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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Criança»

PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)
Resumo de PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório) PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)
PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)

Esse projeto de pesquisa propõe uma intervenção em escolas públicas, a partir da perspectiva da Cultura de paz e da não violência em escolas na Restinga (em Porto Alegre) e em Medianeira (em Osório). A violência hoje é um assunto que faz parte das discussões do nosso cotidiano, em todas as esferas da nossa vida social e, principalmente, na escola. Uma das variáveis fundamentais para se compreender o crescente aumento da violência da sociedade brasileira não é apenas a desigualdade social, mas o fato desta ser acompanhada de um esvaziamento de conteúdos culturais, particularmente, os éticos e de cultura de paz, nos sistemas de relações sociais. A perspectiva metodológica a ser adotada é a Pesquisa Participante. Os sujeitos da pesquisa serão os respectivos membros dessas comunidades escolares como: os professores, alunos, equipe diretiva, pais e funcionários. Como resultados esperados, a partir do viés da Pesquisa Participante, pretendemos conhecer o processo de construção de uma cultura de paz e não-violência nas escolas proponentes, estabelecendo coletivamente estratégias que visam acabar ou coibir a violência no contexto escolar, e também, posteriormente, a partir dos resultados obtidos, promover cursos de extensão voltados para a formação continuada de professores na perspectiva da Cultura de Paz e Não-Violência. A pesquisa encontra-se em fase de coleta de dados. A Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura baseada em tolerância, solidariedade e compartilhamento em base cotidiana, uma cultura que respeita todos os direitos individuais - o princípio do pluralismo, que assegura e sustenta a liberdade de opinião - e que se empenha em prevenir conflitos resolvendo-os em suas fontes, que englobam novas ameaças não-militares para a paz e para a segurança como exclusão, pobreza extrema e degradação ambiental. A cultura de paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação e da mediação, de forma a tornar a violência inviável. Tolerância, democracia e direitos humanos - em outras palavras, a observância desses direitos e o respeito pelo próximo - são os valores "sagrados" para a cultura de paz. A Cultura de Paz é uma iniciativa de longo prazo que deve levar em conta os contextos histórico, político, econômico, social e cultural de cada ser humano. É necessário aprendê-la, desenvolvê-la e colocá-la em prática no dia-a-dia familiar, regional ou nacional. Portanto, é no contexto das escolas, que os profissionais da educação passam a se constituir numa escuta privilegiada dos jovens e das famílias, muitas vezes, isolados de uma rede de solidariedade. Em meio à multiplicação das demandas por cuidados, é através destas questões essenciais, que precisamos refletir sobre o papel da escola frente a estes fenômenos.
  •  COSTA, Giseli Paim CV - Não disponível 
  • RODRIGUES, Stellen Giacomelli CV de RODRIGUES, Stellen Giacomelli
  • LOPES, Felipe Ferreira CV de LOPES, Felipe Ferreira
  •  COSTA, Zuleika Schimidt CV - Não disponível 
Nome: Stellen Giacomelli Rodrigues

Afiliação institucional: Faculdade Cenecista de Osório - FACOS/CNEC

Área de fomação: Psicologia

Interesse de Investigação: Psicologia Social Comunitária
Nome: Felipe Ferreira Lopes
Afiliação Institucional: Faculdade Cenecista de Osório/FACOS - Brasil
Área de formação: Graduando do curso Bacharelado de Psicologia da FACOS
Interesses de investigação: Psicologia Social Comunitária

PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas
Resumo de PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas
PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas

A corporalidade e a motricidade sofrem influências ao ponto de tornar susceptível que um sexo se torne mais hábil do que o outro em termos motores, uma vez que o movimento é influenciado por estereótipos de género (Mello e Romero, 2003). No contexto escolar, parece existir uma constante vigilância de habilidades, de comportamentos, de desempenhos que, entre outros aspectos, é regida pelas questões de género. Os estudos de análise da observação de comportamentos de género em crianças são escassos. A presente investigação teve como objectivo conhecer as percepções de género de 28 crianças (16 meninas e 12 meninos) com idades entre os 9 e os 10 anos que frequentavam o 4º ano de uma Escola Básica do 1º Ciclo localizada na cidade do Porto. A pesquisa desenvolveu-se numa perspectiva etnográfica, com abordagem qualitativa, através da observação de comportamentos das crianças e dos professores no contexto de aulas de enriquecimento curricular de Actividades Físicas e Desportivas. Este trabalho permitiu um contacto prévio com o objecto de estudo a que se seguiu a aplicação de focus groups com as crianças e entrevistas semi-estruturadas a dois professores de Educação Física. Os dados obtidos foram tratados pela técnica de análise de conteúdo, depois de processados pelo programa QSRNVivo7. Os principais resultados sugerem que: (i) o modo como se constituem os grupos influencia os comportamentos e desempenhos de meninos e meninas nas actividades desportivas; foram os meninos que mais expressaram reacções de subvalorização relativamente ao desempenho feminino; (ii) entre os meninos, a pressão para os pares serem do mesmo sexo é bastante evidente, relevando-se situações em que o fraco desempenho masculino é alvo de desprezo e equiparação ao desempenho feminino; (iii) nas actividades de grupo e naquelas que implicam maior competitividade, as meninas têm notoriamente menos oportunidades de participarem; (iv) a intervenção do professor reforça a separação entre alunos e alunas ao conceder o poder de escolherem os elementos que compõem as equipas nas várias actividades, sendo notória a tendência para a exclusão das meninas. Em suma, ao longo deste trabalho tornou-se notório o quanto as crianças identificam e reproduzem comportamentos de género, patente no modo como interagem e atuam nas aulas de AFD. A superioridade dos rapazes no desempenho de actividades desportivas é aceite por todos/as como natural e esperada e a participação das meninas é dificultada e subvalorizada. Todos estes factores conjugam-se para uma normalização dos aspectos culturais na aprendizagem da identidade de género. Mas a escola, como as demais instâncias sociais, culturais e políticas (ex: a família, os meios de comunicação), pelas quais circulamos pode auxiliar, de forma ampla, na reconfiguração das desigualdades de género. Este estudo foi financiado no âmbito do projecto FCT/FCOMP -01-0124-FEDER-009573/PTDC/DES/099018/2008.
  • NOVAIS, Carina CV de NOVAIS, Carina
  • SILVA, Paula CV de SILVA, Paula
  •  CARRAPATOSO, Susana CV - Não disponível 
  •  QUEIRÓS, Paula CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Maria Paula CV - Não disponível 
Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".
Paula Silva nasceu no Porto, Portugal, e é doutorada em Ciências do Desporto pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto onde exerce funções de docência e de investigação no CIAFEL. Desenvolve estudos e projetos de investigação no domínio dos Estudos de Género e Desporto. É autora de vários livros e artigos nacionais e internacionais. Foi distinguida com o Prémio Investigação “Carolina Michaelis de Vasconcelos”, (ex-aequo) em 2007. Vice-presidente da Associação Portuguesa Mulheres e Desporto.

PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?
Resumo de PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?  PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?
PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?

Em Portugal o acolhimento de crianças e jovens em risco é maioritariamente composto pelo acolhimento institucional, actualmente designado «residencial». Segundo os dados oficiais mais recentes (2010) do Instituto da Segurança Social existem em Portugal, 9.136 crianças em acolhimento e destas 89% encontram-se em acolhimento residencial. A legislação Portuguesa de Protecção à Infância entende o acolhimento como uma solução transitória, que deve manter-se apenas pelo tempo estritamente necessário à avaliação da situação e à definição do projecto de vida da criança, que não deve, idealmente, exceder os seis meses. No entanto, dados do mesmo relatório mostram que 57,2% do total de crianças se encontravam acolhidas há mais de dois anos, 35,3% há mais de quatro e 19,3% há mais de seis. Na protecção à infância, o objectivo principal passa por encontrar uma solução que garanta o Supremo Interesse da Criança. As orientações técnicas instigam assim os técnicos responsáveis para o uso de processos de tomada de decisão racional, em que deverão considerar todas as alternativas de acção possíveis, prever as consequências de cada acção e compararem cada uma dessas consequências por fim a atingir a solução óptima para a criança. Contudo, determinar o melhor interesse da criança implica a previsão de resultados e consequências bastante complexas e difíceis de estimar. Levanta questões éticas sobre o que é bom ou não para uma criança e não existe uma clara evidência da forma correcta e ideal de actuação. A tomada de decisões exige aos técnicos um considerável esforço, tanto do ponto de vista emocional - tomam-se decisões que podem ter consequências devastadoras na vida de outros - como do ponto de vista intelectual dada a quantidade de informação a tratar e a habitual complexidade das situações. Esta investigação procurou analisar os processos de tomada de decisão na definição dos projectos de vida das crianças em acolhimento residencial. As análises às entrevistas de grupo realizadas às equipas técnicas de 20 instituições de acolhimento de crianças em risco mostram que as tomadas de decisão nem sempre resultam de processos racionais tais como os prescritos pelas Teorias da Acção Racional, mas baseiam-se sobretudo em processos intuitivos, fortemente ancorados em crenças e valores pessoais e encerram consequentemente uma elevada carga de subjectividade, fazendo com que para o mesmo caso sejam encontradas, por diferentes equipas, uma diversidade de soluções óptimas.
  • CUNHA, Sandra CV de CUNHA, Sandra
"Breve nota biográfica: Sandra Mestre da Cunha
Assistente de investigação do Centro de Investigação e Estudos em Sociologia (CIES-IUL), é actualmente doutoranda do programa doutoral em Sociologia do ISCTE-IUL e bolseira da FCT. Desenvolve investigação sobre os 'Processos de Decisão na definição dos Projectos de Vida de Crianças e Jovens em acolhimento residencial”. É licenciada em Sociologia, pós-graduada em Família e Sociedade e em Análise de Dados em Ciências Sociais pelo ISCTE-IUL e em “Children in Adverse Life Situations; Social Work with Children at Risk and their Families” pela Universidade de Gotemburgo, Suécia. É formadora creditada pelo IEFP (CCP nº. F584775/2012) e foi membro da comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Sesimbra de 2005 a 2009. Tem especial interesse nas áreas da família, infância e juventude, género, políticas públicas e ciência política."

PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
Resumo de PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal

No período anterior à institucionalização da democracia em Portugal, a alimentação era uma dimensão da vida social fundamentalmente a cargo das famílias e, em alguns casos, do assistencialismo proveniente de organizações de carácter filantrópico. Com o surgimento do Estado Social, ela passou a estar fortemente mediada pelo Estado, especialmente nas famílias com menos recursos económicos. Mais tarde, com a modernização do Estado, o mercado passou a ter um impacto crescente na vida das populações e, particularmente, na alimentação dos indivíduos. Nos últimos anos, assistiu-se em Portugal, a um conjunto de tendências de modernização do tecido social que, embora assimétricas, conduziram, entre outros, à consolidação da sociedade de consumo. A alimentação está por isso sujeita a uma rede mais abrangente e complexa de interdependências. Importa compreender, neste contexto de múltiplas combinações de recursos e possibilidades de acção, o papel de intermediação destas esferas de sociabilidade na estruturação das práticas alimentares. Ainda assim, a família permanece uma instituição central no processo pedagógico-cultural e, particularmente, na produção das identidades alimentares das crianças e dos cônjuges. Este trabalho presta especial atenção à importância que as interacções domésticas têm na estruturação dos hábitos alimentares dos elementos das famílias com crianças. A partir de uma abordagem compreensiva das negociações envolvidas na produção de culturas alimentares familiares e, numa leitura co-dependente de um conjunto de interferências como o Estado (alimentação escolar), as sociabilidades infanto-juvenis, as culturas familiares, a territorialidade, a exposição ao mercado (media) e a as classes sociais, vou procurar desenvolver um modelo conceptual que permita identificar dinâmicas familiares determinantes na alimentação.
  • TEIXEIRA, José CV de TEIXEIRA, José

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.

PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo
Resumo de PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo
PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo

O tema do consumo na sociedade contemporânea tornou-se um objeto de investigação e ação mais abrangentes. Nossas sociedades se caracterizam pelo consumo de bens e serviços. Entretanto, esse consumo não pode ser avaliado e analisado apenas a partir da ótica da produção desses bens e serviços que serão consumidos. A ampliação da problematização da questão do consumo não se deu apenas a partir da ampliação da importância dos aspectos simbólicos nela envolvidos. Limitada antes ao universo dos indivíduos com algum poder aquisitivo, o eixo da discussão passou a se deslocar também na direção dos adolescentes e das crianças. Assiste-se, assim, a uma transformação no status da criança também no universo do consumo. Antes considerada como um futuro consumidor, que deve ser preparado e cativado para ser fiel a determinados padrões e marcas de produtos, a criança passa a ser vista como um agente que já está apto a consumir esses produtos, independente de não possuir meios materiais que lhe possibilitem o consumo. Ela é reconhecida como consumidora de fato, na medida em que interfere e até mesmo direciona o consumo das unidades domésticas. Nos últimos tempos tem sido crescente a atenção para o público infanto-juvenil em diferentes aspectos, dentre eles o consumo. O objetivo da pesquisa é refletir sobre como as condições da cultura de consumo permeiam o comportamento de consumo de crianças e de adolescentes e se evidenciam no cotidiano escolar. Apesar de não restar dúvida sobre o caráter de transmissão de valores culturais desempenhado pela TV, devemos sempre nos lembrar que ela não atua sobre um público totalmente passivo. Esses valores sofrem uma releitura não sendo assimilados de maneira mecânica. Também se deve considerar que os valores apresentados pela publicidade não são os únicos presentes na sociedade. Embora seja inegável que as crianças cada vez mais estejam envolvidas com produtos industrializados e globalmente distribuídos, isso não as impede de fazer outros usos desses artefatos. Os sujeitos da pesquisa têm mostrado o quanto ressignificavam o que aprendem na TV, revelando-se como sujeitos criativos e não apenas consumidores compulsivos. Eles nos permitiram percebê-los como pertencentes a um mundo cada vez mais tecnológico, freqüentemente, nos mostraram como lidavam com as diferentes tecnologias, fazendo conexões e relações entre elas e ressignificando o que vêem na TV, no computador, no celular, por exemplo. Pensando nas ações das crianças, durante a realização da pesquisa, foi importante perceber a maneira como agem “[...] diante de uma produção racionalizada, expansionista, centralizada, espetacular e barulhenta [...]” (CERTEAU, 2004, p.94), gerando um tipo totalmente diverso do consumo, que tem como característica suas astúcias e sua invisibilidade na maneira de usar o que lhe é oferecido sedutoramente. E são essas práticas que estamos investigando.
  • FREITAS, Patrícia Oliveira de CV de FREITAS, Patrícia Oliveira de
Patrícia Oliveira de Freitas é atualmente professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo realizado estágio doutoral em sociologia da infância, na UMINHO, sob orientação do prof Dr Manuel Jacinto Sarmento. Tem experiência na área de estudos do consumo, com interesse de investigação nos seguintes temas: educação financeira, comportamento do consumidor, publicidade e consumo e práticas de consumo de crianças e adolescentes. E na área de educação, tem interesse pelas questões relacionadas à infância, ao consumo e as novas tecnologias.

PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico
Resumo de PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico
PAP0183 - Consumo e poupança infantil: diferenças por contexto socioeconómico

Neste artigo, explora-se a importância do contexto socioeconómico para as práticas de consumo e poupança das crianças. O estudo das desigualdades e do consumo tem prestado pouca atenção à infância e à educação para o consumo. Esta investigação tem por objectivo comparar as representações e os comportamentos de crianças, pais e encarregados de educação de estratos sociais diferentes, identificando oportunidades educativas que promovam a literacia financeira e a inclusão social. Para tal, recorre-se a uma pesquisa quali-quantitativa centrada em 245 crianças das escolas básicas da Penha de França, em Lisboa, e dos Salesianos do Estoril. Os resultados apontam para diferenças relevantes por escola e contexto socioeconómico dos agregados, levando-nos a reflectir sobre os contributos de Goldthorpe e Lockwood, por exemplo, acerca da mentalidade das classes no que toca ao gasto, ao investimento, ao planeamento do futuro e ao adiamento da gratificação.
  • RIBEIRO, Raquel Barbosa CV de RIBEIRO, Raquel Barbosa
Raquel Barbosa Ribeiro é Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Sociologia, pelo ISCSP-UTL, onde lecciona desde 1998. É professora auxiliar e investigadora no CAPP – Centro de Administração e Políticas Públicas, integra a equipa de coordenação da Secção Temática Classes e Desigualdades da Associação Portuguesa de Sociologia e é membro da ESA Consumption Research Network. Os seus principais interesses de pesquisa incidem sobre o consumo, as classes sociais e a poupança. A sua produção sobre o consumo inclui: “Consumo e classes sociais em Portugal: auto-retratos” (2011, Causa das Regras), “Sociologia do Consumo” (2010, ISCSP-UTL); “Children spend, children save” (10th ESA Conference, 8 de Setembro de 2011, Genève, Suíça), “The impact of economic downturn on “distinctive” consumption choices” (ESA Consumption Research Network Interim Meeting, 27 de Agosto de 2010, Tartu, Estónia); “Consumption and contemporary distinction”, (9th European Sociological Association Conference, 5 de Setembro de 2009, Lisboa); “O consumo: uma perspectiva sociológica” (VI Congresso Português de Sociologia, 26 de Junho de 2008, Lisboa).

PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
Resumo de PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos

Propomo-nos apresentar resultados provenientes de uma pesquisa sociológica sobre os usos e efeitos, escolares e sociais, do computador Magalhães num agrupamento de escolas de Leiria. Centrar-nos-emos aqui nos seus usos por parte das crianças, em diversos contextos (casa, escola e outros espaços de sociabilidade), a partir do cruzamento do olhar de distintos atores sociais: as próprias crianças, pais e professores. Um dos desafios que se coloca na sociedade da informação refere-se às desigualdades e relações de poder que lhe estão subjacentes, fenómeno que tem assumido designações diferentes, como infoexclusão, divisão digital ou fosso digital. Genericamente, o que parece estar em causa é a clivagem entre dois grupos opostos: os que têm e os que não têm acesso às tecnologias de informação. Múltiplas investigações realizadas nos últimos anos têm vindo a mostrar os contornos destas clivagens noutros países (Cruz, 2008) e em Portugal (Cardoso et al., 2005), apontando estudos relativamente recentes para uma realidade crescentemente complexa e multifacetada. Assim, por um lado, Almeida et al. (2008) sugerem uma rápida disseminação no uso de computadores e da internet, com algum esbatimento das desigualdades sociais entre as crianças e jovens em idade escolar; por outro, Rodrigues e Mata (2003) notam que a utilização das TIC apresenta uma correlação mais forte com o nível de escolaridade do que com a idade, parecendo esbater, pois, o efeito geracional; paralelamente, dados recentes mostram que em Portugal o número de crianças que usa computadores tende a aumentar, mas diminui a vantagem que este grupo tinha sobre os adultos quanto ao uso da internet, estando, agora, quase a par (EU Kids on-line, 2011). A presente pesquisa visa encontrar respostas para um variado leque de questões, nomeadamente: quem usa o computador Magalhães? Quais os seus usos? Em que contextos? Quais os modos de regulação sobre os usos? Por parte de quem? Que efeitos, escolares e sociais, dos seus usos nos vários atores sociais e nas suas interações? Em particular, na sala de aula e na relação escola-família? Perante o problema e este conjunto de questões, a pesquisa assumiu uma natureza longitudinal (2009-2011), pelo que se optou por um design metodológico misto, com uma natureza extensiva (questionários a crianças, professores e famílias) e intensiva (etnografia de uma turma). O tratamento da informação incluiu procedimentos estatísticos com recurso ao SPSS e análise de conteúdo. Os dados apontam para a) uma adesão maciça ao computador Magalhães, mais notória nas famílias de meios desfavorecidos; e b) um uso regular deste portátil pelas crianças, em particular no espaço doméstico. Ele sobressai ainda como c) um computador pessoal para a criança; d) parcialmente, um computador familiar; e, e) um instrumento que permite respeitar os ritmos de aprendizagem, o que se revela particularmente significativo no contexto de sala de aula.
  •  SILVA, Pedro CV - Não disponível 
  •  COELHO, Conceição CV - Não disponível 
  •  FERNANDES, Conceição CV - Não disponível 
  •  VIANA, Joana CV - Não disponível 

PAP0007 - Crianças: estilo de vida e vida com estilo
Resumo de PAP0007 - Crianças: estilo de vida e vida com estilo PAP0007 - Crianças: estilo de vida e vida com estilo
PAP0007 - Crianças: estilo de vida e vida com estilo

Por muito tempo, porventura confundível com a sua própria existência, as crianças puderam manter no seu quotidiano estilos de vida onde o uso informal e discricionário de um tempo próprio tinha lugar antecipadamente marcado, sobretudo para, em grupo, se devotarem a vivências que lhes são muito próprias e por onde se consubstanciam as culturas da infância e, dentro destas, a cultura lúdica, sua expressão primordial que a riqueza do folclore infantil passado como herança cultural intrageracionalmente alimentava em permanência. Era por aqui que ganhava expressão efetiva uma componente seminal do processo de socialização de cada criança, através do qual a destreza física, a autonomia, a aprendizagem da (con)vivência grupal, onde o papel do mais velho se constituía como importante veículo de transmissão cultural, o contacto com a natureza e a constante confrontação com o imprevisto e a consequente necessidade de ultrapassar, de per si, etapas cada vez mais exigentes que a cada instante se colocavam, fazia desse espaço-tempo um riquíssimo momento de apreensão das coisas do mundo em que a geração mais nova se ia, também por aí, paulatinamente, inserindo. O tempo de agora cassou positivamente esse outro que há pouco mais de uma dúzia de anos atrás ainda ocupava um bom pedaço da agenda diária das crianças, hoje cada vez mais ilhadas em instituições que lhes formatam por igual os seu quotidianos, sem deixar uma nesga sequer que seja para esse momento de liberdade de que ontem puderam usufruir. Neste modus vivendi estampa-se um estilo de vida que, paradoxalmente, interroga o que, por inquestionável pertinência, deverá conter uma vida com estilo. A partir dos resultados a que conduziram as investigações que desenvolvemos no decurso de um estudo empírico feito com quatro gerações, pretendemos discutir esta realidade que nos confronta e com isso começar a olhar as identidades e os valores que a adultez trará aos que hoje crescem dentro deste novo paradigma.
  • SILVA, Alberto Nídio CV de SILVA, Alberto Nídio
Alberto Nídio Silva é Doutor em Estudos da Criança, especialização em Sociologia da Infância, pela Universidade do Minho, Instituto de Educação. Pertence ao Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC, unidade 317 da FCT), do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Tem desenvolvido investigação no domínio das culturas da infância, aqui com particular enfoque na cultura lúdica e no folclore infantil enquanto sua expressão primordial. É autor de vários livros, artigos e capítulos de livros. E-mail: albertonidio@hotmail.com

PAP0739 - Factores estruturais, práticas e consumo – Impactos percebidos e efectivos na saúde das crianças
Resumo de PAP0739 - Factores estruturais, práticas e consumo – Impactos percebidos e efectivos na saúde das crianças PAP0739 - Factores estruturais, práticas e consumo – Impactos percebidos e efectivos na saúde das crianças
PAP0739 - Factores estruturais, práticas e consumo – Impactos percebidos e efectivos na saúde das crianças

Investigação realizada pela Organização Mundial de Saúde demonstra que as causas ambientais são um dos principais factores que influenciam a mortalidade/morbilidade das crianças com menos de 5 anos. Problemas como a poluição do ar exterior e interior, contaminação da água, produtos tóxicos e a degradação dos ecossistemas estão entre os principais factores de risco de origem ambiental para as crianças. Nos países desenvolvidos a poluição do ar (seja exterior, seja interior) surge como uma das preocupações principais em termos de impactos sobre a saúde das crianças. Tendo em consideração que na região do Alentejo Litoral está instalado um dos principais clusters industriais em Portugal, um consórcio de diferentes organizações juntaram-se para procurar avaliar o impacto que a poluição industrial pode estar a ter nas populações e, muito em particular, nas crianças. O projecto GISA – Gestão Integrada de Saúde e Ambiente na região do Alentejo Litoral apresenta como principal objectivo desenvolver um sistema de gestão que possibilite às autoridades locais, regionais e nacionais, bem como aos diferentes grupos de interesse, analisarem a evolução da poluição do ar e os seus potenciais impactos na região do Alentejo Litoral. Uma das principais linhas de investigação do GISA prende-se com a procura de compreender o impacto da poluição do ar nas crianças com menos de 2 anos de idade. Para o cumprimento deste objectivo foram realizados inquéritos presenciais a mais de 1600 mães dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, tendo estes sido complementados com 20 entrevistas em profundidade. A informação recolhida permite monitorizar indicadores sócio-económicos (profissão, condições de habitabilidade, contexto familiar) e indicadores culturais (estilos de vida; práticas alimentares, de cuidado pessoal e de consumo; práticas relacionadas com a saúde) que poderão assumir um papel relevante na saúde das crianças. Permite ainda conhecer as percepções das mães sobre relações potenciais entre factores estruturais, práticas quotidianas, práticas de consumo e a saúde das crianças. Os resultados preliminares apontam no sentido de uma reduzida percepção dos possíveis impactos dos diferentes indicadores em análise sobre a saúde das crianças, particularmente dos relacionados com práticas quotidianas. A elevada confiança depositada nos profissionais de saúde enquanto conselheiros sobre as melhores práticas, associado ao facto destes não integrarem no seu aconselhamento muitos das práticas e factores em análise, surge como uma interessante hipótese de trabalho para explicar os resultados obtidos.
  • FONSECA, Susana CV de FONSECA, Susana
  •  NAVE, Joaquim Gil CV - Não disponível 
  •  PEREIRA, Maria João CV - Não disponível 
  •  RIBEIRO, Manuel CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Fernanda CV - Não disponível 
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.

PAP0462 - Famílias reconstruídas - A figura da madrasta: dos contos infantis às representações das crianças
Resumo de PAP0462 - Famílias reconstruídas - A figura da madrasta: dos contos infantis às representações das crianças PAP0462 - Famílias reconstruídas - A figura da madrasta: dos contos infantis às representações das crianças
PAP0462 - Famílias reconstruídas - A figura da madrasta: dos contos infantis às representações das crianças

Segundo as estatísticas do INE os casamentos de homens divorciados e viúvos ascendia em 2009 aos 18,8%, número que tem vindo a aumentar exponencialmente desde o início do século. As famílias têm assumido novas formas nas sociedades actuais, sendo o foco de interesse nesta comunicação as famílias reconstituídas, também designadas como recompostas ou reconstruídas. As crianças são um dos actores envolvidos, e por vezes, mais confundidos, nesta reconstrução que não é imediata, mas que se caracteriza por um processo adaptativo, contínuo, por vezes bastante prolongado e nem sempre de fácil aceitação por implicar simultaneamente perdas, ganhos e novas vivências. Enquanto sujeitos activos da sua vida, e das vidas dos que as rodeiam, as crianças olham o mundo e interpretam-no com uma perspectiva própria, enriquecida de sentido e que até há pouco tempo não era considerada válida ou sequer existente. Baseados neste olhar infantil, com maturidade suficiente para explicar e compreender o seu mundo, analisamos a figura da madrasta, isto é, quais as representações das crianças sobre esta “mãe de substituição” que tantas vezes povoa o imaginário dos contos de fadas que nos habituámos a ouvir desde pequenos. Os contos infantis analisados, como “A Branca de Neve”, “A Cinderela”, entre outros, mostram-nos a negra imagem da madrasta, tão consentânea com expressões idiomáticas da língua portuguesa que se foram enraizando no nosso quotidiano: “Vida madrasta”, significando que a vida foi realmente dura ou recheada de tribulações. Mas afinal, será que é assim que as crianças vêm a figura da madrasta? Os discursos escritos de dezanove alunos do 3º ano do 1º ciclo do ensino básico trazem-nos uma perspectiva desmistificada do que é ser madrasta no século XXI. Nesta amostra incluem-se 13 crianças em famílias nucleares, 5 em famílias monoparentais maternas e uma numa família adoptiva. Da análise de conteúdo das composições escritas encontramos três categorias principais: a madrasta boa, avaliada desta forma por todas as raparigas, sete, e cinco rapazes; a madrasta má, referida maioritariamente por rapazes; e a madrasta enquanto figura materna aceite pelas crianças mas numa posição inferior à da mãe.
  • CARREIRA, Marta Almeida CV de CARREIRA, Marta Almeida
Licenciada em Ciência Política (ISCSP – UTL), mestre em Desenvolvimento, Diversidade Locais e Desafios Mundiais – Análise e Gestão (ISCTE – IUL) e pós-graduada em Proteção de Crianças em perigo e intervenção local (ISCSP – UTL). Atualmente é doutoranda de Sociologia no ISCTE-IUL e bolseira de doutoramento da FCT no CIES-IUL. Tem como principais interesses de investigação a sociologia da infância, crianças e jovens em risco, sociologia da família, ONGs, desenvolvimento social e humano, pobreza e exclusão social.

PAP0461 - Infância (in)visível e (ar)riscada: a parentalidade (des)protectora e a intervenção da CPCJ no discurso de pais de crianças em perigo
Resumo de PAP0461 - Infância (in)visível e (ar)riscada: a parentalidade (des)protectora e a intervenção da CPCJ no discurso de pais de crianças em perigo PAP0461 - Infância (in)visível e (ar)riscada: a parentalidade (des)protectora e a intervenção da CPCJ no discurso de pais de crianças em perigo
PAP0461 - Infância (in)visível e (ar)riscada: a parentalidade (des)protectora e a intervenção da CPCJ no discurso de pais de crianças em perigo

Em 2010 as 300 Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do nosso país acompanharam 68300 processos de crianças e jovens em perigo. Mas por que razão estas crianças foram consideradas em perigo? Quem são os seus progenitores? Que representações estes pais têm dos direitos e necessidades das crianças e de uma parentalidade protectora? De que forma avaliam a intervenção da CPCJ na sua família? Vários estudos internacionais têm mostrado o alto grau de satisfação dos pais na sua relação com os serviços de protecção à infância, Ghate and Hazel (2002); Quinton (2004); Sweet and Appelbaum (2004); Baldwin & Spencer (2005), algo que em Portugal ainda não foi estudado. Partindo daqui, e sabendo que se a família não protege, o Estado tem de intervir na protecção, fizemos uma incursão no mundo das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, uma das formas de operacionalização das políticas públicas de protecção à infância. Paralelamente observámos e falámos com as famílias (des)protectoras que vêm assim trazer uma imagem mais escondida e negra desta instituição, contrariando um pressuposto básico: a família é o elemento base da sociedade que visa proteger e ajudar no desenvolvimento integral e harmonioso das crianças e jovens. No âmbito da pesquisa para a tese de doutoramento, esta comunicação apresenta algumas conclusões da observação participante de um ano e meio numa CPCJ da área metropolitana de Lisboa e da análise de conteúdo de 28 entrevistas estruturadas a progenitores de crianças/ jovens em perigo com processo naquela comissão. Uma das conclusões mais relevantes deste estudo é que as CPCJ são avaliadas positivamente por parte dos pais de crianças e jovens em perigo, sendo finalmente desconstruído o mito de que as CPCJ “só servem para tirar os filhos”. Estas instituições são até consideradas parceiras no desenvolvimento e melhoria das suas competências parentais (assim como pessoais e sociais) por mais de metade dos entrevistados. Relativamente aos direitos e necessidades das crianças, concluímos que os direitos referidos pelos pais foram em muitos casos aqueles cujo desrespeito grave e reiterado originou o risco, levando-a à sinalização das crianças e jovens na CPCJ, o que nos leva a concluir que no decorrer do processo em comissão houve uma aprendizagem construtiva destes progenitores. Além disso, a parentalidade é considerada protectora quando impõe regras, aplica a correcção física e contempla os afectos e a atenção aos filhos, havendo uma contradição evidente entre o discurso e a prática educativa diária.
  • CARREIRA, Marta Almeida CV de CARREIRA, Marta Almeida
Licenciada em Ciência Política (ISCSP – UTL), mestre em Desenvolvimento, Diversidade Locais e Desafios Mundiais – Análise e Gestão (ISCTE – IUL) e pós-graduada em Proteção de Crianças em perigo e intervenção local (ISCSP – UTL). Atualmente é doutoranda de Sociologia no ISCTE-IUL e bolseira de doutoramento da FCT no CIES-IUL. Tem como principais interesses de investigação a sociologia da infância, crianças e jovens em risco, sociologia da família, ONGs, desenvolvimento social e humano, pobreza e exclusão social.

PAP0147 - Infância, socialização e território: a aprendizagem social da delinquência por crianças em contexto de realojamento
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PAP0147 - Infância, socialização e território: a aprendizagem social da delinquência por crianças em contexto de realojamento

Tendo como pano de fundo as profundas mudanças sociais ocorridas nos últimos anos no tecido (sub)urbano em Portugal, nesta comunicação procura-se debater alguns dos principais resultados obtidos num projeto de investigação de Doutoramento em Sociologia apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/ BD/ 43563/ 2008) Fundando-se nos campos do interacionismo simbólico, da ecologia social e da sociologia da infância, esta pesquisa teve por objetivo estudar as relações emergentes entre a delinquência de crianças em idade escolar (1º Ciclo do Ensino Básico: 6-12 anos) e os modelos de urbanização em que se integra a construção de seis bairros de realojamento no concelho de Oeiras, Área Metropolitana de Lisboa. Com base numa linha orientadora que cruza três vetores – infância, delinquência e território – partiu-se da hipótese de que esses modelos articulam-se com o desenvolvimento de processos de socialização e modos de vida facilitadores do acesso das crianças a janelas de oportunidades para a prática de delinquência. Entre final de 2005 e 2009 realizou-se um estudo de caso, de base etnográfica e caráter exploratório no contexto selecionado, desenvolvendo-se uma metodologia qualitativa que resultou da conjugação e complementaridade de diferentes técnicas e instrumentos, de entre os quais se destaca a observação participante, entrevistas a crianças e adultos, técnicas visuais (desenho e fotografias dos bairros) e análise documental, numa lógica analítica compreensiva que teve como ponto de partida a voz das crianças. No final, constatou-se a invisibilidade da problemática da delinquência na infância na estatística oficial não sendo possível identificar os seus contornos a nível nacional por limitações nos instrumentos de notação de diversas entidades. A nível local, a espacialização da diferenciação social na origem destes bairros traduz-se em fragilidades do controlo social, identificando-se um quadro de desorganização social e de baixa eficácia coletiva que favorece a aprendizagem social da delinquência. Detetou-se uma precocidade nas práticas delinquentes que escapa à ação oficial e onde a associação diferencial se faz sentir de modo particular. A transmissão dos valores delinquentes, especialmente em famílias que se constituem como modelos de não conformidade social, assume significativa importância espelhando-se na diluição do controlo social informal e na fraca presença de mecanismos de sanção. Parte das culturas da infância aqui geradas sustenta-se num código e cultura de rua, integrando contributos inter e intrageracionais. Para várias crianças, a delinquência assume um caráter funcional e instrumental, nela encontrando formas atrativas e gratificantes de socialização que variam entre o que consideram ser uma brincadeira e a necessidade de obtenção de reconhecimento em territórios socialmente estigmatizados.
  • CARVALHO, Maria João Leote de CV de CARVALHO, Maria João Leote de
Maria João Leote de Carvalho
Investigadora Integrada do CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), Universidade Nova de Lisboa (UNL).
Doutorada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.
Principais áreas de investigação: delinquência de crianças e jovens, violência urbana, dinâmicas espaciais do crime e eficácia coletiva, sistemas de Justiça Juvenil, Direitos das Crianças, trabalho infantil, e o papel dos meios de comunicação em notícias sobre a delinquência e Justiça Juvenil.
Perita no European Council for Juvenile Justice – Academic Section, do European Juvenile Justice Observatory (EJJO).
Consultora técnica no Programa “Crianças e Jovens em Risco” da Fundação Calouste Gulbenkian.
Docente de Educação Especial em Agrupamento de Escolas abrangido pelo Programa TEIP II, Ministério da Educação.
Autora e co-autora de livros e artigos em publicações nacionais e internacionais.

PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas
Resumo de PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas
PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas

O combate à pobreza e à exclusão social na infância: Geração Escolhas A pobreza é um fenómeno complexo e multidimensional. As abordagens são variadas e têm justificado a pertinência de vários estudos (Townsend, 1979, Silva, 1982, Silva e Costa, 1989, Almeida, 1992; Ferreira, 1997;Pereirinha, 1999; Capucha, 2005; Spicker, 2007; Costa, 2008). Apesar de mais de um século de análise dos fenómenos da pobreza e da exclusão social, é apenas na viragem para o século XXI, que se reconfigura o trabalho investigativo tendo como objecto empírico as crianças, surgindo, em Portugal, pela mão da economia (Bastos, 2008; Bastos, 2011). Não descurando a relevância de uma tal abordagem, torna-se fundamental que a sociologia promova uma análise compreensiva sobre os fenómenos da pobreza e da exclusão consagrando um olhar sobre o lugar da criança em tais processos. A visibilidade social da criança é relativamente recente. Para esta visibilidade contribuiu a publicação da Convenção dos Direitos da Criança (1989). A criança começa a ser vista como sujeito de direitos, dando-se início a uma verdadeira operação de busca do conhecimento sobre a criança em si própria (Corsaro, 1997; Sarmento, 2002; Bastos, 2008; Sarmento e Veiga, 2011). Esta comunicação pretende fazer o ponto de situação das políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão social em Portugal, tomando por referência a infância. O período de análise documental situa-se entre 1990 – 2010. Tendo-se procedido a uma análise de conteúdo relativamente à legislação social e às políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão na infância, seleccionou-se como objecto de análise empírica o Programa Escolhas. Este Programa, de natureza governamental, tem 10 anos. Uma década constitui um período temporal que permite uma análise minimamente densa dos processos sociais aqui em causa. O Escolhas, pela sua especificidade de base territorial e pelo trabalho social e educativo, de proximidade, procura contrariar a reprodução social da pobreza e da exclusão. O programa tem vindo a incentivar a mobilidade, dando a conhecer modos alternativos de vida, como factor de desenvolvimento pessoal e social, junto das crianças. A análise das entrevistas semi-directivas realizadas ao director nacional do programa e aos coordenadores de projectos implementados no concelho do Porto, assim como os dados recolhidos da aplicação de um inquérito por questionário às crianças, permitem documentar tais processos. Tomando por referência o estudo das condições de vida de crianças com idades entre os 10 e os 18 anos e as suas representações sociais da pobreza e exclusão, procura-se situar a posição da criança face a um triângulo socializador, constituído por família, escola e escolhas, no que concerne à aprendizagem de competências facilitadoras de combate à reprodução social da pobreza e da exclusão. Palavras-chave: pobreza, exclusão social, políticas sociais, crianças, reprodução
  • GANDRA, Florbela Samagaio CV de GANDRA, Florbela Samagaio
Florbela Samagaio Gandra

Florbela Maria S. Samagaio Gandra é socióloga. Iniciou a sua atividade profissional no âmbito de projetos de desenvolvimento local, tendo realizado a Formação Europeia JADE II, Jovem Agente de Desenvolvimento.
Iniciou-se como Investigadora do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no Projeto Pobreza e Exclusão Social: as áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, projeto este, financiado pela
Integrou o quadro docente da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, em 1997, sendo prof. Adjunta desde então. É membro do Conselho Técnico Científico da mesma instituição.
Tem desenvolvido os seus trabalhos de investigação sociológica, com respetivas publicações, nos seguintes domínios: pobreza e exclusão social; desenvolvimento local; sociologia da infância, e voluntariado missionário
Encontra-se atualmente em processo de doutoramento, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese subordinada ao seguinte tema: O fator educativo no combate à pobreza e à exclusão social na infância.

PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção
Resumo de PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção
PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção

O referencial recente dos estudos sociais da infância, em que as crianças são vistas como actores competentes que contribuem activamente para a produção do seu contexto envolvente e lhe atribuem significado, tem uma tradução metodológica na investigação: dar-lhes voz é uma prioridade, na medida em que elas possuem uma perspectiva única acerca da sua condição de vida. Neste âmbito, tem-se assistido ao desenvolvimento de pesquisas e métodos inovadores de carácter inclusivo e participativo de forma a conseguir captar as experiências, perspectivas e interpretações das crianças. Estas metodologias mais centradas na criança têm-se mostrado fundamentais e úteis na investigação com e sobre a infância. Assim, e com referência a uma etapa do projecto “Crianças e Internet”, a decorrer no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian), pretende-se nesta comunicação apresentar uma reflexão crítica a propósito da utilização de metodologias qualitativas de cariz etnográfico. As mesmas representam uma contribuição complementar e adicional aos resultados obtidos nas fases anteriores do projecto, que envolveram a aplicação de um inquérito por questionário e a realização de entrevistas, e procuram ultrapassar algumas limitações que aquelas abordagens “convencionais” evidenciaram junto das crianças e jovens. O recurso a metodologias qualitativas mais minoritárias, por exemplo os “métodos visuais”, justifica-se também pela natureza da temática em estudo, centrada nos usos e representações infantis da internet em casa. Foram estudadas 30 crianças residentes na Área Metropolitana de Lisboa, provenientes de meios sociais distintos, entre os 10 e os 15 anos de idade. Optou-se pela combinação de múltiplas técnicas: observação em casa e “visita guiada” ao cenário tecnológico doméstico; recolha e interpretação de print-screens e fotografias tiradas pelas crianças sobre as suas actividades no computador e na internet; realização de focus-groups onde as informações individualmente recolhidas são postas à discussão do grupo. O objectivo principal da comunicação é portanto, a partir destes resultados, explorar e apresentar as principais potencialidades e obstáculos das técnicas utilizadas, não esquecendo os dilemas éticos que se lhes associam.
  • ALMEIDA, Ana Nunes de CV de ALMEIDA, Ana Nunes de
  •  CARVALHO, Diana CV - Não disponível 
  • DELICADO, Ana CV de DELICADO, Ana
  •  ALVES, Nuno de Almeida CV - Não disponível 
Ana Nunes de Almeida, socióloga, investigadora coordenadora do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa; Pró-Reitora na mesma Universidade, com o pelouro da Garantia da Qualidade e o do Observatório dos Percursos dos Estudantes. Objectos científicos preferidos: família, trabalho e fecundidade; escola, ensino superior e trajectórias dos estudantes; a infância, as crianças e a internet.
Publicações mais recentes:

Almeida, Ana Nunes de, Delicado, Ana e Alves, Nuno de Almeida, Carvalho, Tiago (2012) “Children and digital diversity: from ‘unguided rookies’ to ‘self-reliant cybernauts’, Childhood, 19(2), pp. 219-234 (doi: 10.1177/090756821140897)

Almeida, Ana Nunes de e Vieira, M. Manuel (2012). “From university to diversity: the making of Portuguese Higher Education” in Guy Neave e A. Amaral (eds). Higher Education in Portugal, 1974-2009. A Nation, a Generation. London, NYork: Springer, pp.137-160
Almeida, Ana Nunes de (coord) (2011). História da Vida Privada, vol IV (coordenação geral da obra de J. Mattoso). Lisboa: Círculo dos Leitores
Almeida, Ana Nunes de (2009). Para uma sociologia da infância. Lisboa: ICS.
Ana Delicado é investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Socióloga, licenciada pela FCSH-UNL, mestre e doutorada pela Universidade de Lisboa. Foi investigadora do Observatório das Ciências e Tecnologias (Ministério da Ciência e Tecnologia) e do Institute for Prospective Technological Studies (Joint Research Centre - European Commission).
Trabalha principalmente na área dos estudos sociais da ciência. Já desenvolveu investigação sobre organizações não governamentais e voluntariado, riscos ambientais, museus de ciência e cultura científica e mobilidade internacional dos cientistas. Coordena atualmente projectos sobre associações científicas e sobre energias renováveis. Participa ainda em outros projectos sobre o uso da internet pelas crianças, sobre erosão costeira, sobre energia nuclear e sobre alterações climáticas.
É autora de um livro, "A musealização da ciência em Portugal" (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian), que recebeu o Prémio de Investigação em Museologia da APOM Associação Portuguesa de Museologia, co-autora de outros dois livros e tem publicados 14 capítulos de livros e 20 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.