PAP1446 - Conjugalidade e bem-estar mental de seniores em idade ativa face à perda de trabalho remunerado
Em Portugal, uma parte substancial dos desempregados que resultaram da actual conjuntura económica e social, terá mais de 50 anos. Particularmente para estes activos mais velhos o desemprego poderá resultar numa saída prematura do mercado de trabalho. Esta desvinculação precoce da vida activa, bem como a própria experiência de desemprego, acarretam riscos acrescidos também para a saúde. Desempregados e reformados em virtude de redundância, apresentam frequentemente sintomatologia depressiva, perturbações de ansiedade, comportamentos suicidas e de adição e têm maior risco de acidente cardiovascular (Wanberg, 2012)
Sabemos ainda que a conjugalidade será um factor de proteção do bem-estar, pelo que aqueles que estão casados ou vivem em união, apresentam melhores níveis de bem-estar psicológico do que os solteiros, divorciados ou viúvos (Reneflot e Mamelund, 2011). Contudo, um evento complexo como a desvinculação do mercado de trabalho acaba por ter implicações negativas na vida familiar e conjugal, pelo que o divórcio/ separação é recorrente após o desemprego de um dos membros do casal. A experiência de desemprego tem efeitos a nível individual, social e familiar, ficando assim as relações conjugais mais expostas a efeitos colaterais. Segundo vários estudos o desemprego de um dos membros do casal tende a aumentar o divórcio (Rege et al., 2007), contudo há ter em atenção um conjunto de condições socais, económicas e culturais.
Metodologicamente, procuraremos saber de que forma certas relações _nomeadamente de conjugalidade _ podem ser recursos/ ou afectadas numa situação de desemprego ou de afastamento prematuro do mercado de emprego. Para que se possa atingir este objectivo será utilizada a informação recolhida muito recentemente em Portugal através do SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe) projeto europeu transnacional que compila informação sobre a população com 50 e mais anos em 14 países. De uma amostra de 1500 indivíduos procura comparar-se os que estão numa situação de conjugalidade com os que não estão. A satisfação com a relação será também considerada aquando da análise. Trataremos ainda de distinguir diversos clusters em função de um alargado número de características socioeconómicas.
Wanberg, C. (2012), The Individual Experience of Unemployment, Annu. Rev. Psychol. 63:2.1–2.28
Rege,M., Telle, K., Votruba,M. (2007). Plant Closure and Marital Dissolution.
Discussion Papers No. 514, Statistics Norway, Research Department.
Reneflot, A., Mamelund, SE (2011)The Association Between Marital Status and Psychological Well-being in Norway European Sociological Review Vl.0 No. 0 1–11