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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Pobreza»

PAP0524 - Diagnóstico gerontológico: um instrumento para influenciar a política social
Resumo de PAP0524 - Diagnóstico gerontológico: um instrumento para influenciar a política social PAP0524 - Diagnóstico gerontológico: um instrumento para influenciar a política social
PAP0524 - Diagnóstico gerontológico: um instrumento para influenciar a política social

Apreciar as repostas sociais existentes para demonstrar as insuficiências da oferta de serviços face às necessidades da população mais velha é objectivo central da investigação. Para isso, começamos por determinar a incidência da pobreza na população envelhecida de uma área geográfica (Póvoa de Varzim) e por relacionar a taxa de risco de pobreza com as diferentes categorias etárias discrimináveis na população com mais de 55 anos. Interessa-nos determinar a sua incidência segundo o género, o nível de escolarização, a profissão e a classe social. Não menos importante é determinar o peso relativo dos idosos que permanecem nas suas famílias, dos que vivem isolados e dos que já se encontram institucionalizados. Quanto aos primeiros, procuramos esclarecer se existem (des)complementaridades entre os cuidadores das redes de sociabilidade primárias e os cuidadores institucionais e o mesmo a respeito dos idosos que vivem sozinhos. A dispersão geográfica da família e a autonomização das residências são indicadores que nos interessa medir para saber se estamos num concelho onde as redes de interacção familiar e de vizinhança conservam um potencial protector da velhice. No objecto de estudo cabe a análise crítica dos modos como as instituições definem as necessidades dos idosos residentes em lares, dos utilizadores de serviços domiciliários e dos frequentadores dos centros de dia. Mais concretamente, propomo-nos analisar até que ponto as práticas institucionais assumem que as necessidades dos idosos são mais amplas do que as inerentes às actividades básicas da vida diária. Se têm em conta, e como, que o envelhecimento tem uma dimensão relacional que agrava severamente a vulnerabilidade social dos indivíduos. Serão estas redes capazes de responder às exigências de protecção que decorrem do prolongamento da esperança de vida e dos inerentes riscos de deterioração da saúde e da autonomia dos idosos? Qual a disponibilidade dos membros da população envelhecida para se implicarem na prestação de serviços à colectividade para permanecerem integrados na vida social e demonstrar a sua utilidade social? Se o discurso das instâncias públicas assume que a humanização desta idade da vida exige serviços diversificados e disseminados no território, cabe ao diagnóstico explicitar os seus défices quer em quantidade, quer em diversidade e qualidade.
  • ALMEIDA, Maria Sidalina CV de ALMEIDA, Maria Sidalina
  •  GROS, Marielle CV - Não disponível 
Nome: Maria Sidalina Almeida
Afiliação institucional: Instituto Superior de Serviço Social do Porto
Área de formação - licenciatura em serviço social; mestrado em serviço social e política social e doutoramento em ciências da educação.
Interesses de investigação: diversos temas no campo da gerontologia social; transição dos jovens para a vida adulta.

PAP0016 - Estratégias colectivas de governação local no campo social
Resumo de PAP0016 - Estratégias colectivas de governação local no campo social PAP0016 - Estratégias colectivas de governação local no campo social
PAP0016 - Estratégias colectivas de governação local no campo social

Perfila-se um novo paradigma de governança- local, colectivo, negocial e integrado- que, além das questões relacionadas com a assunção de arquitecturas institucionais mais horizontais, incorpore a ideia de, participação dos actores chave nos assuntos públicos. Este paradigma esboça-se, ao mesmo tempo, que, se afirma um novo paradigma sociopolítico de intervenção social, cujos grandes marcos teóricos, reconhecendo a relação entre os fenómenos protecção social e desenvolvimento local, sublinham a importância da intervenção intersectorial e da preparação do contexto de referencia, recontextualizando o discurso oficial e promovendo, no decurso da acção, processos reflexivos capazes de gerar aprendizagem e espaço de manobra para os actores locais. As teorias de Beck (2000), Giddens (1997, 2001), Fukuyama (2006), Castells (2007), entre outros, oferecem elementos de fundamentação do novo paradigma, que, sugerem a experimentação de novos mecanismos de acção conjunta, como redes, parcerias e outras fórmulas de associativismo. Este novo paradigma comporta a necessidade de se encontrarem estratégias adequadas de intervenção territorial, capazes de acautelar um certo oportunismo do Estado, de distribuição da responsabilidade do combate à pobreza por novos e diferentes actores. Tratar- se-á de concretizar os princípios de um Estado Social accionando no local, fórmulas de governação ou governança, capazes de comprometer, em complementaridade, outros agentes e outras redes sociais, no suporte social aos indivíduos e famílias. Entende-se a noção de governança como um fenómeno pluridimensional, que, além das questões relacionadas com a arquitectura dos órgãos locais, mais centralistas ou mais horizontais, incorpora a ideia de participação dos actores chave nos assuntos públicos e corresponde ao conjunto de processos e de actores locais envolvidos na acção local.
  • GONÇALVES, Hermínia Fernandes CV de GONÇALVES, Hermínia Fernandes
Hermínia Júlia de Castro Fernandes Gonçalves, Professora auxiliar na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), Departamento de Economia, Sociologia e Gestão (DESG). Investigadora Efetiva do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD- UTAD). Com Interesses de investigação em políticas sociais, democracia participativa, cidadania, governança; ação coletiva; redes sociais; parcerias; movimentos sociais, pobreza, desenvolvimento local, responsabilidade social, terceiro sector e metodologias participativas. Doutorada em Sociologia, pela Universidade de Salamanca. Recebeu o Prémio de Investigação Doutoramento Extraordinário, pela Universidade de Salamanca.

Exerce ainda funções:
Vice Directora da Licenciatura de Serviço Social da UTAD
Coordenadora da REAPN/EAPN (rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Vila Real;
Juiz Social na Comarca de Vila Real para a área dos menores em risco.
Já exerceu funções:
Directora da Unidade de Proteção Social de Cidadania no Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real.
Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Vila Real
Coordenadora do Grupo de Ação Local da Associação do Douro Histórico (ADH) para aplicação do Programa LEADER (Ligação de Acções de Desenvolvimento Rural).

PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
Resumo de PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde

A quantificação da desigualdade, da pobreza e, mais recentemente, da riqueza tem o seu espaço próprio na literatura especializada. A aplicação de medidas tradicionais no contexto de avaliação da distribuição do rendimento pode ser desenvolvida com vantagem no contexto da avaliação empírica da saúde. A nossa contribuição para a literatura está na utilização desse tipo de medidas com base num índice de saúde susceptível de captar a multidimensionalidade do fenómeno. Ilustramos a aplicação das medidas de pobreza, riqueza e desigualdade em saúde ao caso português, usando dados do último Inquérito Nacional de Saúde (INS). A análise da desigualdade e da pobreza – tradicional no contexto de avaliação da distribuição do rendimento – pode ser alargada a outras dimensões de fenómenos mais abrangentes como o desenvolvimento dos países ou o bem-estar das suas populações. Enquadra-se neste âmbito, por um lado, a literatura que tem procurado explorar, de forma individual, cada uma dessas dimensões adicionais e, por outro, a vertente que se tem centrado na leitura multidimensional da pobreza e da desigualdade. Neste artigo, seguimos a primeira destas vias de análise, centrando o nosso foco na dimensão saúde. Adicionalmente, agregamos à avaliação da desigualdade e da pobreza a leitura da riqueza em saúde, alargando, desta forma, a abrangência do conceito. Apesar de relativamente escassos, é possível identificar na literatura especializada, contributos no sentido da mensuração da pobreza e da desigualdade em saúde. Todavia, esses trabalhos utilizam como variável de referência uma variável simples de saúde, como seja o peso ou o índice de massa corporal. A principal limitação desse procedimento reside no facto de essas variáveis não captarem cabalmente a multidimensionalidade que caracteriza os estados de saúde. Neste artigo procuramos contornar essa limitação propondo o cálculo de um índice de saúde, isto é, aplicando ao caso português a metodologia utilizada pelo EuroQol na determinação dos estados de saúde, com base nos micro-dados do INS.
  •  CRESPO, Nuno CV - Não disponível 
  •  SIMÕES, Nádia CV - Não disponível 
  • MOREIRA, Sandrina CV de MOREIRA, Sandrina
- Docente na Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Pertence ao Departamento de Economia e Gestão.
- Investigadora na Business Research Unit (BRU) do ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa. Pertence ao Grupo de Economia do Centro BRU/UNIDE.
- Doutora em Economia pelo ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa; Mestre em Economia pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão; Licenciada em Economia pela FEUC, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
- Atuais Interesses de Investigação: Medição do Desenvolvimento de Países ou Regiões, incluindo Componentes do Desenvolvimento como Distribuição do Rendimento, Emprego, Saúde...

PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada
Resumo de PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada
PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada

TÍTULO: Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada. Palavras – Chave: Trabalho; Mercado de trabalho; Pobreza; Processos de marginalização social. O tema nuclear da comunicação é o das relações entre trabalho, desigualdades sociais e pobreza. A argumentação constrói-se a partir de revisão bibliográfica sobre o tema e de investigações anteriores levadas a cabo pelos autores. Organiza-se em duas partes: na primeira discutem-se as mutações que o trabalho tem conhecido sobretudo nas últimas quatro décadas, tanto ao nível das suas manifestações empíricas como do seu valor simbólico e poder estruturante dos percursos biográficos; na segunda, a sua relação com a pobreza e a marginalização social na modernidade avançada. Faz-se de início um breve percurso pelo modo como foi assumindo, ao longo da Modernidade, o papel de estratégia de normalização e de ética da disciplina, adquirindo um elevado estatuto socioeconómico e politiconormativo. Em seguida, e com base na revisão de investigações que têm procurado equacionar o que está a acontecer ao trabalho e em indicadores da sua caraterização fornecidos por vários organismos, analisam-se as transformações por que tem passado, sistematizando-as em três linhas: a da sua rarefação, a da sua segmentação e fragmentação do estatuto do trabalhador e a da relação do trabalho com a construção da experiência biográfica dos atores. As mutações a que aludimos não se impõem sem resistência, mantendo-se atualmente respostas que tendem a prolongar os papéis e a ética tradicional do trabalho. É deste modo que contextualizamos a procura de algumas novas jazidas de emprego, bem como as politicas implementadas, em Portugal como em grande parte dos países da União Europeia, para a promoção do emprego e de apoio aos desempregados. Ainda que se insista na manutenção desta lógica, os dados de variadas investigações mostram que as transformações em curso no mercado de trabalho constituem mecanismos de aprofundamento das desigualdades e de clivagens sociais. Analisamos algumas leituras que têm sido propostas para o esclarecimento destes mecanismos. Em suma, a problematização que perpassa toda a comunicação é a das consequências já detetáveis destas mutações, conduzindo-nos a questões como a de saber se podemos continuar a considerá-lo como o grande integrador da experiência pessoal e social, ou se o papel da atividade profissional nos processos de socialização e de construção das identidades deve ser relativizado, ou ainda, e mais geralmente, saber se o trabalho se cumpre ainda como forma de realização de si ou se, pelo contrário, se arrisca a ser potenciador de desigualdades e de marginalização social.
  • SILVESTRE, Agostinho Rodrigues CV de SILVESTRE, Agostinho Rodrigues
  •  FERNANDES, Luís CV - Não disponível 
Agostinho Rodrigues Silvestre
Assistente social. Mestre em Psicologia do Comportamento Desviante pela FPCEUP, onde frequenta o programa Doutoral em Psicologia. É docente na Universidade Portucalense. É há 17 anos diretor executivo da Agência de desenvolvimento integrado de Lordelo do ouro (ADILO), no âmbito da qual tem concebido e coordenado vários projetos de intervenção social e comunitária. Presidente da associação Norte Vida. Desenvolve investigação sobre trabalho e processos de marginalização social extrema.

PAP0878 - O Rendimento Social de Inserção e os Beneficiários Ciganos: O Caso do Concelho de Faro
Resumo de PAP0878 - O Rendimento Social de Inserção e os Beneficiários Ciganos: O Caso do Concelho de Faro PAP0878 - O Rendimento Social de Inserção e os Beneficiários Ciganos: O Caso do Concelho de Faro
PAP0878 - O Rendimento Social de Inserção e os Beneficiários Ciganos: O Caso do Concelho de Faro

O Modelo Social Europeu está na base da criação de uma prestação social mínima que se generalizou como instrumento de luta contra a pobreza e a exclusão social. Em Portugal essa medida foi criada em 1996 e designava-se inicialmente por Rendimento Mínimo Garantido (RMG).Trata-se de um subsídio que permite às famílias e indivíduos que estejam em situação de desemprego ou a viver situações de carência económica extrema, subsistirem com um valor mínimo garantido e tem como objectivo principal a saída a prazo dessa situação. Em 2003 ocorreu uma alteração das políticas sociais em Portugal e o RMG passou a designar-se Rendimento Social de Inserção (RSI). Para auferir desta prestação os beneficiários têm de cumprir um programa de inserção social com o objectivo de melhorar as condições materiais e delinear um projecto de vida. O programa de inserção e o novo projecto de vida são elaborados pelo beneficiário e por um técnico de acompanhamento e posteriormente validados pelos parceiros locais. Estes têm a responsabilidade de colaborar na efectivação e cumprimento do programa de inserção. Estas políticas sociais assentam num conjunto de novas metodologias de intervenção social para com os mais vulneráveis e permitem uma melhor articulação institucional; procuram combater a dimensão económica da exclusão, defendendo o direito ao trabalho, o princípio da igualdade de oportunidades e a universalidade de acesso às políticas sociais; porém, também se actua de modo a impedir acomodação e a dependência do subsídio.As questões da pobreza são visíveis nos ciganos portugueses há vários anos. São diversos os trabalhos de investigação que apontam este grupo como um dos mais vulneráveis e mais expostos às situações de exclusão social associadas a uma carência económica extrema. E, embora se saiba que a grande maioria dos beneficiários do RSI não sejam ciganos, estes são com frequência apontados como «abusadores» dos subsídios sociais do Estado, sem que antes tivessem contribuído para tal apoio. Perante este cenário, uma parte significativa da sociedade parece manifestar alguma forma de rejeição deste grupo étnico, o que resulta em grande medida de uma insatisfatória aplicação das políticas sociais do país.Esta comunicação procura fornecer algumas ideias que permitam clarificar as questões em torno dos beneficiários ciganos do Rendimento Social de Inserção (RSI), do Concelho de Faro. São aqui apresentados os resultados iniciais de uma investigação ainda em curso que tem como objectivos conhecer como é experimentada a atribuição do RSI, perceber como é vivida a situação de subsidiariedade junto das populações ciganas e compreender como é percebido por elas o princípio da solidariedade social.Pretende-se também conhecer como é percebida a atribuição deste subsídio às famílias ciganas por parte dos técnicos,quais são as suas perspectivas quanto à inserção e saída do universo da pobreza desta população.
  • SANTOS, Sofia Aurora Rebelo CV de SANTOS, Sofia Aurora Rebelo
  • MARQUES, João Filipe CV de MARQUES, João Filipe
Sofia Aurora Rebelo Santos, 28 anos, vive em Faro, sul de Portugal.
É técnica da Linha de Emergência Social (linha 144) da Equipa Distrital de Faro. Fez parte da equipa do Contrato Local de Desenvolvimento Social de Faro, num projeto de intervenção social nos bairros críticos da cidade, onde trabalhou com população cigana e não cigana. Em paralelo é estudante do Mestrado de Educação Social na Universidade do Algarve. Uma das suas áreas de interesse é os ciganos. Trabalha todos os dias na luta pelos direitos e pela promoção da cultura e identidade deste grupo étnico. Como projeto futuro pretende criar uma associação juntamente com um grupo de ciganos.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.

PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas
Resumo de PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas
PAP0345 - O combate à pobreza e à exclusão social na infância: geração Escolhas

O combate à pobreza e à exclusão social na infância: Geração Escolhas A pobreza é um fenómeno complexo e multidimensional. As abordagens são variadas e têm justificado a pertinência de vários estudos (Townsend, 1979, Silva, 1982, Silva e Costa, 1989, Almeida, 1992; Ferreira, 1997;Pereirinha, 1999; Capucha, 2005; Spicker, 2007; Costa, 2008). Apesar de mais de um século de análise dos fenómenos da pobreza e da exclusão social, é apenas na viragem para o século XXI, que se reconfigura o trabalho investigativo tendo como objecto empírico as crianças, surgindo, em Portugal, pela mão da economia (Bastos, 2008; Bastos, 2011). Não descurando a relevância de uma tal abordagem, torna-se fundamental que a sociologia promova uma análise compreensiva sobre os fenómenos da pobreza e da exclusão consagrando um olhar sobre o lugar da criança em tais processos. A visibilidade social da criança é relativamente recente. Para esta visibilidade contribuiu a publicação da Convenção dos Direitos da Criança (1989). A criança começa a ser vista como sujeito de direitos, dando-se início a uma verdadeira operação de busca do conhecimento sobre a criança em si própria (Corsaro, 1997; Sarmento, 2002; Bastos, 2008; Sarmento e Veiga, 2011). Esta comunicação pretende fazer o ponto de situação das políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão social em Portugal, tomando por referência a infância. O período de análise documental situa-se entre 1990 – 2010. Tendo-se procedido a uma análise de conteúdo relativamente à legislação social e às políticas sociais de combate à pobreza e à exclusão na infância, seleccionou-se como objecto de análise empírica o Programa Escolhas. Este Programa, de natureza governamental, tem 10 anos. Uma década constitui um período temporal que permite uma análise minimamente densa dos processos sociais aqui em causa. O Escolhas, pela sua especificidade de base territorial e pelo trabalho social e educativo, de proximidade, procura contrariar a reprodução social da pobreza e da exclusão. O programa tem vindo a incentivar a mobilidade, dando a conhecer modos alternativos de vida, como factor de desenvolvimento pessoal e social, junto das crianças. A análise das entrevistas semi-directivas realizadas ao director nacional do programa e aos coordenadores de projectos implementados no concelho do Porto, assim como os dados recolhidos da aplicação de um inquérito por questionário às crianças, permitem documentar tais processos. Tomando por referência o estudo das condições de vida de crianças com idades entre os 10 e os 18 anos e as suas representações sociais da pobreza e exclusão, procura-se situar a posição da criança face a um triângulo socializador, constituído por família, escola e escolhas, no que concerne à aprendizagem de competências facilitadoras de combate à reprodução social da pobreza e da exclusão. Palavras-chave: pobreza, exclusão social, políticas sociais, crianças, reprodução
  • GANDRA, Florbela Samagaio CV de GANDRA, Florbela Samagaio
Florbela Samagaio Gandra

Florbela Maria S. Samagaio Gandra é socióloga. Iniciou a sua atividade profissional no âmbito de projetos de desenvolvimento local, tendo realizado a Formação Europeia JADE II, Jovem Agente de Desenvolvimento.
Iniciou-se como Investigadora do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no Projeto Pobreza e Exclusão Social: as áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, projeto este, financiado pela
Integrou o quadro docente da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, em 1997, sendo prof. Adjunta desde então. É membro do Conselho Técnico Científico da mesma instituição.
Tem desenvolvido os seus trabalhos de investigação sociológica, com respetivas publicações, nos seguintes domínios: pobreza e exclusão social; desenvolvimento local; sociologia da infância, e voluntariado missionário
Encontra-se atualmente em processo de doutoramento, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a tese subordinada ao seguinte tema: O fator educativo no combate à pobreza e à exclusão social na infância.

PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças
Resumo de PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças
PAP1268 - O valor de ser pobre na perspectiva das bem-aventuranças

Esta comunicação versa sobre a pobreza como valor, contrariamente como a maioria da literatura, baseada na Economia e na Sociologia, trata esta categoria. A escolha por essa temática é compreendida sob os aspectos teológicos cristãos e filosóficos. Dentro desses aspectos, rompemos visões lineares economicista para compreendermos a pobreza por outro prisma. Trazemos a Teologia e a Filosofia para dialogarem com a pobreza como desafio em penetrar na experiência e no conteúdo da fé, uma fé pensante e pensada, crítica e sistemática, em uma palavra, a fé que se dobra diante da compreensão reflexiva e que leva a ação. Nessa perspectiva, a discussão se torna ética na medida em que o cenário social – a pobreza – pode nos ajudar a compreender a pessoa do pobre sem vinculá-lo a um extrato social. Recorremos, entretanto, aos ensinamentos cristãos baseados no evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus, especificamente os contidos nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Por ser um discurso inaugural protagonizado por Jesus Cristo, este é considerado como tratado de amor e felicidade. A pobreza em espírito, ante o exposto, exige das pessoas um trabalho interior voltado para si mesmo. É a atitude de liberdade e de independência, pronto para caminhar. Bem-aventuranças, em hebraico, quer dizer em marcha, ao contrário de infeliz, que quer dizer estar parado, parado sobre si mesmo, em sua imagem, sintomas e memórias. A pobreza cristã consiste em uma liberdade de coração que é desprendimento de pessoas e coisas para crescer. Sobre esse aspecto, afirmamos que um estilo de vida pobre desabsolutiza os bens do mundo, como consequente desapego, pela sobriedade no uso dos bens e pela vontade de colocá-los a serviço das pessoas que necessitam. A pobreza tomada nesse sentido não pode ser dissociada da decisão de eliminar as estruturas responsáveis pela exclusão de tantas pessoas. Isso nos leva a crer que a exigência do desapego dos bens materiais e a primazia das riquezas de espírito tornam-se um compromisso de testemunhar uma vida mais virtuosa. Mas, como vivenciar uma vida pobre frente aos apelos consumista do mundo moderno? Como visto pobreza aqui não é sinônima de indigência, em sentido econômico, mas ausência do supérfluo, pois esse tipo de pobreza nos leva a frugalidade, a moderação, sem consistir em falta do necessário para viver. Desse ponto de vista, é um contraponto da sociologia do consumo. Para isso, tomamos como referência o filósofo peruano Alberto Wagner de Reyna, para balizar a nossa discussão. A pobreza como um valor se distancia da fascinação do consumismo e da sedução do aparato econômico. Esses valores estão explícitos em virtudes clássicas como sobriedade e simplicidade frente aos bens materiais, própria da mensagem cristã. Por fim, uma vida idealizada no desenvolvimento como riqueza material, parece ser um ideal “empobrecedor” para o espírito.
  • DANTAS, Lúcio Gomes CV de DANTAS, Lúcio Gomes
  •  TUNES, Elizabeth CV - Não disponível 
Lúcio Gomes Dantas - Professor do curso de Pedagogia na Universidade Católica de Brasília (UCB). Membro do Instituto dos Irmãos Maristas. Licenciado em Filosofia, especialista em Administração e Planejamento Escolar, mestre em Psicologia e doutorando em Educação na Universidade de Brasília. Tem experiência na área de gestão escolar com ênfase em Educação Cristã Católica; pesquisador sobre histórias de vida ligadas à formação docente e Educação Especial inclusiva, especificamente alunos com altas habilidades/superdotação. Atualmente investiga o fenômeno da pobreza vinculada à escolarização na perspectiva da ética.

PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL: Uma análise da contradição capitalista.
Resumo de PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL:  Uma análise da contradição capitalista.  PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL:  Uma análise da contradição capitalista.
PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL: Uma análise da contradição capitalista.

Desde o início de sua história o Brasil é perpassado por fortes relações de desigualdade social, que têm permanecido até este momento. Este artigo procura fazer uma análise da pobreza no Brasil na conjuntura atual, a partir de dados empíricos coletados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD- 1993 a 2008, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE. Consideramos, neste estudo, que o sistema capitalista tem forte influência no agravo da questão social, pobreza e desigualdade, ao passo que é um sistema econômico onde a produção e distribuição da riqueza são regidas pelo mercado, e não mais pelo Estado, visando lucro e acumulação de capital. Com o fortalecimento desse sistema, o dinheiro passa a ter grande força sobre o homem, se torna um valor dentro da sociedade, ou seja, possuir dinheiro é centralizar poder, manipular a sociedade, buscar o seu próprio bem-estar, e isso gerou consequências, como as desigualdades sociais. Assim, a problemática da pobreza tem alcançado patamares elevados a nível mundial. No caso brasileiro essa questão sempre esteve presente, como também se verificam historicamente algumas formas ou ações de enfrentamento, porém, tais ações nem sempre ocorreram de forma sistemática. A situação social no Brasil tem apresentado progressos, os investimentos em melhorias da política econômica e programas de atendimento ás famílias pobres permitiram mudanças na realidade do seu perfil socioeconômico. Entretanto, apesar da melhora nos últimos anos, segundo a PNAD, o nível de desigualdade brasileiro continua elevado. Enquanto os 40% mais pobres vivem com 10% da renda nacional, os 10% mais ricos vivem com mais de 40%. Embora a situação há uma década fosse certamente pior, ainda hoje, a renda apropriada pelo 1% mais rico é igual à dos 45% mais pobres. O que um brasileiro pertencente ao 1% mais rico pode gastar em três dias equivale ao que um brasileiro nos 10% mais pobres levaria um ano para gastar. Em função da elevada desigualdade que prevalece, a pobreza e, em particular, a extrema pobreza está muito acima do que se poderia esperar de um país com a renda per capita do Brasil. Se 1/3 da renda nacional fosse perfeitamente distribuída, seria possível garantir a todas as famílias brasileiras a satisfação de suas necessidades básicas. Contudo, quase 50 milhões de pessoas vivem em famílias com renda abaixo desse nível. A insuficiência de renda dos mais pobres, isto é, o volume de recursos necessários para que todas as famílias pobres superem a linha de pobreza, representa apenas 3% da renda nacional ou menos de 5% da renda dos 25% mais ricos. Para aliviar a extrema pobreza seria necessário contar apenas com 1% da renda dos 25% mais ricos do país. Esses números são alarmantes, e é preciso haver estratégias eficazes de combate a pobreza, nas suas diversas determinações, atuando sobre a família e o indivíduo no âmbito social e econômico, bem como políticas públicas eficientes.
  • SILVA, Cristiane Freitas da CV de SILVA, Cristiane Freitas da
  • SOUSA JUNIOR, Airton Silva de CV de SOUSA JUNIOR, Airton Silva de
SILVA, Cristiane Freitas da

Graduanda da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal do Pará-UFPA, Brasil. Bolsista de iniciação científica PIBIC-CNPQ do Projeto de Pesquisa “Os Impactos das Transformações Contemporâneas na Região Amazônica Brasileira: tendências da formação e do Mercado de trabalho profissional” no período de 2009-2012. Publica artigos em periódicos especializados e trabalhos em anais de eventos, principalmente no que concerne às temáticas: Trabalho, Políticas Públicas, Movimentos Sociais e Desigualdades. Endereço para acessar Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/7768890344998301. Email: cris.ssocial08@gmail.com
SOUSA JUNIOR, Airton Silva de


Graduando de Ciência da Computação da Universidade Federal do Maranhão-UFMA, Brasil. Participa e publica artigos em anais de eventos científicos na área de computação e interdisciplinares, tendo interesse principalmente nas temáticas de inclusão digital, socialização da informática, direitos humanos e desigualdades sociais. Email: airjubx@hotmail.com

PAP0553 - Pobres Delinquentes
Resumo de PAP0553 - Pobres Delinquentes PAP0553 - Pobres Delinquentes
PAP0553 - Pobres Delinquentes

Com a atual crise econômico-financeira reinante no mundo ocidental, podemos observar que cada vez mais o fosso social amplia-se. Setores sociais que ainda possuíam algum contato/proximidade com o Estado Social, alteram seus status, saindo do círculo da sociedade civil estranha para a incivil, segundo as noções de Boaventura Sousa Santos (2001, 2007). Neste sentido, o rótulo de criminoso amplia-se, alcançando novos grupos sociais e reforçando o estigma social negativo. Pretende-se neste artigo discorrer sobre a possibilidade tão atual quanto real, em razão da presente conjuntura, de as etiquetas sobre setores sociais ampliarem-se, fazendo com que o Estado Penal assuma maior força e rigor, sendo reforçado ainda o medo contra aqueles que são cada vez mais excluídos socialmente, posto que o temor, o receio, vende e rentabiliza para o mercado, que, em crise, precisa se movimentar e encontrar soluções. Importa-nos discorrer brevemente sobre a evolução do sistema punitivo, que já pertenceu à esfera privada, ao soberano e à sociedade, esta representada pelo Estado, tendo passado dos suplícios corporais ao aprisionamento da alma, conforme indica-nos Foucault (1988). Sob o pretexto de humanização da pena, várias teorias surgiram e foram superadas, desde a clássica à positivista até aos novos modelos de análise do fenômeno criminal, por meio da Criminologia Crítica, que vem demonstrar a falência total não só das teorias precedentes como também o fracasso do próprio modelo punitivo. Buscando revisitar a literatura mais autorizada nesta temática, temos por referencial teórico básico Irving GoffMann, Alessandro Baratta, Boaventura de Sousa Santos, Luigi Ferrajoli outros, pretendendo demonstrar que os fundamentos da Criminologia Crítica se comprovam ainda mais em tempos de crise, na medida em que setores da sociedade, dentro do duplo processo de definição e seleção criminal, sofrem forte estigma e são etiquetados como criminosos. Neste momento, este cruel viés é negativamente reforçado, posto que a pobreza tende a ser identificada com o crime. Há um grupo preferencial do sistema penal, sendo resultante do próprio processo de estigmatização social. Os pobres são preferencialmente os clientes “não porque tenham uma maior tendência para delinquir, mas precisamente porque tem maiores chances de serem criminalizados e etiquetados como criminosos” (Andrade, 2004, p. 32). O processo de criminalização amplia-se. No entanto, o próprio sistema prisional, com a mencionada docialização dos corpos, carrega em si o fenômeno da prisionização, criando, na verdade, um grande círculo vicioso e de recriação da própria criminalidade. Neste sentido, será que é verdade que o sistema prisional efetivamente fracassou ou ele cumpre sua real função, que é, na esteira do pensamento de Loic Wacquant, punir os pobres? Palavras-chave: pobreza – delinquência – estigmatização – crise.
  • REIS, Cristiane CV de REIS, Cristiane
Cristiane de Souza Reis é Professora Auxiliar, Coordenadora do Mestrado em Justiça Alternativa e Coordenadora-adjunta do Mestrado em Ciências Jurídico-Forenses e membro do Conselho Científico no Instituto Superior Bissaya Barreto/Portugal. É colaboradora do Instituto Jurídico Interdisciplinar da Faculdade de Direito da Universidade do Porto/Portugal. É Advogada desde 1996. É investigadora no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) no âmbito do pós-doutoramento. É Doutora em Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI, desde Outubro de 2011. É Mestre em Ciências Criminais pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro/Brasil e possui Especialização em Direito Público pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/Brasil. É autora de diversos artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, com ampla produção igualmente em Congressos na área do Direito e da Sociologia Jurídica e Sociologia Criminal.

PAP0071 - Pobreza e Requalificação Sócio-Identitária: uma leitura sociológica crítica da tradição de estudos sobre ‘A pobreza’.
Resumo de PAP0071 - Pobreza e Requalificação Sócio-Identitária: uma leitura sociológica crítica da tradição de estudos sobre ‘A pobreza’.  PAP0071 - Pobreza e Requalificação Sócio-Identitária: uma leitura sociológica crítica da tradição de estudos sobre ‘A pobreza’.
PAP0071 - Pobreza e Requalificação Sócio-Identitária: uma leitura sociológica crítica da tradição de estudos sobre ‘A pobreza’.

Ao longo desta comunicação pretende-se contribuir para uma crítica construtiva à tradição dos estudos sobre ‘a pobreza’, formulada a partir da perspectiva da desqualificação e requalificação sócio-identitárias. Concretamente, a comunicação propõe-se identificar e fundamentar a persistência de obstáculos às Ciências Sociais naqueles estudos. Assim, partindo do percurso analítico que a autora tem vindo a desenvolver — a partir de alguma experiência de intervenção em contextos de pobreza, desde finais dos anos 80 até à actualidade — sinaliza-se, nos estudos sobre ‘a pobreza’, a persistência de 7 grandes obstáculos epistemológicos a saber: etno(socio)centrismo; moralismos; individualismo; utilitarismo; miserabilismo-populismo, positivismo e androcentrismo. Reconhecendo que estes são obstáculos e dicotomias de difícil superação, associa-se ainda, aos mesmos, a dominância de um olhar ‘negativo’ — centrado nos processos e factores de empobrecimento — ao qual se pretende contrapor um olhar ‘positivo’ — centrado nos modos de construção social da ‘saída’ de condições ditas pobres. Defende-se então que, se os obstáculos epistemológicos e a focalização na queda (empobrecimento) têm atravessado o estudo de fenómenos designados por ‘pobreza’, uma das tarefas dos cientistas sociais neste campo é a de co-construir (outros) conceito e problemática que potenciem o reelaborar da visão, da observação, da pequisa e da intervenção relativas aos fenómenos, processos e condições socialmente desqualificados. Através desta linha de trabalho — proposta por Georg Simmel e actualizada na contemporaneidade por Serge Paugam — tem vindo a autora a aprofundar um modo analítico designado por Processos de Requalificação Sócio-Identitária. Para tal, vem d
  • TOSCANO, M.ª de Fátima CV de TOSCANO, M.ª de Fátima
Doutora, Mestre, Lic. em Sociologia; Escritora e Artista. Na Sociologia: dedica-se às problemáticas Pobreza e Exclusão, Identidades Sociais e Modos de Vida, guiando-se pela questão: como se constrói, pelas relações sociais quotidianas, a mudança (sócio-identitária)? Constam, dos Territórios Sócio-Iden-titários que pesquisa, os trajectos de mulheres emigrantes; a construção e mudança da condição social da mulher; as vivências de luto; e as formas de construção da ciência e dos saberes populares e comuns, bem como de des-construção de esterótipos (análise de mass-media e publicidade). Privile-giando a análise do lugar da oralidade na contemporaneidade, aprofunda a abordagem epistemo-meto-dológica ‘compreensiva-qualitativa’. É colunista do recente Semanário virtual ‘incomuniddade’. Na Arte: tem 8 livros de Poesia editados (1 Romance no prelo); realiza leituras encenadas dos seus livros e outras práticas pontuais, de Teatro (actora/dramaturga/encenadora) e Canto (Piaf, World Music, Fado).

PAP0256 - Pobreza, punição e intervenção social
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PAP0256 - Pobreza, punição e intervenção social

As sociedades do vasto espectro capitalista na sua forma avançada apresentam, nas três últimas décadas, com importantes variações espácio-temporais, profundas transformações na estrutura e dinâmica da regulação estatal. Dois movimentos ocorrem concomitante e articuladamente, firmando a secular indissociabilidade entre política social e política penal: a retracção do Estado Social e o alargamento e endurecimento do Estado Penal. Este eleva os custos de uma menor resignação perante a insegurança social da parte de segmentos sociais menos capitalizados e por ela mais afectados; une-se, nos termos de Pierre Bourdieu, à «mão direita do Estado» e afasta-se da sua «mão esquerda». A «tentação de recorrer às instituições judiciais e penitenciárias para jugular os efeitos da insegurança social engendrada pela imposição do salariato precário e pelo recuo correlativo da protecção social», exposta por Loïc Wacquant, revela-se particularmente heterogénea na sua forma e intensidade no caso europeu, por via da diversidade da configuração das sociedades, dos Estados Sociais e dos sistemas penais sobre a qual opera. Uma parte significativa destes fenómenos em transformação atravessa a sociedade portuguesa contemporânea. O sentido e extensão específicos dos mesmos radicam na génese e estruturação dos processos de reprodução e mudança social, pautados por lógicas internas diferenciadas e pela confluência de oposições e afinidades com as formações sociais de capitalismo avançado. Assim, partindo das potencialidades heurísticas de núcleos conceptuais e directrizes metodológicas de autores como Pierre Bourdieu, Loïc Wacquant, David Garland, Nils Christie, Robert Castel, Bronislaw Geremek, reflicto sobre a penalização da pobreza enquanto produto de conflitos entre forças do campo do poder, confrontando as hipóteses de que os dispositivos estatais punitivos em Portugal acompanham a tentação penal da Europa objectivada por alguns daqueles autores e de que a configuração das respostas estatais punitivas face às categorias sociais mais desfavorecidas corresponde a opções, nas suas múltiplas vertentes sociais, do campo do poder, mais do que à evolução dos índices de criminalidade, transferindo-se para o segmento da justiça penal problemas sociais que invocam a acção de outros dispositivos de intervenção social do Estado.
  • PINTO, Rui Pedro CV de PINTO, Rui Pedro

Rui Pedro Pinto, investigador integrado do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e docente da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, com licenciatura em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e mestrado em Ciências Sociais pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, doutorando em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com interesses de investigação no âmbito do Estado, desigualdade social e pobreza.

PAP0966 - Polissemia do conceito de pobreza e desigualdades sociais no Brasil
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PAP0966 - Polissemia do conceito de pobreza e desigualdades sociais no Brasil

Esta comunicação visa refletir sobre os modernos conceitos de pobreza e discutir os indicadores que mostram as desigualdades sociais no Brasil. Vale salientar que esses indicadores estão atrelados a organismos nacionais e internacionais. Com a mensuração desses órgãos, analisaremos os distintos critérios que medem a pauperização das pessoas no Brasil, bem como, a ideia de combate à pobreza, condicionada a uma política de assistência mínima, por parte do Estado. De fato, vários indicadores modernos de pobreza mapeiam a população pobre no intuito de traçar políticas públicas para combater a pobreza. Sobre isso, importante identificar o que esses indicadores apontam e quais as intencionalidades dos organismos governamentais a respeito dos pobres. Diante do exposto, a pobreza não será investigada, somente, pelo ângulo material ou econômico, baseado na renda. Com os paradoxos existentes entre as teorias sobre pobreza e os indicadores que medem tal categoria, necessário discutirmos os modernos conceitos de pobreza, tais como: Pobreza objetiva, subjetiva, multidimensional, incluída, marginal, absoluta, relativa, estrutural, dependente, desfiliada, desqualificante, integrada, política, pobreza de capacidades, de risco, de exploração, pobreza como valor, e pobreza no limiar biológico, econômico e sociológico. Com isso, as teorias sobre pobreza que se respaldam na objetividade desenvolveram metodologias de mensuração, voltadas para a lógica matemática. No que concerne à pobreza subjetiva, aspectos sociopolíticos são levados em conta, por considerarem experiências cotidianas das pessoas que vivem em situações de pobreza. Interessante notar que o fator monetário não é único critério para medir a pobreza. No fundo, o conceito de pobreza parece ser dúbio e plurívoco, uma vez que a literatura aponta para uma tipologia da pobreza, um mosaico conceitual que aporta como um conceito complexo. O que amplia o entendimento desse fenômeno. Não podemos esquecer que os conceitos de pobreza, em sua grande maioria, estão atrelados à esfera econômica. Com efeito, os aspectos monetários são determinantes na aquisição de bens de consumo e serviços para promoverem o bem-estar das pessoas, o que muitas vezes pode ser confundido como desenvolvimento humano. Por fim, na contemporaneidade, as distâncias entre pobres e ricos se tornam cada vez mais acintosas, o que evidenciam as desigualdades sociais. Diante da competição social que assola o nosso planeta, visto pela lógica mercadológica, possivelmente não encontraremos mais um grupo unido e portador de interesses comuns. Dessa forma, as desigualdades se inscrevem no seio de um grupo de iguais, abandonando, assim, a sua dependência de uma gestão coletiva. No caso dos pobres, materialmente, essa gestão coletiva passa a ser atributo do Estado.
  • DANTAS, Lúcio Gomes CV de DANTAS, Lúcio Gomes
  •  TUNES, Elizabeth CV - Não disponível 
Lúcio Gomes Dantas - Professor do curso de Pedagogia na Universidade Católica de Brasília (UCB). Membro do Instituto dos Irmãos Maristas. Licenciado em Filosofia, especialista em Administração e Planejamento Escolar, mestre em Psicologia e doutorando em Educação na Universidade de Brasília. Tem experiência na área de gestão escolar com ênfase em Educação Cristã Católica; pesquisador sobre histórias de vida ligadas à formação docente e Educação Especial inclusiva, especificamente alunos com altas habilidades/superdotação. Atualmente investiga o fenômeno da pobreza vinculada à escolarização na perspectiva da ética.

PAP0924 - Políticas Públicas e Pobreza: análise de uma experiência de Combate a Pobreza – Ceará/Brasil
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PAP0924 - Políticas Públicas e Pobreza: análise de uma experiência de Combate a Pobreza – Ceará/Brasil

A superação da pobreza tem ocupado uma posição central na construção das democracias latino-americanas. No Brasil, tem sido uma prioridade nacional a superação de uma desigualdade que tem raízes profundas e que, não sendo equacionada, distancia o País de qualquer projeto civilizatório. Portanto, várias são as tentativas de enfrentamento dessa problemática: a presente comunicação trata de uma delas, da síntese avaliativa da experiência do Fundo de Combate a Pobreza - FECOP, iniciativa do governo do Ceará – Brasil. O referido Fundo se constitui numa tentativa de promover transformações estruturais que possibilitem às famílias que estão abaixo da linha da pobreza o ingresso no mercado de trabalho e acesso a renda e aos bens e serviços essenciais através da ampliação de investimentos em capital social, físico-financeiro e humano. O processo avaliativo verificou os efeitos e impactos que foram gerados pelo Projeto E- Jovem – 1º Passo, experiência financiada pelo FECOP junto a populações caracterizadas por um elevado grau de vulnerabilidade social. Nesse sentido, a eficácia do projeto foi mensurada através da construção de um índice de qualidade de vida (IVQ) e os seus dados foram coletados por meio de métodos quantitativos e qualitativos junto aos beneficiários e não beneficiários do projeto. O método escolhido para análise do impacto foi o do Propensity Score Matching. A experiência avaliada demonstrou, de conformidade com o entendimento dos técnicos e dos jovens atendidos pelo projeto, contribuição na qualidade de vida de uma parcela muito pequena da população carente do Ceará. No entanto, para os beneficiários, o projeto oportunizou não só mudanças no comportamento, mas no relacionamento com a família e experiências de cooperação. Os indicadores quantitativos e qualitativos apontaram que o objetivo principal foi atingido: qualificação para o mercado de trabalho. Contudo, a experiência também aponta que apesar de ter seus resultados avaliados positivamente no âmbito dos beneficiários diretos do projeto, tais benefícios não foram capazes de gerar impacto positivo no âmbito mais geral da população da qual tal jovens são parte integrante. Os dados de tal avaliação remetem o estudo à discussão sobre a conceituação de pobreza e desigualdade social; bem como, a identificação de quem são e como vivem os pobres das diversas regiões do mundo. No âmbito da mesma discussão, o desafio de pensar políticas públicas capazes de enfrentar esse desafio universal.
  • FROTA, Francisco Horacio da Silva CV de FROTA, Francisco Horacio da Silva
  • SILVA, Maria Andréa Luz CV de SILVA, Maria Andréa Luz
FRANCISCO HORACIO DA SILVA FROTA, sociólogo, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Ceará – Brasil; Doutor em Sociologia pela Universidad de Salamanca – Espanha; Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará – Brasil; pesquisador e coordenador do Núcleo de Pesquisas Sociais da UECE.
MARIA ANDRÉA LUZ DA SILVA, socióloga, Mestre em Políticas Públicas, doutoranda em Democracia no Século XXI pela Universidade de Coimbra. Colaboradora Científica do Núcleo de Pesquisas Sociais – NUPES/UECE e do Centro de Estudos Sociais/UC. Pesquisadora e Professora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UECE. Desenvolve trabalhos nas áreas da juventude, participação, avaliação de políticas públicas, pobreza, violência e segurança pública.

PAP0765 - Precariedade laboral em situação de pobreza: contributos para uma tipologia
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PAP0765 - Precariedade laboral em situação de pobreza: contributos para uma tipologia

Os dados estatísticos disponíveis permitem perceber que a precariedade no emprego afecta um número crescente de indivíduos. Concomitantemente, os discursos políticos e mediáticos sobre este processo social são omnipresentes. Contudo, os estudos sistemáticos sobre a temática não abundam, quer a nível nacional, quer a nível internacional, pelo que discursos e decisões políticas sobre o assunto não têm por base informações factuais aprofundadas. Nesta comunicação, propomo-nos contribuir para a caracterização sistemática deste processo social, recorrendo a um inquérito por questionário aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção que trabalham, e à reflexão enquadradora de Beck, Castels e Barbier, relativamente às transformações do mercado de trabalho e à definição de precariedade no emprego. Os indivíduos em situação de pobreza que trabalham constituem uma população particularmente adequada para estudar a precariedade no emprego, quer por ser entre eles que se encontram todas as formas de precariedade, incluindo as mais extremas, quer porque se trata de uma categoria social em que a questão se coloca de forma persistente no tempo. Na análise a apresentar, confrontam-se as diferentes formas de vinculação em relação ao emprego com as principais características sócio-demográficas dos inquiridos construindo-se diferentes perfis de ser precário. Com efeito, a precariedade no emprego não é um processo social homogéneo. Apesar da incerteza em relação ao futuro como denominador comum, existem formas de precariedade com diferentes graus de intensidade, porque mais ou menos afastadas da norma do emprego sem termo, havendo mesmo trabalhadores pobres caracterizados pela condição de efectivo. Os métodos de pesquisa de dados, compreendem as análises univariada, bivariada e multivariada (análise factorial das correspondências múltiplas). O inquérito aos beneficiários do RSI que trabalham tem como âmbito (e representatividade) os Açores e recorrer-se-á a dados nacionais (INE) e europeus (Eurostat) para contextualizar e aprofundar as questões abordadas. Neste sentido, partindo da análise de um estudo de caso, através da construção de tipos a utilizar em contexto mais vasto (quer sociológico, quer geográfico), esta comunicação é uma contribuição para a compreensão aprofundada deste processo social.
  • DIOGO, Fernando Jorge Afonso CV de DIOGO, Fernando Jorge Afonso
Fernando Jorge Afonso Diogo
É Doutorado em Sociologia e Professor da Universidade dos Açores.
Na sua pesquisa científica tem sido autor de estudos e publicações na interceção das áreas da pobreza, do trabalho e do emprego feminino, em especial sobre os Açores. Boa parte do seu trabalho tem sido efetuado sobre os beneficiários do RMG/RSI e, mais recentemente, sobre a precariedade no emprego entre os indivíduos pobres.
É membro da Direção do Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores e cocoordenador da secção de Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais da Associação Portuguesa de Sociologia.

PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil
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PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil

A pobreza e a desigualdade embora constantes na sociedade não podem ser consideradas como situações naturais e espontaneas uma vez que são materializadas a partir de processos e estruturas políticas, econômicas e sociais. O objetivo desse artigo é identificar o racismo como principal mecanismo de sustentação a construção da pobreza e desigualdade econômica e social a que foram submetidos grupos de negros no Agreste e Sertão de Pernambuco. O artigo contrapõe-se a idéia de que a grande necessidade de mão-de-obra concentrava escravos apenas na zona açucareira apresentando vários documentos que indicam sua presença no Agreste e Sertão do estado. Em seguida, explica o que é o ciclo de pobreza descrevendo que fatores históricos o impulsionou, bem como os mecanismos que foram essenciais a sua fixação. Assim, o racismo é esmiuçado e ilustrado a partir da análise de relatos e documentos históricos entre os anos de 1845 e 1970, criando um perfil que o exemplifica destrinchando suas principais ações. Para mensurar que aspectos esse ciclo alcançou bem como a instituição da desigualdade, foi utilizado o censo brasileiro por amostra de domicílio que reúne dados sobre raça e cor baseados em técnicas de amostragem representativas com todos os setores da sociedade representados em proporções adequadas sendo capaz de documentar desigualdades étnicas, por isso, verificou-se junto ao IBGE, no censo 2000, dados sobre educação, ocupação e renda em todas as categorias concluindo que as diferenças étnicas mantiveram os negros em constante vulnerabilidade uma vez que a desigualdade tem estado inalterada ao longo dos anos citados.
  •  JALES, Danielly Amorim de Queiroz CV - Não disponível 

PAP0929 - “Novos pobres” e o impacto económico, social e simbólico do RSI
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PAP0929 - “Novos pobres” e o impacto económico, social e simbólico do RSI

Palavras-Chave: Novas formas de pobreza, Desqualificação social, Rendimento Social de Inserção Nas sociedades contemporâneas persistem e reproduzem-se velhas e novas desigualdades sociais inerentes ao modo de produção capitalista, dando lugar a novas formas de pobreza, afectando e fragilizando determinados grupos sociais. Estes conhecem uma posição social específica, marcada pela privação de recursos e novos tipos de pobreza, a que se associam situações de degradação, desqualificação e descrédito sociais. Entre os ‘novos pobres’ encontram-se novos grupos de requerentes do Rendimento Social de Inserção (RSI): indivíduos qualificados e pessoas sobreendividadas que, desempregados e sem recursos herdados ou adquiridos (poupanças), não tendo outra forma de sustento, caem numa situação de fragilidade. O Rendimento Social de Inserção, enquanto medida de política social que visa assegurar aos indivíduos em situação de pobreza e exclusão social e às suas famílias, uma prestação mínima com o objectivo de garantir a sua subsistência, bem como o direito à progressiva inserção laboral e social tem-se assumido como fundamental, também para estes novos beneficiários, cada vez mais numerosos no conjunto dos requerentes. Na ausência de outras alternativas financeiras, estes indivíduos frágeis (Paugam, 1991) contactam os serviços de assistência social, dando início a um processo de desqualificação social que afecta a sua identidade e os rotula de “assistidos”, passando a sofrer deste estigma quando entram em relação com os outros. Contudo, ao invés de outros beneficiários do RSI, estes indivíduos esperam que a sua situação de dependentes dos serviços de assistência social seja temporária (Rodrigues, 2010 e Paugam, 2003). Estes “novos pobres” constituem a população-alvo desta pesquisa. Com base na análise das histórias de vida e da informação constante dos processos individuais de beneficiários do RSI do Distrito do Porto com habilitações escolares médias/superiores e um passado dominado pela inserção laboral, estabilidade sócio económica, familiar e plena integração social, este trabalho põe em evidência os impactos económicos, sociais e simbólicos do RSI para um grupo de desempregados qualificados e indivíduos sobreendividados. Nesta pesquisa discute-se ainda a adequação dos dispositivos de inserção do RSI a este novo tipo de beneficiários tendo em conta, nomeadamente, as suas características e as suas representações e expectativas em relação à medida e aos seus dispositivos. COSTA, Alfredo Bruto da, et al.(Coord),(2008), Um Olhar Sobre a Pobreza, Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal Contemporâneo, Trajectos Portugueses, Gradiva, Lisboa. PAUGAM, Serge (2003), “A desqualificação social”, Porto Editora, Porto. RODRIGUES, Eduardo Vitor (2010), “ Escassos Caminhos: os processos de imobilização social dos beneficiários de RSI”, Edições Afrontamento, Porto
  • FERNANDES, Mónica CV de FERNANDES, Mónica
  •  MELO, Jacinta CV - Não disponível 
  •  REIS, Zélia CV - Não disponível 
  •  MATOS, DELERUE, FLAMBÓ, Emília CV - Não disponível 
Nome: Mónica (Elisabete da Silva) Fernandes
Afiliação Institucional:Centro de Investigação em Ciências Sociais, Universidade do Minho (CICS/UM)
Habilitações: Licenciatura e Mestrado em Sociologia, Desenvolvimento e Politicas Sociais.
Actualmente: Bolseira de Investigação no CICS/UM, com o projecto de investigação intitulado: Desigualdades e “novas formas” de pobreza em Portugal: condições de vida epercursos de pessoas sobreendividades e qualificadas em precariedade, financiado pela FCT.
Áreas de interesse de investigação: Pobreza e exclusão social, envelhecimento, saúde(mortalidade infantil), entre outros.