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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.
A morte, ou mais precisamente, a consciência da morte, constitui fundamento essencial para o fundamento da vida. Se o homem não tivesse consciência da morte, se não concebesse a ideia da sua finitude, a vida (e logo a vida social também), perderiam muito do seu significado. Surgindo como forma do homem alcançar e atribuir alguma ordem e sentido à força caótica da natureza, a cultura humana toma, no que se refere às atitudes face à morte e à memória dos mortos, um forma especial.
É na certeza da sua morte física que o homem desenvolve as mais diversas formas culturais, simbólicas e materiais, que procuram impedir que um dia, sendo morto, os ainda vivos se esqueçam dele. É através da memória que o homem mantém presentes aqueles que já morreram, dando forma à concepção conteana de humanidade, que contemplava não só aqueles que estão vivos como aqueles que já morreram e todos os que hão-de vir.
Mas à semelhança do que acontece nas restantes esferas sociais, os regimes de memória vão sendo alterados. Numa longa história que se materializou em obeliscos, pilares, pirâmides, monumentos, túmulos, estátuas, jazigos, capelas, nos quais os seres humanos também quiseram geralmente inscrever palavras, informações e mensagens, e que o mundo moderno acrescentou técnicas de comunicação como os jornais, notícias e anúncios, assiste-se agora a uma outra sequência estimulada pelas novas tecnologias da informação. Estas têm feito irromper novos rituais, formas cerimoniais, códigos de rememoração e inclusivamente modalidades de reunião dos mortos no mundo dos vivos através do manto da “tele-presença” e de um impedimento aparente do corte da comunicação.
No mundo virtual, através das redes sociais, memoriais on-line, blogs e cemitérios virtuais, os novos suportes de memória suscitam questões variadas, uma vez que permitem, como nenhum outro, a perpetuação da ilusão da presença daquele que já morreu. Através de dispositivos de imagem, movimento e som, através da manutenção e dinamização das suas páginas no facebook, o encontro com os mortos faz-se, já não por meio da tradicional visita aos cemitérios (muitos dos corpos são hoje cremados e as cinzas volatilizadas), mas no espaço virtual, através do écran do computador.
- MENDES, Ana Celeste

Ana Celeste Mendes é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela
Universidade Católica Portuguesa, Pós Graduada em Jornalismo pelo
ISCTE, Mestre em Comunicação Cultura e Tecnologias da Informação pelo
ISCTE e Doutoranda em Sociologia no CIES-ISCTE. Bolseira da FCT,
tem-se dedicado, sobretudo, ao estudo das questões sociais ligadas à
morte e ao morrer na sociedade contemporânea. Lecciona Sociologia da
Saúde da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.
PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
O objetivo dessa
proposta é o de
acompanhar e
analisar percursos
urbanos de jovens
grafiteiros de
periferia em suas
trajetórias de
ocupação no espaço
urbano e nos
ambientes virtuais.
Em uma pesquisa
efetuada sobre a
cartografia de
gangues, galeras e o
movimento hip hop
identificamos que as
trajetórias desses
segmentos na cidade
assumem uma lógica
peculiar. São corpos
em trânsito que
parecem carregar
signos do bairro, de
filiações grupais,
para onde possível
for e assim realizar
encontros,
representações
públicas e fincar
marcas territoriais.
Os corpos juvenis
constituíam e ainda
constituem um mapa
ambulante da
metrópole. No caso
de grafiteiros,
percebe-se formas de
produção de signos,
que transpõem
fronteiras
territoriais e criam
uma peculiar
linguagem no urbano
e do urbano. Os
fluxos de
grafiteiros
transpõem a
invisibilidade dos
bairros de periferia
e criam um mapa não
fixista da cidade.
Os traços e cores
esboçados em
desenhos e grafites
migram dos muros
para telas virtuais
e ampliam o escopo e
a noção de esfera
pública. Propomo-nos
identificar no
corpo dessa nova
abordagem qual a
noção de território
de agrupamentos
juvenis que se
constituem na esfera
das “relações
virtuais”.
Observa-se através
desse foco de
observação outra
escala da metrópole
e novos eixos de
produção de
identidades
culturais e
territoriais. Isso
significa
ultrapassar a visão
de espaços
delimitados, já que,
como bem explicita
Machado Pais, nos
tempos que correm,
os jovens vivem uma
condição social em
que as setas do
tempo linear se
cruzam com o
enroscamento do
tempo cíclico”.
Analisaremos assim
linhas, contornos e
escalas de
representação da
metrópole
contemporânea,
através de
inscrições,
trajetórias e
apropriações de
jovens
"grafiteiros". Vale
ressaltar que muitos
desses jovens, ao
estampar seus
grafites em espaços
de intenso
adensamento urbano,
promovem novas
reconfigurações de
bairros de
periferia apenas
reconhecidos por
situações de
conflito e
violência. Desse
modo, o grafite
constitui uma
prática de
re-apropriação
simbólica do espaço
urbano.
- DIÓGENES, Glória

- SILVA, Lara Denise.
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.