PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
A Sociologia e Antropologia Visuais registaram um desenvolvimento notável nos últimos anos. Em particular, os métodos de recolha, análise e interpretação de fontes visuais propõem novos cursos e percursos para o investigador. No entanto, a incomensurável mudança epistemológica recente deriva da emergência das metodologias visuais nunca dantes vistas, utilizando instrumentos digitais, transmedia e em rede.
Neste texto, para além da apresentação de um estudo de públicos num museu de arte, pretende-se mostrar e demonstrar algumas das cumplicidades e permeabilidades entre as Ciências Sociais do visual e os utensílios experimentais digitais para a pesquisa, que englobaremos no conceito federador ‘Metodologia GeoNeológica’.
Par isoo, o projecto intitulado Comunicação Pública da Arte-CPA visou 2 direcções principais da pesquisa:
1) Uma reflexão sociológica, através da qual foi efectuado um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais.
No respectivo campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade).
A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva foram as seguintes:
2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema digital de aprendizagem e investigação informais para as artes, a usar em museus ou em outras instituições culturais, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras de um artista. Nesta perspectiva, foi realizado um Questionário Interactivo Multitoque e um jogo cultural nomeado Jogo das Tricotomias, na referida exposição da artista Joana Vasconcelos em 2010.
- ANDRADE, Pedro de

Professor na FBAUL. Investigador do CECL, FCSH-UNL e no CECS, ICS da Univ. do Minho. Coordenador do projecto de pesquisa 'Comunicação Pública da Arte: o caso dos museus de arte locais/globais', entre outros projetos apoiado pela FCT e por outras instituições nacionais e internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens. Membro do Comité de Rédaction da revista LORETO, Ministère de la Culture e Université Libre de Bruxelles. Director da revista Atalaia. Autor de diversas obras e eventos nas áreas da Sociologia, cinema, artes visuais e digitais e no ciberespaço/cibertempo. Obras recentes: 2011a, Sabores e saberes do beber: consumos de lazer, poder e cultura em cafés, tabernas e bares Portugueses, Ed. Univ. Estadual da Paraíba, Brasil. 2011b, Sociologia Semântico-Lógica da Web 2.0/3.0 na sociedade da investigação: significados e discursos quotidianos em blogs, wikis, mundos/museus virtuais e redes sociais semântico-lógicas, Lisboa, Ed. Caleidoscópio. 2011c, Novas autorias / leitorias / actorias: escrita comum, literacias híbridas e anti-vigilâncias na Web 2.0, Ed.Caleid. 2011d, Novela GeoNeológica nº 1: um caso de Literatura Transmediática, Caleid.
PAP1377 - Blogs e direitos humanos à comunicação para comunidades de contexto popular: um estudo de caso sobre a comunicação comunitária através da web 2.0
O artigo analisa a participação de duas
comunidades de contextos populares em blogs
hospedados na web 2.0, para saber se esses
novos meios possuem potencial de influenciar o
desenvolvimento local e de promover direitos
humanos à comunicação. Entende-se, nessa
pesquisa, as comunidades de contextos
populares como agrupamentos de habitantes em
uma área comum, que compartilham uma situação
de vulnerabilidade econômica e social e,
nesses ambientes, a comunicação comunitária se
torna um bem de grande valor para a melhoria
da situação dessa população. Acredita-se que
quando pessoas desfavorecidas socialmente
acessam um novo direito humano elas se
desenvolvem e, a cada novo direito
conquistado, as diferenças sociais são
reduzidas também. Observa-se, no contexto da
cibercultura, uma crescente produtividade e
consumo simbólico de conteúdos digitais
distribuídos e consumidos, principalmente, a
partir de sites com formato de blog, que
possibilitam a postagem de comentários dos
leitores. O que caracteriza a web 2.0,
basicamente, são as possibilidades
interativas, por isso os blogs se tornam
componentes fundamentais desse ambiente de
redes digitais. O grande volume de conteúdos
disponíveis na internet vem possibilitando aos
indivíduos um maior desenvolvimento
intelectual, questão abordada também por
Pierre Levy (2004). Além disso indivíduos, que
antes da web apenas conheciam a comunicação de
fluxo unidirecional, estão obtendo através
dela, espaço para promoção de suas ideias e,
para os mais empreendedores, a possibilidade
de ganhos financeiros, questões que podem
influenciar processos de desenvolvimento local
sustentável. Assim, para realizar essa análise
foram selecionados, como amostra, os conteúdos
dos blogs de representantes das comunidades,
localizadas na Região Nordeste do Brasil: Ilha
de Deus e Caranguejo Tabaiares. O artigo busca
embasamento teórico para entender os sentidos
de comunidade local e consumo simbólico, em
Zygmunt Bauman (2008, 1999); para debater a
novas mídias digitais, observa os textos de
Carlos A. Scolari (2008) e Charo Lacalle
(2010); para falar de desenvolvimento local
sustentável, estuda Sérgio C. Buarque (2008) e
José Eli da Veiga (2005); e sobre direitos
humanos à comunicação, Mione Sales e Jefferson
Ruiz (2009) e Fábio Konder Comparato (1997).
Dois questionamentos emergem em uma avaliação
preliminar: um relacionado ao compromisso dos
administradores do blog com a regularidade do
conteúdo e outro ligado ao engajamento da
população do loca
- FREIRE, Adriana do Amaral

Adriana do Amaral Freire é Comunicadora Social com Habilitação em Relações Públicas pela Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, especialista em Administração com Ênfase em Marketing e Mestra em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Brasil. Professora universitária do Instituto Superior de Economia e Administração, onde ministra disciplinas de Introdução a Tecnologia da Informação, Comércio Eletrônico, Tecnologias da Informação para Educação, Ética e Cidadania, Metodologia da Pesquisa, dentre outras; Professora da Faculdade Joaquim Nabuco, responsável pela disciplina de Radiojornalismo. Participou dos Projetos de Pesquisa: Pescando Pescadores - UFRPE; e Rádio Comunitária, Gênero e Desenvolvimento Local, a recepção do Programa Rádio Mulher pelas mulheres da Comunidade do Pirapama - PE, também pela UFRPE. Possui trabalhos publicados na Revista Comunicação e Sociedade, Revista Polêm!ca e Biblioteca Online de Ciências da Comunicação - BOCC, nas áreas de comunicação comunitária, rádio, estudos de gênero, desenvolvimento local e sustentável e novas mídias sociais.
PAP0375 - Social media como ferramenta de comunicação para museus: Tendências e práticas actuais
A evolução da Internet e especialmente da Web, originou mudanças expressivas na forma como o indivíduo comunica. Os social media permitem que os indivíduos interajam de formas inovadoras e colaborativas, alterando a forma como estes se relacionam. Os museus não são indiferentes a esta mudança de paradigma comunicacional, estando cada vez mais a desenvolver esforços para se integrarem com ferramentas que permitem novas estratégias de comunicação que facultem o acesso de forma mais eficaz ao seu público. Os social media oferecem novas formas de colaboração, o que permite ao museu conhecer melhor o público, podendo ajustar-se na gestão, curadoria e comunicação, com a contribuição dessas novas ideias e visões. O desafio, para o museu, da utilização dessas ferramentas com base em estratégias de comunicação com o público adequadas, representa uma tarefa que se mostra complexa devido à inexistência de directrizes de aplicação e medição de resultados nos social media. A utilização de social media por parte dos museus necessita mais do que ferramentas digitais ou novas tecnologias, visto que pressupõe formas alternativas de comunicação museológica, substituindo a inércia pela interactividade, a observação pela geração de conteúdos e elitismo pela heterogeneidade de públicos que concebem novas visões e perspectivas. Para tal são utilizados, estruturadamente, variados sistemas online que permitem a interacção dos indivíduos e a criação de forma descentralizada, colaborativa e participativa de conteúdos. Desta forma, os museus têm diversas aplicações concebidas com base nos fundamentos tecnológicos e ideológicos da Web 2.0, que permitem a concepção, troca e partilha de conteúdos concebidos pelo utilizador. São exemplos das aplicações de social media: os blogues e microblogues, as redes sociais, wikis, media sharing services, social bookmarking, social tagging, RSS feeds, etc.
Concebe-se que os social media oferecem oportunidades significativas para as instituições museológicas se relacionarem com públicos diversos e heterogéneos, iniciando diálogos personalizados com o seu público com o objectivo de de aumentar o envolvimento deste com o museu promovendo a participação e a colaboração, e fornecendo informação mais direccionada para um público especifico podendo promover a utilização não só dos social media como a visita a outros canais de comunicação do museu e bem como a visita presencial ao museu.
- CARVALHO, Joana

- RAPOSO, Rui
Joana Carvalho, Professora do Instituto Superior de Tecnologias Avançadas. Doutoranda em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais da Universidade de Aveiro e Faculdade de Letras da Universidade do Porto e licenciada em Engenharia Multimédia no ISTEC. Desenvolve atualmente trabalho de investigação em Social Media, Comunicação e Cibermuseologia, dedicando-se a construção da Tese de doutoramento com o título “A adopção de social media por museus como uma ferramenta de comunicação”.