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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0007 - Crianças: estilo de vida e vida com estilo
Por muito tempo, porventura confundível com a sua própria existência, as crianças puderam manter no seu quotidiano estilos de vida onde o uso informal e discricionário de um tempo próprio tinha lugar antecipadamente marcado, sobretudo para, em grupo, se devotarem a vivências que lhes são muito próprias e por onde se consubstanciam as culturas da infância e, dentro destas, a cultura lúdica, sua expressão primordial que a riqueza do folclore infantil passado como herança cultural intrageracionalmente alimentava em permanência.
Era por aqui que ganhava expressão efetiva uma componente seminal do processo de socialização de cada criança, através do qual a destreza física, a autonomia, a aprendizagem da (con)vivência grupal, onde o papel do mais velho se constituía como importante veículo de transmissão cultural, o contacto com a natureza e a constante confrontação com o imprevisto e a consequente necessidade de ultrapassar, de per si, etapas cada vez mais exigentes que a cada instante se colocavam, fazia desse espaço-tempo um riquíssimo momento de apreensão das coisas do mundo em que a geração mais nova se ia, também por aí, paulatinamente, inserindo.
O tempo de agora cassou positivamente esse outro que há pouco mais de uma dúzia de anos atrás ainda ocupava um bom pedaço da agenda diária das crianças, hoje cada vez mais ilhadas em instituições que lhes formatam por igual os seu quotidianos, sem deixar uma nesga sequer que seja para esse momento de liberdade de que ontem puderam usufruir.
Neste modus vivendi estampa-se um estilo de vida que, paradoxalmente, interroga o que, por inquestionável pertinência, deverá conter uma vida com estilo. A partir dos resultados a que conduziram as investigações que desenvolvemos no decurso de um estudo empírico feito com quatro gerações, pretendemos discutir esta realidade que nos confronta e com isso começar a olhar as identidades e os valores que a adultez trará aos que hoje crescem dentro deste novo paradigma.
- SILVA, Alberto Nídio

Alberto Nídio Silva é Doutor em Estudos da Criança, especialização em Sociologia da Infância, pela Universidade do Minho, Instituto de Educação. Pertence ao Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC, unidade 317 da FCT), do Instituto de Educação da Universidade do Minho. Tem desenvolvido investigação no domínio das culturas da infância, aqui com particular enfoque na cultura lúdica e no folclore infantil enquanto sua expressão primordial. É autor de vários livros, artigos e capítulos de livros. E-mail: albertonidio@hotmail.com
PAP1142 - O CONSUMO CULTURAL NA INFÂNCIA COMO UM APRENDIZADO PARA A FORMAÇÃO DE CIDADÃOS
Investir em conquistar a preferência das
crianças é investir no futuro. Garantir que
elas tenham afeição por uma marca, desejo e
identificação por determinado produto é
certamente um dos objetivos de negócios de
grande parte das empresas que atuam no mercado
mundial, ainda que elas não tenham produtos
exclusivamente desenhados aos pequenos
consumidores. Esse cenário é recente, o
reconhecimento das crianças como público
consumidor, que teve início na década de 1980,
foi o primeiro passo para que elas fossem
incluídas em diversas discussões, como a
Convenção Internacional dos Direitos da
Criança, estabelecida pela ONU, em 1989
reforçou a importância de incluir esse público
nos debates sociais e também nos que se
referiam ao consumo e às mídias.
A relação entre consumo das crianças e a
formação de futuros cidadãos parece uma
proposta intrigante e por isso mesmo passível
de ser estudada. Nestor Garcia Canclini, afirma
que o consumo é que define como um indivíduo se
integra à e se diferencia na sociedade e, a
partir dele, cria e organiza novas identidades
culturais. O espaço na esfera política está
cada vez mais restrito, ou menos atrativo, aos
cidadãos, que têm suas escolhas cada vez mais
favorecidas no ambiente do mercado (2006),
quando se trata das crianças então, essa
possibilidade de atuação político-social é mais
distante e a do mercado favorecida. Como,
então, aprender com o exercício de uma atuação
participativa no campo do consumo para gerar
experiência e aprendizado para uma postura
atuante no campo social e político? Isso é
possível e, como em todos os aprendizados,
quanto mais cedo acontecer, mais natural será,
como ensina a sociologia do gosto, de Pierre
Bourdieu (1999).
O objetivo desse artigo é investigar como o
consumo de um produto cultural por parte das
crianças tem a possibilidade de incentivar o
engajamento delas em causas voltadas ao
coletivo, e conseqüentemente a formação de
futuros cidadãos. Para isso foi estudado um
produto cultural que esteve disponivel no
mercado brasileiro em dois momentos diferentes,
na década de 1970 e posteriormente em 2000.
Esse produto é uma revista infantil cujo nome é
Recreio que se propoe a divertir e isntruir
seus leitores com uma abordagem diferenciada.
Porém, após as análises é possivel identificar
que utiliza o mesmo formato do mercado
editorial destinado aos adultos.
- CORREIA, Ligia Stella Baptista

Ligia Stella Baptista Correia
Mestre em Ciências Sociais: antropologia pela PUC-SP (2010). Especialista em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (2002). Bacharel em Comunicação Social: Publicidade e propaganda - habilitação Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2000). Áreas de pesquisa infância, mídia e educação, cultura e indústria cultural, práticas de consumo e consumo cultural.Atua no mercado de bens de consumo há 15 anos, dos quais a maior parte na área de marketing com foco em consumo infantil e conhecimento do consumidor.