cerimónia nem Papéis – um estudo sobre as uniões de facto em Portugal, Universidade da Beira Interior. Disponível: http://ubithesis.ubi.pt//hdl.handle.net/10400.6/654; Santos, F. (2012). Perfis de Coabitação em Portugal. Forum Sociológico, 21 (II Série, 2011), 117-126).

PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
Resumo de PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil) PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)

O desenvolvimento e reorganização de territórios são indicativos do processo de modernização das cidades. Em particular, eles andam de mãos dadas com a modernização de equipamentos e estruturas coletivas, e no presente, cada vez mais ligadas às questões relativas ao meio-ambiente. Indicativo de um horizonte de projeções políticas e econômicas, novos projetos forjam a utopia urbana através de novas vias de circulação, de ocupação e renovação do espaço. O ambiente urbano engendra vários interesses e estes estão presentes nas práticas sociais em instituições públicas. Áreas territoriais da cidade refletem a modelos políticos e organizacionais de uma época. Atualmente, as políticas de desenvolvimento urbano realçam a qualidade de vida e utilizam como "sinônimo" da mesma, o desenvolvimento urbano sustentável. No entanto nas tomadas de decisões os habitantes nem sempre são consultados, o que muitas vezes gera tensões entre o que é do domínio do espaço público e do privado. Com uma paisagem ímpar e uma riqueza histórica, multicultural e ambiental peculiar a Armação, ao sul da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, é uma das localidades da ilha que ainda resiste ao processo de expansão urbana emanado do centro de Florianópolis depois do início dos anos 90. A localidade conta com a escola Dilma Lúcia dos Santos que tem um papel social notável na comunidade. Ela participa na organização social do espaço urbano local e projeta a reconfiguração espacial do lugar através do Projeto “Entorno Escolar”. Este foi concebido em 2005 pela comunidade escolar, e desde então mobiliza moradores e associações de bairro. O objetivo principal do projeto é, cito: “Transformar o terreno do entorno da escola Dilma Lúcia dos Santos em área pública e propor formas de ocupação visando o desenvolvimento sustentável e o exercício da cidadania.” Mas o caminho não é tão fácil porque o terreno se situa num território de grande interesse político e econômico. Entre as dificuldades de executar o projeto está a oposição dos atuais proprietários que objetivam a construção de um condomínio fechado. Esta comunicação pretende a partir da experiência de campo de minha pesquisa de doutorado, apresentar elementos que despontam em torno do projeto “Entorno Escolar” como práticas sociais, políticas e culturais locais e problemáticas vividas na execução deste.
  • PARABOA, Clara Rosana Chagas CV de PARABOA, Clara Rosana Chagas
Clara Rosana Chagas Paraboa
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis -Brasil)

CV
Licenciada em Geografia (UFSC[1]), com Mestrados em Ciências da Educação (UFSC e Lyon 2[2]). Especialista no ensino de geografia e meio-ambiente para crianças, atuou como professora durante 15 anos em Florianópolis (Br) e desde 2010 desenvolve numa escola em St. Fons (Fr) um projeto intitulado P’tits Architectes de la Ville[3]. Encontra-se no segundo ano de doutorado em Antropologia (Lyon 2) associada ao Laboratório CREA (Centre de Recherches et d’Etudes Anthropologiques) com o projeto de tese intitulado “O território da escola: Contexto e desafios no planejamento urbano. Sociabilidade, reivindicações identitárias e meio-ambiente. Florianópolis (Brasil) e Saint Fons (França)”


[1] Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil
[2] Université Lumière Lyon 2 – Lyon - France
[3] Pequenos Arquitetos da cidade

PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
Resumo de PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade

Nos últimos 15 anos o tema das Agriculturas Urbanas (AU’s) adquiriu grande relevância, bem como reconhecimento social e político pelas suas potencialidades socioeconómicas e ambientais, para diferentes actores: governos locais, regionais e nacionais; agências de cooperação internacional; movimentos sociais; organizações do chamado terceiro sector e centros de investigação científica. Apesar de ser uma prática milenar, o recente contexto sociopolítico formado em torno da problemática das AU’s, tem provocado a necessidade de se revisitar diferentes tradições do pensamento sociológico e da história social sobre a cidade e os fenómenos urbanos. Alguns destes fenómenos actuais se sobrepõem às dimensões de agriculturas urbanas pós 1970 em diferentes contextos dos hemisférios norte e sul, lançando o desafio para uma construção conceitual holística e para o aprimoramento de quadros analíticos que rompam com uma abordagem simplista e dicotómica. O contexto português, considerado periférico em relação aos demais países da União Europeia e semi-periférico no quadro do sistema mundial, torna-se metodologicamente (e epistemologicamente) estratégico para se discutir as práticas vividas no território que estão fora das “best practice”. As experiências portuguesas sugerem diferentes discussões contemporâneas a partir da escala urbana, circunscritas no território da Cidade, ao exemplo do Direito à Cidade e suas premissas, a questão da soberania alimentar e a incorporação de políticas de agriculturas urbanas no discurso das cidades sustentáveis (PNUD – Programa Habitat II). Considerando este contexto propomos uma analise critica sobre a distribuição socio-espacial das políticas públicas de hortas urbanas criadas e surgidas nos últimos anos, em particular na Grande Lisboa, onde a ocupação do espaço urbano pela sociedade e o cultivo de hortas são transversais à sua história, numa trajectória que compreende urbanização e práticas de agricultura. A análise desses dois espaços – o das hortas institucionalizadas e o das hortas não planeadas – sugere outros elementos para possíveis compreensões da sociedade urbana contemporânea. Para além do paradigma da cidade (i)legal, esta análise aponta para os elementos que reflectem as vivências formadas no território e que despertam valores associados aos espaços de produção, ao direito à moradia e ao conjunto de elementos situados ao seu entorno e à própria cidade. Palavras-chave: agriculturas urbanas, Área Metropolitana de Lisboa, políticas públicas, espaço urbano não planeado e sociedade.
  •  LUIZ, Juliana CV - Não disponível 
  •  VERONEZ, Leonardo CV - Não disponível 

PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo
Resumo de PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo
PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo

Nos últimos tempos, o skate ganhou demasiada visibilidade de modo que até mesmo muitas emissoras de TV passaram a dá-lo um espaço considerável em suas programações. Essa espetacularização faz com que eventos sejam patrocinados por diversas marcas, que buscam divulgar seus produtos para um público mais amplo, tendo o skate como carro-chefe de uma série de atrações. Mas todos esses aspectos não se aplicam a esse universo em sua amplitude. Por ser uma prática tipicamente urbana, o skate vive seus momentos de disputas, de diálogos, de repressões, principalmente quando associado à utilização de equipamentos urbanos. Entre as várias modalidades que fazem parte do skate, uma delas sempre é alvo de problemas que envolvem uma série de atores sociais: trata-se do street skate, ou seja, a prática do skate nas ruas. Os streeteiros, como se denominam os skatistas desta modalidade, incentivados pela mídia especializada transitam pela cidade, mas, com um olhar apurado para certos equipamentos urbanos, que são vistos como obstáculos a serem superados. A cidade é classificada de uma forma bem diferenciada do usual por eles, que as interpreta a partir de códigos e experiências próprias. Para os streeteiros, andar de skate nas ruas pode se constituir ora como um trabalho, ora como uma diversão. Mas, para as outras pessoas, esta prática pode configurar uma arruaça ou um ato de vandalismo. Numa possível tentativa de disciplinar a prática do skate e de estimular o seu uso em locais apropriados (como nas pistas), o poder público promove algumas ações, como o Circuito Sampa Skate, evento que consiste em uma série de campeonatos. A pesquisa parte da análise dos múltiplos sentidos atribuídos à prática da modalidade street skate na cidade de São Paulo. Por meio da etnografia pretende-se evidenciar não só aspectos em torno do exercício de uma prática esportiva, mas também, as implicações em virtude dos usos e apropriações dos espaços urbanos por parte dos citadinos. De uma forma bem ampla, vislumbra-se mostrar como a cidade pode ser lida e ordenada simbolicamente por meio de um olhar skatista. Nesse sentido, ao pesquisar os diversos lugares skatáveis da cidade e seus respectivos picos, a referência etnográfica não é um único espaço ou aglutinações de pessoas, mas sim, uma multiplicidade de espaços e de atores que se encontram articulados por meio de redes mais amplas de relações. Desse modo, tem-se a chance de relacionar os distintos recortes inseridos no universo do street skate em São Paulo, sendo esse não definido a priori, mas construído a partir de discursos, práticas e representações heterogêneas, e em meio a uma dinâmica relacional.
  • MACHADO, Giancarlo Marques Carraro CV de MACHADO, Giancarlo Marques Carraro
Giancarlo Marques Carraro Machado

Bacharel em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). É autor da dissertação "De 'carrinho' pela cidade: a prática do street skate em São Paulo". Atualmente faz parte do LUDENS / USP (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas).

PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
Resumo de PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite

O objetivo dessa proposta é o de acompanhar e analisar percursos urbanos de jovens grafiteiros de periferia em suas trajetórias de ocupação no espaço urbano e nos ambientes virtuais. Em uma pesquisa efetuada sobre a cartografia de gangues, galeras e o movimento hip hop identificamos que as trajetórias desses segmentos na cidade assumem uma lógica peculiar. São corpos em trânsito que parecem carregar signos do bairro, de filiações grupais, para onde possível for e assim realizar encontros, representações públicas e fincar marcas territoriais. Os corpos juvenis constituíam e ainda constituem um mapa ambulante da metrópole. No caso de grafiteiros, percebe-se formas de produção de signos, que transpõem fronteiras territoriais e criam uma peculiar linguagem no urbano e do urbano. Os fluxos de grafiteiros transpõem a invisibilidade dos bairros de periferia e criam um mapa não fixista da cidade. Os traços e cores esboçados em desenhos e grafites migram dos muros para telas virtuais e ampliam o escopo e a noção de esfera pública. Propomo-nos identificar no corpo dessa nova abordagem qual a noção de território de agrupamentos juvenis que se constituem na esfera das “relações virtuais”. Observa-se através desse foco de observação outra escala da metrópole e novos eixos de produção de identidades culturais e territoriais. Isso significa ultrapassar a visão de espaços delimitados, já que, como bem explicita Machado Pais, nos tempos que correm, os jovens vivem uma condição social em que as setas do tempo linear se cruzam com o enroscamento do tempo cíclico”. Analisaremos assim linhas, contornos e escalas de representação da metrópole contemporânea, através de inscrições, trajetórias e apropriações de jovens "grafiteiros". Vale ressaltar que muitos desses jovens, ao estampar seus grafites em espaços de intenso adensamento urbano, promovem novas reconfigurações de bairros de periferia apenas reconhecidos por situações de conflito e violência. Desse modo, o grafite constitui uma prática de re-apropriação simbólica do espaço urbano.
  • DIÓGENES, Glória CV de DIÓGENES, Glória
  •  SILVA, Lara Denise. CV - Não disponível 
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.

PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas
Resumo de PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas
PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas

The current work explores the significance of citizenship in the contemporary world, suggesting a new approach to its realization, where artistic practice and the development of cultural awareness combine to produce the creative citizen. This research uses case studies from three Boston metropolitan area neighbourhoods in Massachusetts, USA, to reflect on arts and culture as platforms to re-address citizenship at the community level. The case studies address examples where citizenship is explored through the development of inter-ethnic and face-to-face connections as platforms of artistic inclusion, the creation of a local identity associated with an Arts District, and through physical space appropriation and reinforcement of cultural identity. The relationship between urban public space, community, and culture is understood as a platform that may offer new strategies for urban space revivification, and specific strategies of civic engagement and leadership in these communities, providing impetus for the development of creative citizens.
  • CARVALHO, Claudia CV de CARVALHO, Claudia
Presentemente, coordena o projecto Bando à Parte: Culturas Juvenis,
Arte e Inserção Social, um projecto de formação artística a decorrer
no Teatrão (Oficina Municipal do Teatro) em Coimbra, desde Setembro de
2009.

Completou o Doutoramento em Sociologia, especialização em Sociologia
da Cultura, do Conhecimento e da Comunicação, pela Faculdade de
Economia da Universidade de Coimbra, em Outubro de 2010. Este
doutoramento contou com a coordenação do Professor Doutor Carlos
Fortuna e com a co-coordenação do Professor Ceasar McDowell. Em Maio
de 2004, completou o Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Economia
da Universidade de Coimbra (FEUC), com uma tese que se debruçou sobre
a Associação Cultural e Recreativa de Tondela (A.C.E.R.T), intitulada
«Dinamicas Culturais e Cidadania. As Culturas Locais na
Pos-Modernidade. Um Estudo de Caso».

O trabalho empírico de doutoramento intitulado The Creative Citizen:
Citizenship Building in the Boston Area (que compreende três estudos
de caso nas comunidades urbanas de Jamaica Plain, South End e
Somerville, em Boston) foi realizado no Center for Reflective
Community Practice (agora Commmunity Innovators Lab, Departamento de
Estudos Urbanos do Massachussets Institute of Technology), com a
supervisão do Professor Ceasar McDowell. Este trabalho de investigação
dedicou-se, por um lado, a tentar compreender as diferentes formas
através das quais a cultura e as práticas culturais podem promover a
revivificação social, económica e cultural dos espaços urbanos, dando
origem à criação de novas cidadanias. Por outro lado, pretendeu
identificar estratégias de envolvimento comunitário através das
actividades culturais e artísticas.
Inicia presentemente o seu pos-doc no Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra, no âmbito do projeto Artéria 7: o centro em
movimento, projecto de investigação-ação em colaboração com O Teatrão
(Oficina Municipal do Teatro, Coimbra).