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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0820 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
Esta proposta pretende ser uma reflexão em torno das políticas públicas de combate à violência doméstica em Portugal. O objectivo é analisar as políticas indo além da sua enumeração e descrição, fazendo emergir os significados e sentidos que estão por trás da sua existência através da análise dos quadros de referência, esquemas de interpretação construídos socialmente que permitem aos indivíduos localizar, perceber, identificar e rotular a realidade envolvente (frames). Constituem-se como bases simbólicas que significativamente estruturam o mundo social e que moldam e são moldados pelo sector político.
Estudos anteriores realizados na Europa apontam para a existência de diferentes representações da violência doméstica, assim como várias origens e respostas para este problema. Assim, e através da análise dos discursos políticos sobre a violência doméstica, têm vindo a ser identificados pontos de tendência e frames que revelam como a classe política entende o problema da violência doméstica com base em representações em torno da igualdade de género; da mulher como vítima; das normas sociais; do Estado de Direito; da saúde pública, entre outras.
Partindo de Goffman (1974) abordamos o sistema político segundo uma perspectiva interaccionista onde os frames ajudam os indivíduos a ordenar a realidade por eles percebida através de uma espécie de “background” cognitivo que fornece instrumentos para os actores sociais criarem formas organizadas de ver o mundo e os acontecimentos que os rodeiam. De acordo com esta perspectiva, não existem dinâmicas sociais e estruturas políticas fixas e pré-determinadas mas sim dinâmicas e estruturas mutáveis e em constante renegociação, moldadas por repetições de acontecimentos e interpretações daquilo que é transmitido aos indivíduos. Concomitantemente são-nos dadas ferramentas para definir o que se está a passar de acordo com os princípios de organização que estruturam os eventos.
Interessa-nos fundamentalmente analisar três momentos que consideramos marcantes para as políticas públicas de combate à violência doméstica: a criação da primeira lei que autonomizou o crime de violência doméstica; a passagem de crime privado para semipúblico e de semipúblico para crime público. Em cada um deles apresentamos aspectos relevantes dos textos políticos que nos permitem definir representações relativamente a três questões fundamentais: como se define o problema da violência doméstica; qual a sua causa; e como é que é pensado o combate a este problema social e político.
- SANTANA, Ricardo

Ricardo Santana, Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Assistente de Investigação no Cesnova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) e no Observatório Nacional de Violência e Género desde 2008. A sua actividade de investigação tem-se desenvolvido nas áreas das Políticas Públicas e Violência de Género. É Mestrando em Sociologia.
PAP0821 - Representações políticas: o combate à violência doméstica
Esta proposta pretende ser uma reflexão em torno das políticas públicas de combate à violência doméstica em Portugal. O objectivo é analisar as políticas indo além da sua enumeração e descrição, fazendo emergir os significados e sentidos que estão por trás da sua existência através da análise dos quadros de referência, esquemas de interpretação construídos socialmente que permitem aos indivíduos localizar, perceber, identificar e rotular a realidade envolvente (frames). Constituem-se como bases simbólicas que significativamente estruturam o mundo social e que moldam e são moldados pelo sector político.
Estudos anteriores realizados na Europa apontam para a existência de diferentes representações da violência doméstica, assim como várias origens e respostas para este problema. Assim, e através da análise dos discursos políticos sobre a violência doméstica, têm vindo a ser identificados pontos de tendência e frames que revelam como a classe política entende o problema da violência doméstica com base em representações em torno da igualdade de género; da mulher como vítima; das normas sociais; do Estado de Direito; da saúde pública, entre outras.
Partindo de Goffman (1974) abordamos o sistema político segundo uma perspectiva interaccionista onde os frames ajudam os indivíduos a ordenar a realidade por eles percebida através de uma espécie de “background” cognitivo que fornece instrumentos para os actores sociais criarem formas organizadas de ver o mundo e os acontecimentos que os rodeiam. De acordo com esta perspectiva, não existem dinâmicas sociais e estruturas políticas fixas e pré-determinadas mas sim dinâmicas e estruturas mutáveis e em constante renegociação, moldadas por repetições de acontecimentos e interpretações daquilo que é transmitido aos indivíduos. Concomitantemente são-nos dadas ferramentas para definir o que se está a passar de acordo com os princípios de organização que estruturam os eventos.
Interessa-nos fundamentalmente analisar três momentos que consideramos marcantes para as políticas públicas de combate à violência doméstica: a criação da primeira lei que autonomizou o crime de violência doméstica; a passagem de crime privado para semipúblico e de semipúblico para crime público. Em cada um deles apresentamos aspectos relevantes dos textos políticos que nos permitem definir representações relativamente a três questões fundamentais: como se define o problema da violência doméstica; qual a sua causa; e como é que é pensado o combate a este problema social e político.
- SANTANA, Ricardo

Ricardo Santana, Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Assistente de Investigação no Cesnova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) e no Observatório Nacional de Violência e Género desde 2008. A sua actividade de investigação tem-se desenvolvido nas áreas das Políticas Públicas e Violência de Género. É Mestrando em Sociologia.
PAP1058 - Violência Doméstica e Mulher Indígena: aspectos da Legislação Brasileira
A Faculdade Indígena Intercultural (F.I.I.) em
Mato Grosso, Brasil tem intensificado debates
sobre sexualidade, relações de gênero e
diversas temáticas em que correlacionam suas
vivências no interior das comunidades. No
contexto da disciplina Direito Intercultural
apoiados em ensinamentos de Verdum (2008),
Castilho (2008), Stavenhagem (2007) e outros
autores foram estudados ritos da legislação,
processos civis e penais que revelaram
particularidades sobre os direitos das mulheres
indígenas, pois necessitam ser entendidos e
complementados a partir da ótica constitucional
e cultural. A Lei nº. 11.340/2006 disciplina a
violência doméstica e homenageou a Biomédica
Maria da Penha Maia que mobilizou a sociedade
mundial ao denunciar o marido que a deixou
tetraplégica por tentar matá-la duas vezes.
Várias estatísticas demonstram que as mulheres
hoje ocupam lugares que lhe garantem certa
igualdade de gênero, porém mostram
quantitativamente as situações de violências
físicas, morais, intelectuais e psicológicas
onde haja vínculos afetivos entre a vítima e o
agressor. Após a instituição da lei verificou-
se uma mudança positiva no conceito de família,
comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços
naturais, por afinidade ou por vontade
expressa. Modificou diversas leis e a estrutura
do judiciário e organismos responsáveis pela
aplicação e garantia de penas mais severas.
Torna-se imperioso desmistificar a reprodução
do indígena em sua aldeia que sobrevive no
imaginário da sociedade envolvente e
simplificam a percepção e a valorização que os
indígenas têm de corpos desnudos, ornamentados,
vestidos para as festas, dança e rituais.
Querem ser visualizados em suas expectativas,
aspirações por segurança, alimentação, trabalho
e outros aspectos. O Movimento das Mulheres
Indígenas ao longo de quatro décadas reivindica
ao Estado Brasileiro políticas públicas para
proteção e respeito aos seus direitos. Em
algumas assembléias surgem questionamentos
sobre a implantação da Lei: Devem seguir as
diretrizes do Estatuto do Índio (lei nº
6001/73)? O cacique poderá receber a denúncia e
esta ser reconhecida pelo Estado? As discussões
entre índios que se casam com várias indígenas
na aldeia e tem muitas brigas serão alcançadas
por esta lei e como serão resolvidas? Assim, os
professores indígenas refletiram que o
enfrentamento da violência para dirimir crises
e conflitos perpassa no respeito e tolerância
das complexidades étnicas multiculturais, bem
como em combater problemas como consumo de
drogas e álcool que contribuem para gerar
violência nas aldeias, inverter papéis na
cultura indígena, pois incapacita os homens
para o trabalho da roça e consequentemente
desestrutura toda a organização familiar.
- LIMA, Sandra Maria Silva de

- JANUÁRIO, Elias Renato da Silva
Graduada em Licenciatura em História e Bacharel em Ciências Jurídicas; Especialista em Educação Ambiental e Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Especialista em Processo Civil pela Universidade Gama Filho-Rio de Janeiro. Oficial de Justiça - TJMT e Docente na Faculdade Indígena Intercultural (UNEMAT). Experiência na área de EducaçãoIndígena, Direito e Legislação Agroambiental.
PAP0045 - Violência, crime e a dimensão simbólica da Lei
A presente
comunicação versa
sobre um projecto de
investigação de
doutoramento em
Sociologia que se
encontra a ser
desenvolvido no
CIES-ISCTE-IUL, sob
a orientação
científica do Sr.
Prof. Doutor Paulo
Pereira de Almeida
(ISCTE-IUL). O objecto
empírico abordado é
o crime de violência
doméstica e as suas
dimensões materiais
e simbólicas através
do olhar dos
diversos operadores
que lidam de perto
com esta realidade
(magistrados
judiciais,
magistrados do
Ministério Público,
advogados, órgãos de
polícia criminal,
assistentes sociais,
psicólogos, sem
olvidar as vítimas),
com um especial
enfoque no papel
desempenhado pelas
forças de segurança,
à luz da Sociologia
do Crime, em
triangulação com o
universo da
Sociologia do
Direito e as
Políticas de
Segurança que, nesta
senda, pretendemos
repensar. É nosso
desiderato, assim,
apresentar um
contributo com
aplicabilidade
prática, na medida
em que as conclusões
da presente
investigação deverão
representar um
avanço positivo para
a sociedade em
matéria de relações
entre os cidadãos e
os diversos
operadores da
justiça, sobretudo
as forças de
segurança. Para isso
importa perceber a
forma como os
diversos actores
encaram o objecto
empírico sub judice,
os restantes
parceiros, o
articulado da lei e
as vítimas. Ao
compreendermos este
campo de fenómenos
consideramos que
será possível
apresentar subsídios
para a (re)definição
das políticas de
segurança neste
âmbito em Portugal,
tendo como ponto de
partida a análise ao
Inquérito Nacional à
Vitimação: 2008-2009
desenvolvido pelo
CIES-IUL, financiado
pelo Ministério da
Administração
Interna, e que
consubstancia o
primeiro inquérito
aplicado à escala do
território português
(Continente e
Regiões Autónomas).
- POIARES, Nuno Caetano Lopes de Barros

Nuno Caetano Lopes de Barros Poiares
Formado pelo Colégio Militar, titular de duas licenciaturas pré-Bolonha (Direito e Ciências Policiais) e mestre em Sociologia. Frequentou, com a média final de 18 valores, o curso de doutoramento em Sociologia (componente curricular) e, neste momento, é doutorando em Sociologia (2.º ano curricular) no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É Oficial da Polícia de Segurança Pública, Professor de Sociologia do Direito no Curso de Licenciatura em Solicitadoria do Instituto Politécnico de Beja; Professor de Sociologia do Desvio no Curso de Pós-graduação em Enfermagem Forense da Universidade de Atlântica e no Curso de Mestrado em Criminologia e Investigação Criminal no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (Lisboa), onde também orienta dissertações de mestrado. É Assistente de Investigação no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) e Investigador Convidado do Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime e do Centro de Investigação do ISCPSI. Tem experiência de trabalho em Bruxelas e Angola e em outros estabelecimentos de ensino superior. É autor e co-autor de diversos títulos da área da Sociologia e dos Comportamentos Desviantes. É Consultor em diversos Organismos.